O Estado de S. Paulo
Michelle só quer mais protagonismo ou quer a vaga de Flávio na chapa?
Bolsonaristas e petistas se unem numa
pergunta que não quer calar: Michelle Bolsonaro está se insinuando na disputa
presidencial, depois de avaliar o tamanho do estrago na campanha do enteado
Flávio, tanto pelo Dark Horse quanto pelas novas ameaças de Trump? Ou seu vídeo
contra Flávio foi só um “mimimi”, como diria o marido?
O governo comemora a guerra interna, mas os dois lados querem saber de que lado Jair Bolsonaro está, se apoiou ou liberou o ataque de Michelle na internet e, afinal, quão grave está, neste momento, a velha crise familiar, política e eleitoral.
Goste-se ou não de Michelle, ela conquistou
um papel relevante na direita e o que disse combina com a história e as
posições do ex-presidente e seus filhos em questões de gênero.
Disse que foi “apunhalada”, “maltratada”,
“humilhada” e “desrespeitada” por Flávio e que seus irmãos “vieram juntos, de
forma coordenada, com textos bem parecidos”. E mais: que “eles” a tratam como
“uma idiota”, “que não entende nada de política”. (Como toda mulher?)
Em 2022, Lula teve 54% e Bolsonaro, 46%,
entre as mulheres, que são em torno de 53% do eleitorado. Como Lula venceu com
50,9% dos votos válidos, não é preciso ser um gênio para reconhecer que o voto
feminino fez diferença. E Michelle é ativa presidente do PL Mulher.
Além disso, ela tem influência junto aos
evangélicos. O TSE não detalha votos por religião, mas, segundo os institutos,
com base em cruzamentos entre resultados e pesquisas de boca de urna, Bolsonaro
chegou a 2/3 entre eles em 2022. Se dependesse deles, teria sido reeleito.
Flávio corre o risco de, sem Michelle, não só
espantar novos votos femininos como, ainda, perder votos evangélicos. Logo, ele
precisa mais dela do que ela dele e deveria refletir melhor antes de cutucar a
onça com a vara curta.
Cobrado por aliados, no meio de Brasil x
Escócia, Flávio tentou se desculpar, mas foi de mau jeito, ele já foi pego na
mentira ao dizer que não tinha nada a ver com Vorcaro e, por fim, acusações de
Michelle contra ele e seus irmãos fazem sentido.
A mulher de Eduardo Bolsonaro, Heloísa,
psicóloga, já disse que “não há mulher insubmissa e livre” e defendeu “homem
masculino, com testosterona”. Faltou acrescentar: “e armado...” Ao justificar
para a polícia que, apesar de preso, mantinha uma pistola, seu sogro Jair
saiu-se com essa: “Tinha três mulheres em casa e não podia ficar desarmado”.???
A família admite o protagonismo de Michelle?
Ela tem biografia e consistência para disputar a Presidência? Cada um responda
como quiser, mas o que interessa é: quem Bolsonaro considera melhor candidato e
quem Lula teme mais como adversário?

Boas questões.
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