quinta-feira, 16 de abril de 2026

Quem tem medo de André Mendonça? Por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Ministros do STF acreditam que relator das investigações sobre o Master poupará colegas

A pergunta que paira sobre Brasília é: qual o tamanho da delação de Daniel Vorcaro? Ao mesmo tempo, outra dúvida ronda o Supremo Tribunal Federal (STF): André Mendonça vai partir com tudo para cima dos colegas nas investigações sobre o Banco Master, ou vai poupá-los?

A resposta à primeira dúvida ainda é desconhecida. Vorcaro segue negociando a colaboração premiada com a PF e a PGR. Gente com acesso ao caso acredita que a delação ficará pronta a partir de maio, margeando o processo eleitoral.

Ainda assim, não faltam especulações nos bastidores do Supremo sobre qual fatia das acusações será dedicada a integrantes da Corte. Parte dos ministros aposta que Mendonça não deixará de homologar a delação de Vorcaro se o banqueiro pegar leve com membros do tribunal.

O cálculo seria o seguinte: dos três ministros que surgiram até agora no caso Banco Master, dois são ligados a Mendonça. O terceiro pode ser mais atingido pelas investigações a depender dos próximos capítulos.

Kassio Nunes Marques, que também foi indicado por Jair Bolsonaro para o STF, é dos principais aliados ideológicos de Mendonça hoje na Corte. Em outra frente, os dois comandarão o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições deste ano – Nunes Marques como presidente; Mendonça como vice.

Dias Toffoli é amigo de Mendonça. Ministros consideram improvável que o relator do caso Master dificulte ainda mais a situação do colega no desenrolar das investigações.

Resta Alexandre de Moraes, que não é amigo nem aliado de Mendonça. Integrantes do tribunal acreditam que, embora esteja fortalecido com a relatoria de dois processos-bomba – o escândalo do Master e as fraudes do INSS –, Mendonça não teria poder suficiente para sustentar a briga com Moraes.

A situação mudaria a depender do avanço das investigações – isto é, se aparecerem implicações mais graves contra os ministros. Nesse caso, o sossego de Moraes ficaria comprometido, com chance de respingo para Toffoli e Nunes Marques.

Na avaliação de um integrante da Corte, para manter o protagonismo recém-alcançado, Mendonça terá de apresentar um resultado impactante das investigações sobre o Master – mas a conta de sobrevivência política dentro do tribunal impedirá que a entrega seja do tamanho desejado pela opinião pública.

Em tempo: enquanto Vorcaro negocia com PF e PGR, a delação sobre fraudes do INSS avança e pode ser concluída antes, segundo investigadores. O caso tem potencial de aumentar a projeção de Mendonça. E, também, de municiar a oposição em ano eleitoral, já que um dos alvos é o empresário Fábio Lula da Silva, filho de Lula.

 

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