terça-feira, 7 de julho de 2026

Trump contra o mundo e o Brasil, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Trump repete Mussolini, intervém na Fifa e ataca juiz brasileiro em meio à tensão Brasil-EUA

A interferência de Donald Trump na submissa Fifa, para anular a expulsão de um jogador norte-americano e jogar suspeitas sobre um juiz brasileiro, é um escândalo internacional, que confirma a velha prepotência dos EUA, potencializada por Trump, e ocorre num momento de tensões e decisões nevrálgicas entre Brasil e EUA.

A ação de Trump e a suspeita sobre o árbitro Raphael Claus jogam uma pitada de pimenta no que já está ardido. Nesta segunda-feira, começou em Washington a audiência pública em que representantes brasileiros apresentam argumentos e dados concretos contra novas sanções comerciais.

No mesmo dia, veio a público um documento do chanceler Mauro Vieira admitindo, duas vezes, o risco de Trump usar força militar em território brasileiro, no rastro da classificação de PCC e CV como terroristas.

Ao telefonar para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, Trump não sugeriu, mas exigiu a anulação do cartão vermelho para Folarin Balogun e a participação dele no jogo dos EUA contra a Bélgica. E atacou Claus.

Sem entender patavina de futebol, Trump justificou, ao admitir o telefonema para a Fifa: “Eu vi o lance, e sou uma pessoa que ama esportes... Aquilo não foi uma falta. Nem mesmo uma infração. Esse árbitro é um pouco suspeito...”

Ou seja, o presidente dos EUA não se satisfaz em ver o jogo, achar isso ou aquilo e xingar o árbitro, como qualquer torcedor, mas usa o seu cargo e o fato de ser anfitrião para algo inédito: decretar que não aceita a expulsão e que Balogun vai jogar, sim.

Ele não considerou uma hipótese: e se os EUA vencessem a Bélgica com gol de Balogun? E se levassem a taça? Trump poderia até comemorar, mas o mundo aceitaria calado?

O episódio remete à Copa de 1934 na Itália, quando o ditador Mussolini escolheu jogadores e influenciou resultados para não só dar a vitória ao seu país, como usar essa vitória para uma fenomenal propaganda fascista.

Afora a vassalagem vergonhosa de Infantino e da própria Fifa, a ação de Trump confirma o que o mundo todo sabe – e teme. Ele não tem escrúpulos, limites e se sente imperador do mundo.

Logo, é capaz de tudo e é com ele que o governo e o setor privado brasileiros têm de negociar para evitar as novas tarifas inventadas por Trump, por influência direta de Flávio Bolsonaro, que participa da audiência pública de Washington nesta terça-feira, tentando consertar seu imenso erro.

Ele foi se meter onde e com quem não deveria, e tenta desfazer o mal que tentou fazer ao Brasil e acabou fazendo à sua própria candidatura. Imaginem agora, com a intervenção na Fifa e o ataque ao juiz brasileiro...

 

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