quinta-feira, 7 de maio de 2026

Rejeição a Messias agrava crise no STF, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Mendonça e Lula amargam derrota, enquanto Moraes e Alcolumbre dão abraço da vitória

A rejeição do Senado ao nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal colocou no mesmo balaio de derrotados o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro André Mendonça. No time dos vencedores, se abraçam o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o ministro Alexandre de Moraes.

A aparente discrepância dos aliados se explica nas alianças políticas – que, no Brasil, não se limitam a governo e Congresso, mas inclui STF. Entre vencedores e derrotados, cada um defendeu os próprios interesses.

Depois de emplacar Flávio Dino e Cristiano Zanin no STF, Lula queria dar a próxima cadeira na Corte a outro aliado. Viu que não será possível e, para não perder a vaga, vai precisar se aproximar de Alcolumbre.

Mendonça está em ascensão no STF. Abocanhou a relatoria das fraudes no INSS e do escândalo do Master. Tem poderes, portanto, para incomodar muitos segmentos da política.

Até agora, contrariou Alcolumbre em duas situações. Primeiro, mandou o presidente do Senado transferir à CPI do INSS as quebras de sigilo de Daniel Vorcaro. Depois, ordenou que ele prorrogasse a CPI.

Alcolumbre já não simpatizava com Mendonça. Tanto que deixou a indicação dele para o Supremo na chuva por meses antes de marcar a sabatina, em 2021. Fez o mesmo com Messias – que, por sua vez, contava com apoio de Mendonça.

Ainda que comande inquéritos-bomba, Mendonça não tem aliados suficientes no tribunal. A decisão dele sobre a prorrogação da CPI foi derrubada por oito votos a dois no plenário. Contar com o voto de Messias em outros julgamentos, portanto, seria um ótimo negócio.

O pragmatismo de Mendonça falou mais alto que a ideologia política. Indicado por Jair Bolsonaro, não pensou duas vezes em fazer campanha para um aliado de Lula. Como Alcolumbre não estima nenhum dos dois, Mendonça atrapalhou mais do que ajudou o candidato.

Moraes já era próximo de Alcolumbre e, agora, precisa do apoio dele. O ministro saiu chamuscado das apurações sobre o Master e corre risco de ser alvo de processo de impeachment em 2027. Acenar ao Centrão e à direita é uma boa ideia. Alcolumbre preferia ver o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) no Supremo. Moraes concordou.

Moraes e Mendonça são de alas opostas no tribunal. Se o candidato de Lula fosse aprovado no Senado, provavelmente entraria no time de Mendonça. Logo, fez sentido para Moraes trabalhar contra a indicação.

Por falar em pragmatismo, o gesto de Moraes o afasta de Lula, de quem era um interlocutor frequente. O ministro achou mais vantajoso pular no barco de Alcolumbre. Afinal, para ele, está em jogo a própria cadeira.

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