sábado, 23 de maio de 2026

Corrupção de volta à ribalta, por Marcus Pestana

Volta e meia, no Brasil, a corrupção reaparece em cena como tema prioritário. Bastaram vir à tona os escândalos do INSS e do Banco Master, para o assunto saltar de 4º. lugar na lista de maior preocupação dos brasileiros, atrás de violência, problemas sociais e economia, em maio de 2025, nos números da Genial/Quaest, com 13%, para o segundo lugar, atrás apenas da violência, agora em maio de 2026, com 18%.

Essa montanha russa na percepção da opinião pública não é recente. A preocupação com a corrupção sobe a cada grande escândalo e arrefece no ciclo posterior de acomodação institucional. No Brasil pós-redemocratização assistimos ao escândalo de Collor, dos Anões do Orçamento, o Mensalão, a Lava Jato e agora os casos do INSS e do Master. As relações incestuosas entre público e privado sempre têm seus ícones empresariais: PC Farias, Marcos Valério, Marcelo Odebrecht, o Careca do INSS, Daniel Vorcaro. No meio, encontram-se lideranças políticas e governamentais. Do outro lado, surgem seus algozes: Ibsen Pinheiro, Roberto Magalhães, Joaquim Barbosa, Sérgio Moro, André Mendonça. Os personagens mudam,  mas o enredo permanece. A cada novo escândalo cresce a sensação de impotência, impunidade e a convicção de que os avanços institucionais não foram suficientes e que a corrupção é uma doença endêmica e inevitável.

Como vacina ao complexo de vira-lata temos a própria História. A corrupção acompanha o ser humano desde a Antiguidade. Afinal, o filósofo grego, Diógenes, não caminhava nas ruas de Atenas, com sua lanterna acesa em pleno dia, em busca de um homem honesto? Aristóteles e Platão trataram do assunto em suas obras. Aristófanes, em sua peça “Os cavaleiros” produz a fala de um governante: “E eu a roubar, mas para o bem da cidade”. Todo corrupto tem sempre um fundamento nobre para justificar seu comportamento ilícito e imoral. Eurípedes, em Medéia, reverbera o provérbio grego “os presentes até os deuses convencem”.

Na Roma Antiga, a corrupção era componente sistêmico da vida social e política. A primeira legislação romana anticorrupção data de 149 anos antes de Cristo. Fraudes fiscais, subornos, abusos de poder, manipulação judicial, estavam ali presentes. O provérbio latino assegurava: “Em Roma, tudo se compra”.

A Bíblia trata a corrupção como um dos motores da degradação humana, intimamente ligada à morte espiritual. “Não aceitarás suborno, porque o suborno cega os que têm vista e perverte a palavra dos justos” (Êxodo, 23:8). “A corrupção moral de uma nação faz cair seu governo, mas o líder sábio e prudente traz estabilidade” (Provérbios, 28:2).

Onde há balcão público que licencia, elabora normas e leis, fiscaliza, multa, penaliza, regula, contrata, compra, paga, aloca recursos, concede benefícios e empréstimos, há potencialmente a possibilidade de corrupção. Para a democracia é fatal os cidadãos acharem que todos são iguais e que o poder é sempre corrupto. O caso Master engolfou segmentos significativos da República. Precisamos endurecer a legislação, fortalecer as instituições, aprofundar a transparência, adensar controles. Mas, acima de tudo, promover uma revolução cultural e comportamental anticorrupção, seguindo a máxima de Ulysses Guimarães, na promulgação da Constituição de 1988: “Não roubar, não deixar roubar, pôr na cadeia quem roube, eis o primeiro mandamento da moral pública”.

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