sábado, 13 de junho de 2026

Com censura a pesquisas, filho 01 mistura autoritarismo e burrice, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Flávio Bolsonaro cai nas pesquisas porque não consegue explicar dinheiro de Vorcaro

Presidente do TSE, Nunes Marques prometeu neutralidade, mas agiu de modo intervencionista

Foi mais um tiro no pé de quem vive fazendo gesto de arminha, levantando o polegar e estendendo o indicador para simular o cano e o gatilho de uma arma.

Se houvesse menos autoritarismo, vida inteligente ou mesmo harmonia (os dois principais articuladores, Valdemar Costa Neto e Rogério Marinho, não se bicam) na campanha presidencial do filho 01, o PL pensaria duas vezes antes de pedir ao Tribunal Superior Eleitoral a suspensão da pesquisa Atlas/Bloomberg que mostrava queda de seis pontos nas intenções de voto do senador.

Um tiro no pé disparado por quem se diz defensor da liberdade de opinião —desde que seja a seu favor. Ao investir contra um levantamento divulgado em 19 de maio que mediu o impacto negativo das mensagens íntimas trocadas com Daniel Vorcaro, Flávio contribuiu para que o problema não saísse da pauta. Com o tempo, a crise se cristalizou, como atestam os institutos de pesquisa (ainda) não censurados. A Quaest mostra que Lula abriu 13 pontos entre os chamados independentes. No primeiro turno, está 39% a 29%.

Seis em cada dez brasileiros condenam o pedido de dinheiro ao picareta das surubas.

Ao propor a censura, Flávio agiu como o pai agiria (ou foi instruído pelo pai de dentro da cadeia). Sob Bolsonaro, em outubro de 2022, o deputado Ricardo Barros, então líder do governo na Câmara, apresentou um PL de fazer inveja aos ditadores da Coreia do Norte e do Afeganistão, criminalizando pesquisas e estipulando pena de prisão para donos de institutos. Na época, Jair aparecia atrás de Lula nas sondagens e fazia de tudo para desacreditar o processo eleitoral.

Se Flávio Bolsonaro quiser evitar o colapso da candidatura, só há uma saída: explicar o destino do dinheiro sujo do esquema Master supostamente repassado ao filme. Só que ele não consegue.

Em tempo: para quem assumiu a presidência do TSE prometendo neutralidade, o ministro Kassio Nunes Marques, ao suspender a pesquisa Atlas, começou mal. Sua decisão intervencionista vai acabar, como de praxe no país, no STF.

 

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