Folha de S. Paulo
Ela perdura porque é a segunda melhor forma
de organização social que existe
Perde para império da lei, mas é preferível a
disputas sendo resolvidas pela violência
Por que não conseguimos nos livrar da corrupção? A resposta curta é "porque ela funciona". Para cada esquema que identificamos e desbaratamos, como o caso Master ou o petrolão, é razoável supor que existam vários outros que permanecem abaixo do radar, satisfazendo as necessidades daqueles diretamente envolvidos, isto é, corruptores e corruptos. Já o dano é coletivo e extrapola os rombos bilionários que os economistas se esforçam para calcular. Há prejuízos também para a eficiência econômica, pela via da redução da competição, e para a própria coesão social, já que muitos cidadãos se sentem, com razão, vilipendiados pela roubalheira com participação de agentes públicos.
O mundo, porém, é um lugar mais complicado do
que nossas mentes gostam de imaginar. Por mais que amaldiçoemos a corrupção,
ela ainda é, como gosto de afirmar aqui, a segunda melhor forma de organização
da sociedade que existe. É obviamente inferior a um sistema no qual tudo
funcione direitinho, segundo regras impessoais previamente estabelecidas, mas é
superior a um regime no qual empreendimentos e a prestação de serviços
possam ser bloqueados apenas pelo capricho de autoridades ou,
ainda pior, um no qual as "concorrências" e outras disputas se
resolvam à bala.
Passar do estágio da corrupção generalizada,
que é a marca dos países subdesenvolvidos, para um em que ela seja residual é
um processo gradual e que exige a punição a casos identificados, a fim de que
os efeitos dissuasórios da aplicação da lei possam se multiplicar. Isso vai
acontecer agora?
Reservo-me o direito ao ceticismo. O caso Master é
ecumênico. Atinge direita, esquerda e até instituições de controle como o
próprio STF. Nenhum dos atores principais tem, portanto, interesse em
investigar o escândalo muito a fundo. E isso, obviamente, favorece um acordão,
pelo qual as punições ficariam limitadas a alguns bodes expiatórios.
Não frequento bets,
mas existem duas apostas em que é difícil perder dinheiro: guerra
no Oriente Médio e pizza no Brasil.
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Falou!
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