Valor Econômico
Não é mais certo que em um segundo turno o
senador do PL agregue todos os votos do antipetismo
A pesquisa AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, a primeira a medir o impacto do caso “Dark Horse” na campanha presidencial, mostrou que há um, talvez dois, candidatos a azarões na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na esteira da queda de 5,3 pontos percentuais de intenção de voto de Flávio Bolsonaro (PL), que caiu de 39,7% para 34,3%, cresceram Renan Santos (Missão), de 5,3% para 6,9%; e Romeu Zema (Novo) de 3,1% para 5,2%.
A pesquisa deste instituto é feita por meio
de coleta de respostas a questionários digitais, estratificados posteriormente
com critérios estatísticos. O Atlas tem um histórico bom de “acerto” do
resultado eleitoral em suas pesquisas, mas perde precisão nos levantamentos
feitos a uma distância grande do pleito, como é o caso agora, por não captar os
eleitores indecisos ou pouco engajados no processo eleitoral. A menos de cinco
meses do pleito, somente 1,9% dos eleitores aparecem sem decisão de voto neste
levantamento. Neste sentido, há um viés favorável à oposição, de modo geral, e
a candidatos outsiders, em particular.
Mas o que chama a
atenção no levantamento é a consistência lógica dos resultados diante dos fatos
dos últimos dias. O resultado da pesquisa faz sentido. Flávio há seis dias
não faz outra coisa além de se explicar ao eleitorado pelo áudio vazado pelo
site Intercept Brasil, que mostra o senador pedindo dinheiro ao
ex-banqueiro Daniel
Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse” (“azarão”,
em inglês), uma hagiografia do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O áudio
colocou o bolsonarismo no centro do mais rumoroso escândalo de corrupção no
Brasil desde o caso Joesley Batista em 2017.
O senador já tinha rejeição alta antes do
áudio, tão alta quanto a de Lula, e o caso “Dark Horse” faz o eleitorado
antipetista examinar alternativas. Romeu Zema criou uma base de militância
digital relevante depois de antagonizar o Supremo Tribunal Federal (STF). De
acordo com a plataforma de dados políticos Solon, ganhou 913 mil seguidores nas
redes sociais apenas na primeira quinzena de maio. Renan Santos, fundador do
MBL, pontifica desde o início do ano em redes sociais com um discurso
extremista de direita, de ataques a toda classe política. Perto dele, Flávio é
o retrato da moderação pró-establishment.
A lenta recuperação de Lula nas pesquisas (de
45% em fevereiro para 45,9% em março; 46,6% em abril e 47% agora) também não
surpreende. O governo martela comerciais sobre suas iniciativas na televisão
aberta. A cada 15 minutos os telespectadores são apresentados a programas de
óbvio impacto eleitoral. Todos os governantes tendem a melhorar a sua aprovação
em ano de eleição e com Lula não tem sido diferente. A alta rejeição a Lula,
impede, contudo, a concretização de um cenário de vitória no primeiro turno.
Entre dezembro —mês de seu lançamento — e maio, Flávio Bolsonaro consolidou a transferência de votos dentro do bolsonarismo e agregou o eleitorado antipetista não alinhado ao pai, se tornando o favorito para ganhar as eleições presidenciais. Ainda que jamais tenha ultrapassado a intenção de voto de Lula no primeiro turno, no segundo turno se tornava o repositório natural de todos os demais candidatos. O aumento de sua rejeição de 50% para 52%, efeito direto do caso “Dark Horse”, quebra esse favoritismo. Não é mais certo que em um segundo turno o senador do PL agregue todos os votos do antipetismo.

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