Folha de S. Paulo
Digimais maquiava balanços para esconder que
estava quebrado e sumir com dinheiro, diz PF
Estouro da boiada de fintechs facilitou união
de facções, políticos e dinheiro do mais podre
Há podridão extensa na finança —se estende da
bandidagem de rua à da política. Isto é, crimes financeiros, gangues no
controle de instituições financeiras, o crime organizado "comum" se
valendo de instituições de pagamentos, "fintechs", e fundos para
sumir com dinheiro, com apoio de parte da elite política graúda. Nem vamos
lembrar da Americanas e de tantas empresas com balanços "com
problemas".
O Digimais pode ser um Masterzinho, diz a Polícia Federal. Ou mais do que isso. Edir Macedo, dono do banco, não ocupa ou ocupou cargo político, mas lidera corrente do evangelismo político. Ele, seus vassalos ou fiéis poderosos mandam em um partido, o Republicanos. O Congresso está à beira de aprovar mais favores tributários para igrejas.
Daniel
Vorcaro, chefe de gangue que também tinha um banco, alugou ou comprou a
alta ralé da República com o fim de fazer valer seus interesses no Legislativo,
no Judiciário e no Executivo e em instituições de supervisão e fiscalização.
Uma elite política corrompida em tantas
frentes não se ocupa do desastre. O país parece indiferente até para um apodrecimento
catastrófico tal como a infiltração (ou domínio?) das facções no poder estadual
no Rio de Janeiro. Ainda não sabemos das teias completas dos parlamentares que
mandam na distribuição de emendas, vários deles amigos de Vorcaro e de gente
dessa laia.
Ao menos parte do grande crime é acoplada à
economia dita formal, de resto. Se não fosse assim, seria difícil vender terra
grilada e produtos de terra grilada ou desmatada ilegalmente, como boi, soja,
madeira, ouro etc. Parte desses negócios é protegida, financiada ou comandada
por traficantes de drogas e armas.
A
PF diz que o caso do Digimais é similar ao do Master —a ver as provas.
O Master era um tipo de esquema de pirâmide. Tomava emprestado dinheiro que não
tinha como devolver, pois seus ativos (haveres) não rendiam o bastante para
pagar as contas (como CDBs), dificilmente poderiam ser vendidos logo, a bom
preço e baixo custo (como precatórios), quando não eram pura fraude
—inexistiam. O
Digimais também maquiava balanços para não parecer quebrado.
Vorcaro era muito mais do que fraudador de
banco, claro. Tinha gangue de corrupção, de infiltração em sistemas
de informação sigilosa do Estado. Quando sua fraude estava para ser
exposta, tentou repassar o cadáver do Master para o BRB, o banco estatal do
Distrito Federal que colaborou com o crime, e fugir com parte do dinheiro.
Essa e outras fraudes e relações financeiras
criminosas se tornaram possíveis também pela multiplicação de instituições de
pagamento, "fintechs", sem controle, regulação ou fiscalização
suficientes, está evidente agora. Liberou geral. Bandidos de espécie variada
montaram na boiada que estourou. Vide o caso da Reag, maior
gestora de fundos independente, central de fundos usados por crimes, das máfias
de combustíveis a facções criminosas, passando por Vorcaro e seus amigos.
Além disso, o sistema de regulação e supervisão permitiu a existência de fundos secretos e fundos de fundos, sem que se soubesse o que havia dentro e quem era dono de quê, inclusive fundos de bancos. O capital escondido servia ainda mais a crimes variados. Sob Gabriel Galipolo, o BC passou a denunciar essa gente à polícia ou a liquidar instituições. Entretanto, a podridão se espalhou e se entranhou; nos habituamos a viver no lixo.
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Perfeito
ResponderExcluirGostei da referência,o Indiana Jones do evangelismo,rs.
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