O Estado de S. Paulo
Trump e Eduardo Bolsonaro ganharam um forte aliado contra Alexandre de Moraes: a Itália
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o ministro
do STF Alexandre de Moraes estão novamente no olho do furacão entre Brasil e
Estados Unidos, nesta semana, justamente quando o presidente Lula tem a
expectativa de um encontro com Donald Trump, à margem do G-7, para discutir a
nova onda de tarifas.
A novidade, desta vez, é que os ataques de Eduardo e de Trump a Moraes ganharam reforço com a decisão da Justiça da Itália de anular a extradição da ex-deputada bolsonarista Carla Zambelli, que tem dupla condenação no Brasil. Os argumentos italianos atingem o ministro do STF em cheio, em meio a várias batalhas.
A Primeira Turma do STF, que condenou Jair
Bolsonaro a 27 anos de prisão, deve julgar a partir de hoje a denúncia da PGR
de que Eduardo, seu filho 03, atuou para Trump aplicar o tarifaço de 2025, a
Lei Magnitsky contra Moraes e a suspensão de vistos a autoridades, como forma
de coagir autoridades brasileiras no julgamento do golpe.
A seu estilo sempre bélico, que irrita o PL,
a família e a campanha do 01, Flávio, à Presidência, Eduardo foi às redes
sociais, de véspera, para pedir a Trump e aos secretários Marco Rubio (Estado)
e Scott Bessent (Tesouro) que retomem as sanções contra Moraes. Confirmando,
portanto, a denúncia da PGR contra ele.
Na outra ponta, a Advocacia-Geral da União
(AGU) tenta, na Justiça dos EUA, atuar no processo movido pelas redes sociais
Rumble e Trump Media contra Moraes, para “defender as instituições do Estado
brasileiro”. As duas empresas, uma delas de Trump, acusam Moraes de “censura”,
ao suspender perfis de brasileiros que moram nos EUA.
De toda forma, o Alexandre de Moraes era um
em 2025, quando foi atingido pela Lei Magnitsky, sob acusação de “politização”
de decisões, prisões e bloqueio de blogs de bolsonaristas. Agora é outro.
Naquele momento, era o líder da defesa da democracia. Hoje, é alvo de
investigações sobre um contrato de R$ 129 milhões do escritório de sua família
com o Banco Master.
Além disso, Trump não está mais sozinho,
depois que a Itália negou a extradição de Zambelli, alegando parcialidade de
Moraes, vítima, investigador, acusador e julgador. Zambelli mereceu as penas
por violar o sistema de internet do CNJ para plantar um documento falso contra
Moraes e por perseguir um cidadão nas ruas de São Paulo, de arma em punho.
Isso, porém, não apaga o fato de tantos juristas terem alertado para a temeridade de Moraes sobrepor papéis e, em algum ponto, os argumentos da Itália podem cruzar com as acusações dos EUA, Trump e Eduardo. Mais uma vez, quem estará na berlinda será o Supremo.

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