sexta-feira, 19 de junho de 2026

Suja até a medula, extrema direita se anima outra vez com corrupções da esquerda, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Caso de Jaques Wagner não se compara ao de Ciro Nogueira, mas é um desastre

Quem sobra para criticar Estado tomado por corruptos, facções e orcrims empresariais?

As corrupções da política ainda vão ser tema relevante da campanha para presidente? A imundície está tão espalhada que dificilmente haverá flagrante grandioso o suficiente para tirar o país da resignação com a sujeira.

Não se trata de dizer que todo mundo é corrupto ou que todas as turmas políticas contem com corruptos de igual grandeza. Mas há rolo bastante para que candidaturas relevantes se joguem imundícies umas nas outras, em particular pelas redes. Sendo assim, as campanhas talvez deixem o assunto para lá. Será o consenso da podridão.

O lamento não é udenismo, lavajatismo ou demagogia picareta que o valha. Governos do país apodrecem rapidamente, o crime chegou ao poder em alguns estados, entramos na rota de sermos um Estado fracassado.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu quantidade de pontos importantes, longe de letal, quando foi pego pedinchando dinheiro a Daniel Vorcaro e por ter mentido sem parar sobre seu caso de amor fraterno com o gangster. Mumunhas e delinquências recentes de sua família, como as do irmão Eduardo, não fizeram estrago maior.

A ficha corrida de Flávio e família poderia reemergir na campanha eleitoral. Os tropeços levaram até gente aliada da direita a plantar em jornais que se estuda alternativa à candidatura Flávio. Com imundície generalizada, as mutretas ainda vão fazer diferença, ameaçar candidaturas?

O senador Jaques Wagner (PT-BA) não é candidato a presidente. Apesar de amigão de Luiz Inácio Lula da Silva, ex-ministro de governos petistas e líder do governo no Senado, mal é conhecido fora da Bahia. A Polícia Federal acaba de tirar uns pedaços de corpos de gavetas de Wagner. Não se compara às covas coletivas dos Bolsonaro. Nem mesmo ao caso do também senador Ciro Nogueira (PP-PI)teúdo e manteúdo de Vorcaro, ex-ministro de Jair Bolsonaro e que até o início do ano queria ser vice de Flávio. Não refresca para Wagner.

O senador petista alega que ajudava a filha a comprar um apartamento, pedindo, digamos, uma espécie de empréstimo-ponte a um sujeito da turma de Vorcaro. Que fosse apenas isso. Imagine-se gente comum (e com alguma sorte na vida), que junta dinheiro de trabalho, vende carro e pede empréstimo a banco para comprar casa. O que vai achar? E quem não tem nada?

No mínimo, Wagner e pares preferem dever favor à ralé endinheirada, pegam carona em jatinho e confraternizam com escroques naquelas cafajestadas cafonas e arrivistas de fumar charuto e tomar uísque. Sim, isso é fichinha. Vide como o Congresso aprova medidas destrutivas da economia nacional, dando dezenas de bilhões a empresários suspeitos do setor elétrico, como está para fazer de novo. Quanto vai custar? Bem mais do que um charuto.

Há muito cadáver para sair do armário da corrupção. Política e Estado apodrecem sem parar. Afora policiais e promotores, pouca gente mais liga para o desastre do Rio de Janeiro. A Assembleia Legislativa do estado (Alerj) estava infiltrada até a cúpula por facções, como Comando Vermelho ou Terceiro Comando. Quem mandava na Alerj e no governo era a turma do PL e aliados, turma de Flávio Bolsonaro.

No entanto, no mínimo, Wagner entrou em uma barca do inferno de Vorcaro. A extrema direita, que ganhou força também por velhas corrupções petistas, pode agora pensar em empatar o jogo da imundície ao menos no campo virtual. Se está todo mundo na lama ou assim parece, não é por aí que o eleitorado vai se decidir.

 

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