Folha de S. Paulo
Indo, o favorito se arrisca a perder a
liderança por obra de ataques, tropeços e imprevistos
Não indo, vira personagem oculto da cadeira
vazia e transmite imagem de arrogância e covardia
O dilema é recorrente entre candidatos
favoritos nas pesquisas, ainda mais quando presidentes: ir ou não ir aos
debates. Portanto, normal que a equipe de Luiz Inácio
da Silva (PT) divulgue que ele
cogita não ir. Segundo a conta do custo-benefício, o balão serve de ensaio ao
teste.
Indo, o candidato se arrisca a tropeços que o façam perder a liderança e aos ataques dos demais oponentes que o coloquem numa posição de isolamento, mas também pode ganhar a parada e consolidar o favoritismo.
Não indo, vira personagem oculto de uma
cadeira vazia, denotando covardia, arrogância e desrespeito ao eleitorado, mas
sai ileso, pode atribuir a ausência a questões estratégicas ou de agenda e tem
a chance de compensar a conversa com o eleitor nas entrevistas separadas, as
chamadas sabatinas.
No cenário atual, Lula não tem dianteira
confortável para sustentar impunemente uma ausência nem para fornecer a Flávio
Bolsonaro (PL), o principal
adversário, o ensejo para também se recusar a estar no confronto
tradicionalmente inaugural da Rede Bandeirantes, marcado para 16 de agosto.
Embora a data coincidente com o lançamento da
candidatura à reeleição em ato simbólico no estádio de Vila Euclides dê ao
petista justificativa para não comparecer, faz também com que perca a
oportunidade de testar o desempenho de Flávio Bolsonaro nesse tipo de cenário.
No início deste ano, assim que assumiu a
função de agitador oficial do governo, Guilherme
Boulos disse que estava "doido para ver" o senador
debatendo com o presidente.
Boulos antecipava o que, na visão dele, de
muita gente e numa perspectiva lógica, seria o embate entre um profissional
experimentado no ramo e alguém que tem se mostrado um amador.
Já houve debates memoráveis, alguns até tidos
como decisivos. A maioria não deixou lembrança digna de registro. De qualquer
modo, eles são parte do rito eleitoral e se incluem nos direitos do eleitor ao
conhecimento e nos deveres dos candidatos de se darem a conhecer.

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