Folha de S. Paulo
Alcolumbre faz acordo com extrema direita
para barrar CPI do Master e beneficiar golpistas
Motta viaja a paraíso fiscal em jatinho das
bets e na volta bagagem não passa no raio-X
As últimas jogadas de Davi
Alcolumbre sugerem que, em matéria de traição e velhacaria, ele
está disposto a superar Eduardo Cunha.
Ex-presidente da Câmara que engendrou o impeachment de Dilma Rousseff, dez anos atrás, Cunha acabou preso por corrupção, lavagem de dinheiro, contas secretas na Suíça e risco à ordem pública. Agora quer se reeleger deputado, garantindo que, sem o show dele, o bolsonarismo não existiria. Uma espécie de marketing do desastre.
Alicerce do grupo de políticos fisiológicos
que usam o apelido de "centrão" e movimentam sem transparência ou
controle dezenas de bilhões de reais em emendas, o presidente do Senado abraçou
Flávio Bolsonaro para impor duas derrotas a Lula em menos de 24 horas: o
rechaço à indicação de Jorge Messias ao STF e a
derrubada do veto do presidente ao projeto de lei da dosimetria.
Ao favorecer os condenados pelos atos
antidemocráticos de 8/1 e dar continuidade ao projeto golpista no país,
Alcolumbre fez um acordo com os bolsonaristas para barrar a CPMI do Banco Master,
escândalo ao qual ele e muitos deputados e senadores estão ligados. Eduardo
Cunha deve ter ficado com inveja.
Na noite anterior à sabatina do
advogado-geral da União, Alcolumbre compareceu a um jantar na casa de Alexandre
de Moraes. Se Moraes articulou pela rejeição de Messias, como acredita o
governo, deu nova prova de que está se lixando para qualquer tipo de código de
ética no STF. Além de ter prejudicado a si próprio, pois encabeça a lista de
ministros que podem sofrer impeachment.
Quem também não dá a mínima para a ética são
os parlamentares —e nem por isso são cobrados. A PF investiga a entrada no
Brasil de cinco bagagens trazidas em um voo em que estavam o presidente da
Câmara, Hugo Motta,
o senador Ciro Nogueira e mais dois deputados. Os volumes não passaram
pelo raio-x. O jatinho, que retornava da ilha de São Martinho,
pertence a um empresário do ramo de apostas online.
Os tigrinhos precisam explicar o que foram
fazer no paraíso fiscal do Caribe.
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