Folha de S. Paulo
Com a adesão ao Propag, estado afasta o risco
de um colapso fiscal
Redução da parcela mensal da dívida vai de R$
436 milhões para R$ 119 milhões
Com a adesão ao Propag, o Rio de Janeiro afasta o risco de um colapso fiscal. A redução no valor da prestação da dívida com a União é um presente para o estado que nos últimos anos gastou sem limite. O pacto com o governo Lula determina a queda imediata da parcela mensal de R$ 436 milhões para R$ 119 milhões. A ver se o futuro governador —o favorito nas pesquisas é Eduardo Paes— conseguirá reduzir as despesas. E não se endividar, à espera de novo alívio.
Na gestão Cláudio
Castro, 80% dos contratos não passaram por licitação. Não foram
exigidos nem fios de bigode. Uma lavanderia focada em limpeza hospitalar e
registrada no nome da tia de 75 anos do deputado federal Altineu Côrtes
multiplicou por oito seu faturamento. Em seis anos, a empresa, que fica em São
Gonçalo, acertou compromissos de R$ 78,8 milhões com o governo.
Presidente do PL no Rio e
articulador da campanha de Douglas Ruas ao
Palácio Guanabara, Altineu é ligado a uma pedreira que forneceu material para a
pavimentação de ruas pela Secretaria das Cidades, então comandada por Ruas. As
obras beneficiaram São Gonçalo, segunda cidade mais populosa do estado e reduto
eleitoral da dupla Altineu e Ruas.
As suspeitas de favorecimento mais que
justificam o plano de metas para diminuir o déficit (R$ 18,9 bilhões) elaborado
pelo governador em exercício, Ricardo Couto, que decretou um pente-fino em
todas as secretarias, com ênfase nos contratos sem licitação. Estão em análise
quase 7.000 contratos, que somam R$ 81 bilhões. Couto pretende recuperar o
dinheiro (R$ 3,7 bilhões) do Rioprevidência que Castro, um dos
"amigos" de Daniel
Vorcaro, investiu no Master.
O desembargador assinou mais de 3.000
exonerações de servidores comissionados. O inchaço de servidores, no entanto,
não é exclusividade do Executivo estadual.
No Tribunal de Justiça, do qual Couto é
presidente licenciado, a quantidade de funcionários nomeados sem concurso
triplicou em cinco anos. Também houve uma explosão de gastos com diárias para
viagens de magistrados.
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