domingo, 14 de junho de 2026

Lula festeja queda no desmatamento, e Flávio Bolsonaro promete afrouxar leis ambientais, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Em campanha, candidatos ao Planalto expõem visões opostas sobre a Amazônia

A Amazônia entrou na pauta da corrida presidencial. Na quinta-feira, Lula e Flávio Bolsonaro expuseram suas ideias sobre a região. Vale a pena conferir o que disseram.

Em Brasília, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais anunciou uma nova queda no desmatamento. A devastação recuou ao menor patamar em uma década. No último ano, a redução foi de 37,5%.

Lula festejou os números e defendeu a preservação da floresta. “Enquanto o desmatamento pode enriquecer uma ou duas pessoas, não desmatar ajuda o Brasil, a Amazônia e o mundo”, discursou.

O presidente aproveitou para fazer um alerta aos desmatadores: “Não faça coisa errada, que vai ser punido, porque nós queremos que a nossa floresta seja preservada para o bem da Humanidade”.

O filho de Jair Bolsonaro expôs outra visão em comícios no Pará. Em Belém, prometeu afrouxar as leis ambientais em favor do agronegócio e da mineração. “Vamos mudar a legislação para acelerar, tirar essa riqueza que está embaixo da terra e distribuir para vocês”, disse.

Em Altamira, o senador exaltou os migrantes que chegaram à floresta na década de 1970, incentivados pela propaganda da ditadura e pela obra da Transamazônica: “São vocês que garantem que a Amazônia é nossa”.

Lula aposta na imagem de defensor do meio ambiente. Neste terceiro mandato, devolveu o ministério a Marina Silva e estimulou operações contra o garimpo e a grilagem de terras.

O petista irritou ambientalistas ao pressionar o Ibama a liberar a prospecção de petróleo na Margem Equatorial. Apesar da contradição, o saldo do governo é favorável ao verde. Ao frear a destruição da Amazônia, o país recuperou prestígio internacional e sediou pela primeira vez a cúpula do clima das Nações Unidas.

Na visita à cidade da COP30, Flávio tratou a legislação ambiental como entrave ao progresso. Dirigindo-se a ruralistas de verde e amarelo, ele prometeu “tirar o Estado do cangote de vocês”. Só faltou atacar a demarcação de terras indígenas, interrompida no governo do pai.

O senador também informou pelo que não disse. Nos dois discursos de quinta, ele evitou mencionar palavras como clima, aquecimento e poluição.

O avanço da direita na Amazônia mostra que o discurso antiambiental dá voto. Flávio sabe disso e tem a quem puxar. No oitavo mês no Planalto, Jair deixou claro que não se preocupava em ser visto como aliado dos desmatadores. “Eu sou o Capitão Motosserra”, proclamou.

Flávio e Fernando

Na visita ao Pará, Flávio Bolsonaro vestiu uma camiseta azul com a inscrição “A Amazônia é nossa”. Dois dias antes, na Bahia, desfilou com a mensagem “Lula taxa. A gente planta”.

A marquetagem das estampas não é nova. Foi lançada por Fernando Collor em suas corridas matinais ao redor da Casa da Dinda.

Alguns slogans da época: “O tempo é o senhor da razão”. “Fé roxa no Brasil”. “Não fale em crise. Trabalhe”. “Deixe meu ozônio livre”.

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