Folha de S. Paulo
Visita diversionista do senador aos EUA
coincide com queda inédita da popularidade do republicano
Pesquisa da revista The Economist indica que
há 90% de chance de americano perder a Câmara em novembro
A chanchada diversionista encenada pelo
pré-candidato Flávio
Bolsonaro nos EUA, onde conseguiu aparecer numa
foto com Donald Trump tem, como se sabe, o intuito de desviar a
atenção dos rolos
do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, peça central do escândalo
do Banco Master.
Flávio já havia demonstrado sua sabujice
antipatriótica ao prometer, caso eleito, contemplar as ambições americanas de
controlar reservas estratégicas de terras raras –as do Brasil.
Agora, escoltado por Eduardo, seu brother desertor, resolveu também reforçar a proposta de a potência estrangeira classificar as facções criminosas e mafiosas brasileiras (PCC e Comando Vermelho) como organizações terroristas. Foi o que fez em encontro com Marco Rubio, o secretário de Estado ora empenhado em invadir Cuba, de onde veio sua família.
Aliás, considerando-se o histórico de
proximidade do clã
Bolsonaro com figuras do mundo crime, não deixa de ser ousada a
animação do filhão com a referida proposta.
Flávio demonstrou o que já se sabia: ele,
seus parentes e Paulo Figueiredo, neto do ditador que disse preferir cheiro de
cavalo a cheiro do povo, têm trânsito nos círculos trumpistas. Natural. Há
tempos, desde a época em que Olavo de Carvalho e o tradicionalista fascistoide
Steve Bannon pontificavam, são conhecidas as relações da ultradireita
bolsonarista com os soldados ideológicos de Trump e seus amigos antiliberais.
Enquanto o servilismo da direita tapada
brasileira se exibe em Washington e vira meme, o líder americano perde
prestígio e apoio em seu país.
A revista The Economist revelou
nesta semana que ele se tornou o presidente mais impopular desde que a pesquisa
realizada pela publicação começou, em 2009. A façanha é fruto de um leque de
erros cometidos em diversas frentes, da política externa à econômica.
Uma parcela de 58% dos americanos desaprova a atuação do governante,
contra 34% que aprovam e 6% que dizem não saber.
O principal motivo de insatisfação é a
economia, que está longe de apresentar o desempenho prometido durante a
campanha. O aumento dos preços dos combustíveis, provocado pela estúpida guerra
movida em parceria com Israel contra o Irã, é um aspecto relevante na percepção
de que as finanças pessoais e familiares estão piorando.
Cerca de dois terços dos eleitores consideram
que foi um erro entrar nesse conflito e 53% afirmam que a imagem e a posição
dos EUA no mundo pioraram desde que ele reassumiu o cargo. Não é demais lembrar
que um dos pontos martelados na disputa eleitoral foi a condenação ao
envolvimento do país em guerras longínquas e sem motivo claro.
Essa promessa era um dos pilares do slogan
"América em primeiro lugar", bandeira de Trump e seus aliados
nacionalistas de extrema direita. Não por acaso, a pesquisa aponta para uma
sensível perda de apoio do republicano numa base que se mostrava bastante fiel,
formada por americanos brancos sem ensino superior.
O modelo de previsão da revista, em parceria
com a empresa de pesquisas YouGov, indica que os democratas têm 90% de chance
de conquistar o controle da Câmara nas eleições de meio de mandato, em
novembro.
Ainda faltam uns bons meses para o pleito
tanto lá como cá. No momento, porém, os ventos prenunciam um duplo naufrágio.

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