Folha de S. Paulo
Desafio do senador é sobreviver até a
convenção do PL sem tornar sua candidatura radioativa
Família Bolsonaro pode ter caído na própria
arapuca ao obrigar Tarcísio a deixar passar o cavalo selado
A trombada foi feia, obrigou Flávio
Bolsonaro (PL) a sair da inércia,
levou o PT a acionar a artilharia antes do previsto, escancarou as divergências
na direita e pode mudar o rumo da
corrida eleitoral.
Em qual direção, ainda não sabemos. Depende
do quão perigosas se mostrem as ligações do senador com o esquema de Daniel
Vorcaro.
Decerto, temos apenas a comprovação de que sabem muito bem do que vêm falando olheiros qualificados do humor do eleitorado como Felipe Nunes (Quaest), Renato Meireles (Locomotiva), Antônio Lavareda (Ipespe) Murilo Hidalgo (Paraná) e Maurício Moura (Ideia).
Todos eles têm alertado para a instabilidade
do quadro. Aconselham a não dar como certa a consolidação da disputa e muito
menos a vitória de um dos lados prévia e emocionalmente comprometidos com as
torcidas lulista e bolsonarista. Apontam que a eleição ainda não chegou ao
cotidiano da maioria do eleitorado e que não se deve desconsiderar a existência
de largo contingente de independentes.
No campo dos especialistas em pesquisas, não
há divergência quanto ao presidente Luiz Inácio da Silva (PT), ou eventual
substituto, ter lugar no segundo turno. Isso não desobriga o governo de se
atentar ao fato de que nanicos no primeiro aparecem nos levantamentos como
ameaça concreta a Lula, mas dá algum conforto.
O desacerto agora senta praça na antessala da
direita. O desafio de Flávio Bolsonaro já não é se mostrar moderado nem escolher
a companhia ideal para vice na chapa. A tarefa é sobreviver até a convenção do
PL sem se tornar um personagem radioativo a ponto de ter a candidatura rifada.
Antes terá de se livrar da pecha de mentiroso
e emprestar coerência à figura cuja retidão não vê mal em se valer de uma rede
financeira fraudulenta para patrocinar peça de propaganda com intuito de usar o
pai preso como cabo eleitoral.
Caso não consiga, a família Bolsonaro terá
caído na arapuca que armou para si ao obrigar Tarcísio de
Freitas (Republicanos) a deixar passar o cavalo selado.

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