O Estado de S. Paulo
Flávio Bolsonaro foi articulador e grande beneficiário das duas derrotas do presidente Lula
Os efeitos concretos da derrubada do veto do
presidente Lula ao PL da dosimetria, como a liberdade dos vândalos de 8/1,
ainda vão demorar um bocado, mas o resultado imediato é cristalino: o Congresso
entrou na guerra eleitoral a favor do senador Flávio Bolsonaro, contra o
presidente Lula. Leia-se: o Centrão, com uma exceção ou outra, já tem
candidato.
Enquanto Lula enfrentava uma tempestade de problemas internos e os respingos da guerra do Irã, o rival se consolidava. Flávio viajou, articulou as derrotas de Lula, montou palanques estaduais e avançou nas pesquisas, driblando as encrencas entre familiares e aliados sem estardalhaço.
Os maiores problemas do filho 01 de Bolsonaro
começarão junto com a campanha de fato, quando os podres do candidato, e não só
do pai dele, vão borbulhar nos debates, sabatinas e programas de TV:
rachadinhas, loja de chocolate, a casa de R$ 6 milhões e a ojeriza à democracia
e o trabalho contra o Brasil da família.
Com Lula enfrentando um obstáculo atrás do outro e Flávio metido nos bastidores, as atenções voltaram-se para os alternativos Ronaldo Caiado, do PSD, e Romeu Zema, do Novo.
Porém, as duas votações históricas da semana, derrubando Jorge Messias para o STF e os vetos ao PL da dosimetria, põem Flávio na linha de frente e empurram os dois de volta ao segundo pelotão.
Para a sorte de ambos, muita água, ou muita
batalha, ainda vai rolar. Quem pensa que o ex-presidente Jair Bolsonaro vai
sair do hospital, se recuperar da nova cirurgia e se livrar da prisão e da
tornozeleira, da noite para o dia, está redondamente enganado.
A mudança na dosimetria (ou seja, no cálculo
de penas para crimes contra o estado democrático de direito), que o Congresso
aprovou, Lula vetou e o Congresso reativou, terá novos capítulos.
O condenado pela tentativa de golpe entra no
STF, o relator (ora, ora, Alexandre de Moraes…) envia para a primeira turma e
vai por aí afora.
Cá pra nós, o STF tem uma boa dose de culpa
nesse rolo todo. Tascar 14 anos de prisão para a boboca que lambuzou de batom a
estátua da Justiça? É errado, merecia pena, mas o exagero só deu argumento para
os golpistas e também para os não golpistas que querem, pura e simplesmente,
Justiça.
Lula poderia não ter nada a ver com isso, mas capitaneou a reação dos três Poderes e da Federação contra o antipatriótico 8/1 e se vinculou politicamente a Alexandre de Moraes. Em qualquer reviravolta, os raios e trovoadas caem na cabeça dele, como agora.

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