Folha de S. Paulo
Flávio não se livrou de pecha de traidor da
pátria e ainda mostrou que tem pouca influência em Washington
Razão principal de nova rodada de sobretaxas
é decisão da Suprema Corte que anulou tarifaço do Liberation Day
A vantagem estratégica do Brasil é que sua
ultradireita é particularmente incompetente. Flávio
Bolsonaro conseguiu duplicar seu prejuízo no imbróglio
das tarifas dos EUA.
Os Bolsonaros já carregam a pecha de "traidores da pátria" devido ao lobby que Eduardo vem fazendo para que o governo Trump imponha sanções ao Brasil. No final de maio, Flávio viajou a Washington e foi recebido na Casa Branca. Pediu e obteve do presidente a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas. Diz também que tentou nesse encontro sensibilizar Trump para não adotar sobretaxas contra produtos brasileiros.
Quando ficou claro que a nova rodada de
tarifas era iminente, Flávio voltou aos EUA e, agora de forma explícita, foi a
uma audiência pública em que pediu o adiamento das sanções. Como vimos na
quarta (15/7), não
foi atendido. Flávio não só não foi capaz de livrar-se do rótulo de
"traidor da pátria" como ainda mostrou que sua influência em
Washington é bem limitada.
É por erros como esse que sua candidatura à
Presidência vai felizmente se desconstruindo.
No mundo real, fora das campanhas eleitorais,
a decisão dos EUA de impor novas sobretaxas ao Brasil tem pouco a ver com os
Bolsonaros. Se no primeiro tarifaço, um ano atrás, Trump fez alusão direta ao
julgamento de Jair, que classificou como injusto, a nova rodada agora tem
motivação interna. Em fevereiro, a Suprema
Corte julgou inconstitucionais as "tarifas recíprocas" que
Trump adotara contra quase todo o planeta. O problema não era impor sobrepreço
a produtos estrangeiros, mas a argumentação legal utilizada para fazê-lo. Trump
até poderia cobrar taxas sem aval do Congresso, mas teria de seguir um caminho
mais trabalhoso. Teria de investigar cada país alvo em busca de
"deslealdes" comerciais e só então sancioná-lo.
É o que ele está fazendo agora, já que
precisa do dinheiro para tentar compensar um enorme rombo fiscal. O Brasil foi
a primeira vítima porque as investigações estavam mais avançadas, mas há
dezenas de países na fila.
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