Folha de S. Paulo
Presidenciável do PL tem sido beneficiado por não ser o candidato incumbente e pelo baixo nível de cobrança de diversos atores
A conta de suas promessas não fecha; não
precisa ser economista para chegar a essa conclusão
O presidenciável Flávio
Bolsonaro joga parado nas promessas
que faz para a economia durante a campanha eleitoral.
Ele tem sido beneficiado por não ser o
candidato incumbente, diferentemente do presidente Lula,
e pelo baixo nível de cobrança dos analistas do mercado financeiro, dos
eleitores e também da mídia que acompanha seu périplo diário na disputa
pelo Palácio do
Planalto.
Instado a falar sobre medidas econômicas que adotará caso ganhe as eleições, o candidato do PL fala de "tesouraço" nas despesas do Orçamento, gatilhos para contenção de gastos, redução de ministérios, corte de cargos comissionados e mudanças na reforma tributária.
Enquanto pega carona nas críticas ao
crescimento da dívida
pública no governo Lula, ele promete o maior corte da história da
carga tributária do país via redução de impostos e desoneração da folha de
pagamento das empresas.
Com a declaração de
que "não fará economia em cima de aposentados" —frase
moldada pelos seus estrategistas de marketing político—, repete a tática do
pai.
É sempre bom recordar. Para barrar medidas do
seu ministro da Economia, Paulo Guedes, voltadas ao financiamento do Auxílio
Brasil (o antecessor do atual Bolsa Família), Jair
Bolsonaro saiu-se com a histórica frase de que "não
tiraria de pobres para dar para paupérrimos".
Ao final, o Auxílio Brasil foi bancado
pela PEC dos
Precatórios, que empurrou parte do pagamento dessas despesas com
sentenças judiciais.
Flávio também já admitiu em entrevista ao SBT
que não daria detalhes sobre onde cortaria os gastos. Fazer isso, segundo ele,
geraria "um castelo de cartas".
Por outro lado, ele já disse que não pretende
dar fim aos pisos
constitucionais da saúde e da educação nem acabar com a
vinculação do salário
mínimo à inflação ou realizar uma reforma
da Previdência.
Com base no pouco que o candidato disse e
também no que falou que não faria, a conclusão a que se chega é que a conta não
fecha.
Ninguém acredita. Ou ele não fala a verdade,
ou vai praticar estelionato eleitoral se ganhar a eleição.

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