O Estado de S. Paulo
Kevin Marques é prodígio congênito do direito, alguém cujas vocação causídica de berço e atividade advocatícia bem-sucedida não podem ser duvidadas por lhe ser o pai membro do STF. O talento, associado ao trabalho, cedo ou tarde – cedíssimo, aqui – resulta. Resultou em que, com dois anos de carreira, o filho de Nunes Marques tivesse acumulado quase R$ 28 milhões. Cumpre jornada referencial também a banca do filho de Luiz Fux.
O filho de Gilmar Mendes, a partir do negócio da família, o IDP, associou-se ao braço da CBF que vende cursos, parceria desde a qual, na prática, administraria a entidade. Esforço de profissionalização que logo impedirá que o samir-da-vez custeie viagens de moças com dinheiros da confederação.
O contrato é de 2023. E não haveria mesmo
motivo para que o ministro se considerasse suspeito em 2024, ante ação relativa
à CBF. Preferiu determinar que fosse suspensa a decisão que destituíra do cargo
o então presidente da entidade. Uma coisa é a sociedade comercial do
empreendimento familiar com a CBF; outra, o fundador do empreendimento julgar
matéria sobre o presidente da entidade com que o negócio da família tem
sociedade.
Diga-se, de volta a Kevin, que ele, aos 25
anos, tem cuidados que faltam a parentes de outros ministros. Não atua no STF.
Prioriza o TRF-1, onde Nunes Marques teve toga até 2020, e a Justiça do Piauí,
Estado de origem da família. Será maledicência supor que o pai, juiz no
Supremo, mantenha influência sobre tribunal sediado em Brasília, ou sobre o
Judiciário da terra da qual ascendeu.
Registre-se que o STF autoriza que parentes
de ministros advoguem no STF, inclusive para empresas com processos sob os
cuidados do ministro parente, desde que o processo em que atuem não esteja sob
os cuidados do ministro parente. Foi assim que Dias Toffoli pôde tomar
providências sobre a J&F, ainda que sua esposa fosse advogada do grupo.
Suspendeu-lhe multa de R$ 10,3 bilhões.
Exalte-se a força da inspiração de – o valor
da convivência com – um Alexandre de Moraes como agente impulsionador de
portentos do direito, ainda que sem vínculos sanguíneos. Não haverá quem feche
contrato de R$ 130 milhões com alguém porque casada com o juiz capaz de tirar o
Twitter do ar.
Com escritório fundado em 2024, pouco depois
de aprovado na OAB, Kevin não tardaria a representar clientes do tamanho da
Refit, para quem, em 2025, conseguiu – no TRF-1 – liminar suspendendo a
interdição da refinaria. Tampouco demoraria a ingressar no ramo da prestação de
consultoria a consultorias, graças ao quê, entre 2024 e 2025, recebeu cerca de
R$ 282 mil da consultoria do pai de seu sócio, a Consult – que, no mesmo
período, recebera R$ 6,6 milhões do Master e R$11,3 milhões da JBS.
Naquela altura, os donos da JBS – tendo como advogada, aliás, a esposa de Dias Toffoli – eram parte em disputa bilionária, no STF, pela propriedade da Eldorado Celulose. Relator: Nunes Marques. •

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