Folha de S. Paulo
O centrão não quis se amarrar a Flávio
Bolsonaro como talvez se amarrasse a Tarcísio de Freitas
Insatisfação também aparece nas ruas com
esvaziamento e cancelamento de atos públicos
Flávio
Bolsonaro (PL) sentiu o golpe da fuga
de capital político com a neutralidade do centrão na cena eleitoral. Tanto
sentiu que resolveu arrumar uma desculpa para a evasão, dizendo que ficaram na
encolha por medo. Do quê ou de quem, o senador absteve-se de informar.
Receio mesmo pareceu ter ele de espaços vazios ao cancelar uma motociata em Juiz de Fora (MG) no dia seguinte ao modesto comparecimento de público em ato inaugural de campanha em Copacabana. A fotografia neutra retrata situação mais pragmática: o centrão não quis se amarrar ao candidato do PL como talvez se amarrasse a Tarcísio de Freitas (Republicanos) fosse ele o antagonista de Luiz Inácio da Silva (PT) na disputa presidencial.
Superado esse ponto, restou ao filho do
ex-presidente se conformar com o fato de que se equivocou ao acreditar na
adesão automática dos partidos que, mesmo fazendo parte do governo, sinalizavam
a preferência por alternativa a Lula.
O transcorrer da campanha tem mostrado boa
resistência do senador nas pesquisas, mas não o coloca na posição de um
influenciador eficaz de votos. Ao contrário de Lula, cujos correligionários
reivindicam seu apoio nos estados, em vários deles Flávio Bolsonaro é quem
precisa do suporte de aliados.
Em São Paulo,
Tarcísio não só voa solo como precisa manter comedimento em relação a Flávio.
Tanto que, na prática tem sido substituído pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) na função
de coordenador local da campanha.
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No Rio, o candidato tem assistido e reclamado
do abandono de prefeitos interessados em aderir ao ex-prefeito e favorito para
governador, Eduardo Paes (PSD). Em Minas,
seu andor é carregado por Cleitinho (Republicanos) e Nikolas
Ferreira (PL).
No Paraná, Sergio Moro é
seu estandarte, não o contrário, bem como no Distrito Federal quem carrega sua
bandeira é Michelle (PL),
a madrasta cujo apreço convém cultivar. No Ceará, empresta todo apoio a Ciro Gomes (PSDB),
que lidera as pesquisas e dos Bolsonaros quer prudente distância.

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