Folha de S. Paulo
Com 39% nas pesquisas, favorito ao governo do
estado teve a candidatura negada
Espelho das eleições presidenciais desde a
democratização, cenário mineiro está embolado
Ele brigou, chorou, rezou, apelou ao luto
familiar. Mas até agora nada feito. Cleitinho –cuja
presença agressiva nas redes o levou de vereador em Divinópolis (MG) ao Senado
com 4 milhões de votos– é a primeira grande baixa nas eleições de 2026. Um
favorito que foi sem nunca ter sido.
Com 39% nas pesquisas para o governo de Minas, Cleitinho teve sua candidatura negada pelo presidente do Republicanos, Marcos Pereira, devido à sua "instabilidade". Pereira disse que o partido "não pode submeter o povo a uma situação de insegurança". Conversa. Foi uma rasteira da política fisiológica em quem posa de outsider.
Em junho, quando se achava dono da situação,
Cleitinho deu uma entrevista extraordinária. Aspas, que ele merece:
"Entrei na política para aparecer, não sou hipócrita. Nunca tive título de
eleitor, só queria ser famoso. Queria ser comentarista de futebol ou
apresentador de TV igual ao Ratinho. Se um dia tiver uma proposta, largo essa
merda".
Aproveitou para desmoralizar o bispo
Edir Macedo, fundador da Igreja Universal, empresário da fé que manda no
Republicanos, usando o partido como ponta de lança no projeto de poder
neopentecostal: "Falso profeta, de quem não quero me aproximar".
A desdita de Cleitinho não está ligada às
declarações –tampouco ao fato de jamais ter apresentado um projeto de
relevância– e sim a um arranjo do inacabável Eduardo
Cunha, que após sair da cadeia se instalou com todas as suas tralhas e
tramoias no Triângulo Mineiro. Ele quer se reeleger deputado federal, se
conseguir cancelar a folha corrida na Justiça, e armou a postulação de Marcelo
Aro, um cartola de futebol não por acaso conhecido como "o Cunha
mineiro". O plano B do Republicanos, no entanto, é Luís Eduardo Falcão,
ex-prefeito de Patos de Minas.
Embora desmontado, o circo do ex-presidente
da Câmara embolou a eleição em Minas, segundo maior colégio e espécie de
espelho eleitoral das intenções de voto para a Presidência. Desde a
redemocratização do país, quem venceu lá chegou ao Planalto.
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