Folha de S. Paulo
Gênese do atual ataque dos EUA ao Brasil está
bem descrita na carta que Trump enviou ao presidente Lula
Republicano dissolveu as fronteiras entre
política e economia na relação do Brasil com os EUA; não será Flávio que
conseguirá redesenhá-las
O senador Flávio
Bolsonaro tenta se dissociar da proposta de um novo tarifaço
dos Estados
Unidos, mas o movimento eleitoral do pré-candidato à Presidência
carece de verdade histórica.
A gênese do
ataque dos Estados Unidos à economia brasileira está bem
descrita na carta que Donald Trump enviou
ao presidente Lula em julho do ano passado, para anunciar uma sobretaxa de 50%.
Dizia o texto, logo no 1º parágrafo: "Conheci e tratei com o ex-presidente Jair Bolsonaro, e o respeitava muito, assim como a maioria dos outros líderes de países. A maneira como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma desgraça internacional. Este julgamento [no STF] não deveria estar acontecendo. É uma caça às bruxas que deve terminar IMEDIATAMENTE!"
A determinação para que o USTR abrisse
uma investigação contra o Brasil está naquela mesma carta, que
continha argumentos políticos e econômicos para justificar o tarifaço.
Disse Trump: "Devido aos contínuos
ataques do Brasil às atividades de comércio digital de empresas americanas, bem
como a outras práticas comerciais desleais, estou instruindo o Representante de
Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a iniciar imediatamente uma
investigação nos termos da
Seção 301".
Um ano depois, o resultado foi um relatório
do USTR propondo uma nova
sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. Talvez mais danoso para
as ambições políticas de Flávio, as conclusões das investigações estão
recheadas de acusações contra o Pix, uma
espécie de unanimidade nacional.
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Flávio pode até dizer agora que pediu
expressamente a Trump e a Marco Rubio para não sobretaxar empresas brasileiras,
mas vai ser difícil esconder que a apuração da Seção 301 foi desencadeada na
esteira da campanha de bolsonaristas contra o governo Lula e o Judiciário para suspender
a ação judicial que corria contra Jair Bolsonaro.
A carta de Trump dissolveu as fronteiras
entre política e economia na relação dos EUA com o Brasil. Não será Flávio que
conseguirá redesenhá-las.

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