A ideia era reunir uma poupança financeira a partir de contribuições de patrões, trabalhadores e do governo, para socorrer as pessoas impossibilitadas, temporária ou definitivamente, de ganhar a vida com seu trabalho, graças a um agravo de saúde, acidente de trabalho, invalidez, envelhecimento, desemprego. No Brasil, a Lei Eloy Chaves data de 1923. Foi a base inicial de nosso sistema previdenciário, permitindo a organização de diversas Caixas de Aposentadorias e Pensões de ferroviários, bancários, entre outros.
Hoje o tema é central e prioritário,
em todo o mundo, em função das mudanças demográficas. As taxas de natalidade e
fecundidade são cada vez menores. Cada vez menos gente contribuindo para
financiar o sistema. Por outro lado, felizmente, graças aos avanços da medicina
e a nos padrões de vida, estamos vivendo muito mais. Mais gente, por mais
tempo, usufruindo do sistema e consumindo seus recursos. Antes, o problema da
sustentabilidade do sistema não era grave. A expectativa de vida do brasileiro,
em 1940, era de 45 anos. Oitenta anos depois, temos um horizonte médio de vida
de 77 anos. A conta fica cada vez mais difícil de ser fechada, exigindo regras
boas, justas e sustentáveis. E boa gestão. Nossa Constituição prevê três
modelos: o RGPS para os trabalhadores regidos pela CLT, o regime próprio dos
servidores e o sistema complementar.
Digo isto tudo provocado
pela triste notícia de que 18 fundos de pensão estaduais e municipais
investiram os escassos e preciosos recursos de aposentados e pensionistas em
letras financeiras e fundos do Banco Master. Esses recursos provavelmente não
serão recuperados. O fundo dos servidores do RJ alocou mais de 3 bilhões de
reais, o do Amapá, 400 milhões.
Fui um dos membros mais ativos da CPI dos Fundos de Pensão
(2015/2016). Em sequência, fui relator de um PL mudando radicalmente as regras
de governança dos fundos, cuja votação foi abortada pela crise política
instalada em 2017. O desalento que me invade é a sensação do eterno retorno, do
contínuo enxugar gelo e da frustação dos avanços institucionais necessários no
Brasil.
Naquela época dois casos
foram emblemáticos: a perda de mais de 3 bilhões de reais (valores da época) da
PETRUS (petroleiros) e da FUNCEF (economiários) na aventura da SETE BRASIL, que
iria produzir plataformas para o pré-sal e se transformou numa mina de
corrupção, confessada, em inquirição que fiz, pelo seu diretor Pedro Barusco. O
segundo caso, foi a inacreditável compra pelo Banco BNY Mellon, em sistema de
corrente de corrupção, de títulos argentinos e venezuelanos, com o dinheiro da
POSTALIS (funcionários dos Correios). O drama se repete, mais de uma década
depois, com o MASTER.
A gestão dos fundos de
capitalização deve mirar o longuíssimo prazo; perseguir remuneração adequada,
mas não aventureira; primar pela transparência, ética e boa governança; ter
perfil de investidor razoavelmente conservador e seguro; ser blindada contra
influências externas e estranhas aos interesses dos associados e patrocinadores
do fundo.

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