terça-feira, 5 de maio de 2026

Código de ética que falta ao Supremo inexiste no Congresso, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Alcolumbre faz acordo com extrema direita para barrar CPI do Master e beneficiar golpistas

Motta viaja a paraíso fiscal em jatinho das bets e na volta bagagem não passa no raio-X

As últimas jogadas de Davi Alcolumbre sugerem que, em matéria de traição e velhacaria, ele está disposto a superar Eduardo Cunha.

Ex-presidente da Câmara que engendrou o impeachment de Dilma Rousseff, dez anos atrás, Cunha acabou preso por corrupção, lavagem de dinheiro, contas secretas na Suíça e risco à ordem pública. Agora quer se reeleger deputado, garantindo que, sem o show dele, o bolsonarismo não existiria. Uma espécie de marketing do desastre.

Alicerce do grupo de políticos fisiológicos que usam o apelido de "centrão" e movimentam sem transparência ou controle dezenas de bilhões de reais em emendas, o presidente do Senado abraçou Flávio Bolsonaro para impor duas derrotas a Lula em menos de 24 horas: o rechaço à indicação de Jorge Messias ao STF e a derrubada do veto do presidente ao projeto de lei da dosimetria.

Ao favorecer os condenados pelos atos antidemocráticos de 8/1 e dar continuidade ao projeto golpista no país, Alcolumbre fez um acordo com os bolsonaristas para barrar a CPMI do Banco Master, escândalo ao qual ele e muitos deputados e senadores estão ligados. Eduardo Cunha deve ter ficado com inveja.

Na noite anterior à sabatina do advogado-geral da União, Alcolumbre compareceu a um jantar na casa de Alexandre de Moraes. Se Moraes articulou pela rejeição de Messias, como acredita o governo, deu nova prova de que está se lixando para qualquer tipo de código de ética no STF. Além de ter prejudicado a si próprio, pois encabeça a lista de ministros que podem sofrer impeachment.

Quem também não dá a mínima para a ética são os parlamentares —e nem por isso são cobrados. A PF investiga a entrada no Brasil de cinco bagagens trazidas em um voo em que estavam o presidente da Câmara, Hugo Motta, o senador Ciro Nogueira e mais dois deputados. Os volumes não passaram pelo raio-x. O jatinho, que retornava da ilha de São Martinho, pertence a um empresário do ramo de apostas online.

Os tigrinhos precisam explicar o que foram fazer no paraíso fiscal do Caribe.

 

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