Mas, à frente de todas as metas, há um nó górdio a ser desatado: o desequilíbrio fiscal. Dificilmente os candidatos à presidência detalharão seus planos para lidar com um déficit primário (o que o governo gasta mais do que arrecada, fora juros) que será, em 2026, de 0,4% ou 0,5% do PIB, ou seja, um buraco no orçamento do governo de algo em torno de 60 bilhões de reais. O futuro presidente da República tem inexoravelmente um encontro marcado com o ajuste fiscal no início de 2027. O atual rumo é insustentável.
Qualquer
trabalhadora ou trabalhador, qualquer dona de casa, sabe operar o orçamento
doméstico e entende muito bem que a família não pode gastar, ano após ano, mais
do que a soma da renda dos membros da família. A dívida vai crescendo qual bola
de neve e chega perto do estrangulamento completo. Há 14 anos, o governo
brasileiro faz isso.
Os
governos extraem da sociedade uma carga tributária que chega a 34% do PIB, dos
quais o governo federal fica com 19%. A receita líquida que o presidente tem
para governar, após abrir mão de arrecadação com renúncias, isenções e
incentivos (gastos tributários = R$ 613 bilhões) e de transferir para estados e
municípios os recursos previstos na Constituição (R$ 650 bilhões), será, em
2026, em torno de 2 trilhões e seiscentos bilhões. Como são gastos estes
recursos?
A
previdência social leva 1,1 trilhão de reais, os salários e benefícios dos
servidores públicos dos três poderes, outros 456 bilhões. O Bolsa Família custa
156 bilhões, o BPC, outros 147 bilhões. Auxílio Desemprego e abono salarial
absorvem 97 bilhões, os precatórios levam 45 bilhões. As emendas parlamentares
empregarão 50 bilhões de reais e o complemento federal ao FUNDEB chega a 67
bilhões. O orçamento vinculado à saúde e educação representa um gasto de 305
bilhões e o Fundo do Distrito Federal leva outros 5,3 bilhões. O custeio e os
investimentos do Judiciário, do MP, do TCU e do Congresso, representam gastos
de 24 bilhões. Somando tudo, são 2 trilhões, quatrocentos e noventa bilhões.
Como calculamos que o resto dos ministérios precisa de 90 bilhões para não
paralisar suas atividades (água, luz, telefone, informática, aluguéis,
combustíveis, material de consumo, e até munição para as forças armadas e a
polícia federal, entre outras despesas), no final, sobram apenas 20 bilhões de
reais (0,7% da receita líquida) para investir (estradas, ferrovias, portos,
aeroportos, irrigação, transição energética, meio ambiente, segurança, defesa,
moradia e saneamento) e inovar (IA, biotecnologia, robótica, minerais críticos
etc.).
Por
isso, o governo acaba gastando mais do que pode, investindo pouco, pressionando
a dívida pública e os juros. E o engessamento é crescente, a margem de
liberdade tende a zero.
Essa situação é insustentável, precisa ser discutida. O próximo presidente está condenado a liderar um ajuste profundo porque o “sapo não pula por boniteza, mas, porém, por precisão”.

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