terça-feira, 5 de maio de 2026

Uma cantora comunista, por Irlam Rocha Lima

Correio Braziliense

Entre as estrelas da era do ouro do rádio, estava Nora Ney, dona de bela voz chamava a atenção, também, por ser filiada ao Partido Comunista Brasileiro

 A era de ouro do rádio tinha como estrelas, no set feminino, Emilinha Borba, Marlene, Dalva de Oliveira, Dircinha Batista, Linda Batista, Ademilde Fonseca, Carmélia Alves e Ângela Maria, a queridinha de Getúlio Vargas, que a chamava de Sapoti, por seu tipo mignon e sua morenice. Cada uma tinha sua característica e seu estilo. 

Entre elas, havia uma outra, Nora Ney, dona de bela voz, intérprete de canções românticas, mas que chamava a atenção, também, por ser filiada ao Partido Comunista  Brasileiro (PCB) —  assim como seu marido, o cantor Jorge Goulart. 

Engajados, ambos eram ativistas do antigo Partidão. Numa espécie de autoexílio, após o golpe militar, partiram para China e União Soviética, onde fizeram uma turnê, com a realização de vários shows por cidades daqueles países.

Na semana passada, foi lançado pela editora Garota FM o livro Nora Ney, uma voz poética e política, 100 anos, que vem a ser um dossiê sobre o legado da artista.  Em 223 páginas, os nove autores dos textos, ilustrados por fotos e material jornalístico, inclusive capas de revistas especializadas da época, revisitam a trajetória de Iracema de Souza Ferreira, nome que a artista recebeu na pia batismal. 

O sumário traz os títulos, com os respectivos autores, precedido pela apresentação feita em quatro partes: Eu sou Nora Ney e canto (Yuri Behr), Quando a noite me entende (Daniel Saraiva), Chove lá fora (Márcia Carvalho) e O povo canta (André Domingues dos Santos).

Todas têm subtítulos, citados a seguir. Da permanência do samba canção na primeira fase da Bossa Nova: de cigarro em cigarro (Yuri Behr); A breve e inusitada viagem da cantora de samba — canção ao mundo do rock' and roll (Chris Fuscaldo); A voz da dor: Personalidade e persona vocal (Rita Gottardi); Não há mais segredo — Nora Ney na imprensa (Daniel Saraiva); Para a mulher — Feminismo quebra de padrões (Kamille Viola); O povo canta: cartografia estética e política do canto de Nora Ney (André Domingues dos Santos).

Editora criada em 2018,  a Garota FM Books tem lançado livros  voltados  para o mercado da música, entre os quais 1985: O ano que repaginou a música brasileira; De tudo se faz canção — 50 anos do Clube da Esquina; Ney Matogrosso — O bicho do matoA todo vapor — O tropicalismo segundo Gal CostaRita Lee mora ao lado — Biografia alucinada da rainha do rockIt's long way: O exílio de Caetano VelosoRenato Manfredini — A revolução do líder legionário; e Mela Cueca — As canções de amor que o mundo esqueceu.

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