O Globo
Candidato, que já exaltava Bukele,
surpreendeu ao revelar admiração por Kim Jong-un
Na semana das entrevistas à TV Globo, Renan
Santos se destacou entre os candidatos que disputam o terceiro lugar na corrida
ao Planalto. O candidato do Missão pôs no bolso os rivais Romeu Zema e Ronaldo
Caiado. A constatação diz mais sobre o mau desempenho dos ex-governadores do que
sobre o pensamento vivo do líder do MBL.
Zema insistiu no papel de linha auxiliar do bolsonarismo. Defendeu anistia a golpistas, fim da vacinação obrigatória e presídios inspirados na ditadura de El Salvador. Tentou se vender como self-made man, mas omitiu o fato de ser herdeiro de um conglomerado familiar. Cobrado sobre a alta dos feminicídios em Minas Gerais, prometeu “uma série de programas contra as mulheres”. O ato falho foi o momento mais memorável da entrevista.
De volta a uma eleição presidencial depois de
37 anos, Caiado apelou à velha tática de falar muito para dizer pouco. Seus
rodeios lembraram Rolando Lero, o inesquecível personagem de Rogério Cardoso na
Escolinha do Professor Raimundo. Instado a detalhar planos para a Previdência,
o ex-governador afirmou que não estava numa banca examinadora. Depois derrapou
no elitismo ao chamar de “pobres coitados” trabalhadores e aposentados que
recebem o salário mínimo.
As trapalhadas dos veteranos beneficiaram o
novato Renan, que disputa sua primeira eleição. Sem repetir o histrionismo das
redes e do debate da Band, ele se mostrou articulado e eloquente. O problema
está na plataforma autoritária que tentou vender ao eleitor.
Aspirante a outsider, o candidato ameaçou
descumprir ordens judiciais que considerar ilegais. Ele abandonou a faculdade
de Direito pela metade, mas quer revisar decisões da Suprema Corte. Para a
população das favelas, Renan ofereceu “regime de exceção” e “banho de sangue”.
“O povo brasileiro está pedindo uma guerra”, justificou. Ele assistiria à
carnificina do ar-condicionado, como todo extremista de palanque.
Empenhado em agradar os donos do PIB, o
candidato prometeu cortar no social e abolir os pisos da saúde e da educação.
Ao mesmo tempo, propôs torrar dinheiro público numa bomba atômica. Citou o
exemplo da Coreia do Norte — segundo ele, “respeitada internacionalmente” pelo
poderio nuclear. Renan já havia declarado sua admiração pelo autocrata
salvadorenho Nayib Bukele. A queda por Kim Jong-un foi a novidade da semana.

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