O Globo
Sem rivais no campo progressista, presidente
tende a ficar isolado em debates e 2º turno
Rumo à sétima campanha presidencial, Lula
deixou escapar uma preocupação com os debates de TV. “Eu não sei quantos
candidatos vai ter do lado de lá”, comentou, na quarta-feira. O petista disse
que preferia participar de encontros “sem tanta regra”. “Quem sabe não precisa
ser todo mundo junto, quem sabe faz uma mistureba?”, sugeriu, em entrevista ao
ICL Notícias.
Pela lei eleitoral, outros três pré-candidatos têm lugar garantido nos debates: Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). Eles são filiados a partidos que elegeram ao menos cinco congressistas em 2022. As emissoras também podem convidar representantes de legendas nanicas que pontuarem bem nas pesquisas. Em tese, poderá ser o caso de Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).
Com três, quatro ou cinco rivais, o petista caminha
para ficar isolado no ringue televisivo. Todos os oponentes estarão “do lado de
lá”, e tendem a se revezar em ataques ao presidente que busca a reeleição.
Lula não terá a quem culpar. Foi ele quem
definiu a estratégia de barrar outras candidaturas na esquerda e na
centro-esquerda. Partidos como PDT e PSOL, que têm tradição de lançar
presidenciáveis, foram convencidos a apoiá-lo desde o primeiro turno. O PSB se
manteve na chapa em troca da permanência de Geraldo Alckmin como vice.
Em busca de votos do centro, presidente ainda
ensaiou oferecer a vaga ao MDB, mas esbarrou num manifesto de 17 diretórios
estaduais contra a aliança. Terá que se contentar com apoios regionais no Norte
e no Nordeste. O mesmo vale para o PSD: a sigla lançou Caiado, mas autorizou as
seções locais a se dividirem entre Lula e Flávio.
O “todos contra um” nos debates não será a
única consequência da estratégia escolhida pelo presidente. Ao bloquear o
surgimento de adversários no campo progressista, Lula pode ter criado uma
armadilha para si mesmo no segundo turno.
No cenário de hoje, todos os rivais tendem a
pedir votos para o primogênito de Bolsonaro. Lula teria dificuldade para
repetir o efeito frente ampla de 2022, quando recebeu apoio declarado de Simone
Tebet e envergonhado de Ciro Gomes.
Desta vez, o presidente deve encontrar pouco
espaço para ampliar a votação num segundo turno. Como escreveu no GLOBO o
pesquisador Mauricio Moura, isso o obrigará a fazer o possível para liquidar a
fatura em 4 de outubro. Seria um feito inédito: nas cinco vezes em que levou a
Presidência, o PT jamais conseguiu vencer no primeiro turno.
O ocaso do Tucanistão
Pela primeira vez, o PSDB admite não lançar
candidato ao governo de São Paulo. O partido venceu sete eleições consecutivas
no estado entre 1994 e 2018. Nos últimos anos, foi devorado pelo bolsonarismo e
viu prefeitos e deputados migrarem em massa para o PSD, de Gilberto Kassab.
Sem nomes competitivos para o Palácio dos
Bandeirantes, os tucanos agora negociam apoiar Kim Kataguiri, o deputado
tiktoker do MBL.
O que diria Mario Covas?

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