O Globo
Presidente conseguiu, à base de uma sequência
de medidas com viés eleitoral, interromper a trajetória de deterioração;
impulso inicial de senador se dissipou após uma sequência de reveses
Lula conseguiu praticamente “zerar” o
desgaste do primeiro semestre, período em chegou a ver a dianteira nas
pesquisas eleitorais ameaçada por Flávio Bolsonaro e teve o favoritismo
questionado por analistas graças à reprovação maior que a aprovação ao seu governo.
Flávio, por sua vez, voltou praticamente ao patamar de intenções de votos que
tinha em dezembro, quando foi apontado por seu pai, Jair, como candidato a
substituí-lo na disputa presidencial.
Essas são as principais conclusões a partir da rodada de julho da pesquisa Genial/Quaest, a última antes do início oficial da campanha.
Lula conseguiu, à base de uma sequência de
medidas com viés eleitoral lançadas nos últimos meses, interromper a trajetória
de deterioração justamente quando ela ameaçava se transformar numa mudança
estrutural do cenário eleitoral.
Até abril, o governo acumulava más notícias.
A desaprovação crescia, a avaliação negativa ultrapassava a positiva e Flávio
chegava a aparecer numericamente à frente do petista no cenário de segundo
turno.
A pesquisa Quaest de julho mostra outra
fotografia. Lula volta a liderar todos os cenários de segundo turno, recupera
terreno na aprovação do governo e vê a avaliação positiva empatar com a
negativa. Mais importante do que a melhora em si é o fato de ela interromper
uma tendência que parecia consolidada.
A curva de Flávio vai em sentido oposto.
Quando foi ungido pelo pai como sucessor, em dezembro, aparecia sete pontos
atrás de Lula no segundo turno. Nos meses seguintes, capitalizou a
transferência do espólio bolsonarista, reduziu a diferença e chegou a abrir
vantagem. Agora retorna exatamente ao mesmo patamar de dezembro. O impulso
inicial se dissipou após uma sequência de reveses que começou com o caso Dark
Horse e se agravou com os ruídos provocados pela relação com Donald Trump e,
por fim, o vídeo-desabafo de Michelle Bolsonaro.
Talvez o dado mais relevante da pesquisa seja
justamente aquilo que ela diz sobre os limites da oposição. Existe um
eleitorado claramente disposto a votar contra Lula. Mas esse contingente
continua sem produzir um candidato capaz de romper o teto da direita. Flávio
Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos aparecem separados por
poucos pontos nos cenários de segundo turno contra o presidente.
Evidentemente, eles têm graus muito
diferentes de conhecimento público e densidade política. Ainda assim, o recado
da pesquisa é que, hoje, nenhum deles consegue transformar o voto anti-Lula em
uma vantagem competitiva diante do presidente.
Isso também tira, ao menos por ora, de Flávio
e do PL o trunfo com que se apresentavam sobretudo ao mercado: a única possibilidade
de vencer Lula. O retrato de julho é que, no segundo turno, ele não vai muito
melhor que os demais postulantes —que, nas últimas semanas, mudaram a
estratégia e passaram a tentar se descolar do senador no discurso, na esperança
de crescer no primeiro turno, o que a pesquisa mostra que ainda está longe de
acontecer.
O eleitor independente, tradicionalmente o
segmento mais sensível às oscilações da conjuntura, descreveu nos últimos meses
um retorno paulatino a Lula. Foi ele quem abandonou presidente no início do
ano. É ele quem agora volta a se aproximar. A aprovação do governo entre os
independentes sobe até empatar com a desaprovação, e, no segundo turno, Lula
volta a abrir vantagem justamente nesse grupo. Em eleições polarizadas, é quase
sempre aí que o resultado acontece.
Há uma coincidência temporal difícil de
ignorar. O conhecimento do Desenrola 2.0 subiu de 57% para 66%, e a avaliação
positiva, de 50% para 55%. Entre os beneficiários, os que sentiram aumento
significativo da renda passaram de 15% para 24%. A recuperação de Lula ocorre
justamente quando essas políticas começam a ser percebidas pelo eleitorado.
Isso não significa que a eleição esteja
resolvida. Ao contrário. Os índices de rejeição continuam elevados e a
polarização permanece sendo o principal motor da disputa. Mas a pesquisa sugere
que, depois de um primeiro semestre em que o governo parecia jogar apenas na
defesa, Lula conseguiu recuperar a iniciativa política.
Um dos dados que mais atestam essa melhora é
o dos que acham que Lula merece ou não um novo mandato: há um mês, 55% achavam
que Lula não merecia mais quatro anos, e 41% achavam que merecia. Agora essa
diferença caiu para 6 pontos percentuais: 51% a 45%.
O levantamento mostra também que a oposição,
apesar de preservar um sólido eleitorado, ainda não encontrou uma candidatura
capaz de transformar o desgaste do presidente em maioria eleitoral.
Em outras palavras, a fotografia de julho se
parece muito mais com a de dezembro do que com a de abril. Lula supera a fase
mais adversa de seu mandato e volta a ocupar a posição de favorito. Flávio
Bolsonaro continua sendo o nome preferido da direita, mas ainda não conseguiu
provar que é capaz de ir além do bolsonarismo, como sugere sua queda entre a
direita não-bolsonarista, de 82% para 75%.
O problema dos adversários de Lula é que em
dezembro faltavam 10 meses para a eleição, e agora faltam três. Para quem
precisa virar o jogo, quanto menos tempo, pior.

Ok
ResponderExcluirOu seja, Flávio não encontrou (ou não tem) antídoto contra a ação de Michelle!
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