Valor Econômico
Presidente apela à memória do eleitor e senador, à tecla do antipetismo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o
senador Flávio Bolsonaro partem quase empatados e se assim continuarem daqui a
45 dias não é porque terão seguido a mesma rota. Aquelas traçadas no lançamento
de suas campanhas foram opostas.
A embalagem era passadista, do nome com que foi batizado - “Onde tudo começou”-, às camisetas dos velhos companheiros, “ó nóis (sic) aqui outra vez” -, mas o candidato à reeleição, desta vez, tinha foco. Não foi apenas na duração, cortada pela metade, que o discurso se diferenciou do emaranhado de ideias da convenção do PT.
De volta ao estádio da Vila Euclides, em São
Bernardo do Campo, Lula comparou as greves de 1979 e 1980. Da primeira, contou
ter recebido uma proposta patronal, que considerou boa. Consultou as comissões
de fábrica. Ofereciam 15%, em três parcelas, e pagariam dias parados, sem descontos
nas férias ou no FGTS. “A peãozada não vai aceitar, está preparada para a
guerra”, disseram.
Não deu outra. Na assembleia, todos que
falavam eram vaiados. “Não podia colocar o acordo em votação e perder”, lembrou.
Pediu um voto de confiança. Que voltassem ao trabalho e ele continuaria a
negociar. Aderiram, mas o acordo não mudou. Lula achou que havia entendido o
significado de uma relação de confiança, mas passou a ser visto como um
traidor.
No ano seguinte, os metalúrgicos do ABC
pararam novamente dispostos a aguentar até um ano. “Dizia pra eles que não ia
dar, que daqui a pouco a conta de luz ia chegar e que o leite das crianças ia
faltar”. Lula foi preso por 31 dias e, ao longo do período, os grevistas receberam
cartas informando que se não voltassem seriam demitidos por justa causa.
Voltaram sem conseguir nada e ainda com 15
mil demissões na categoria. Quando Lula saiu da prisão, achou que seria
massacrado. Estava enganado. “Em 79 fui tratado como covarde, mas em 80, quando
perdemos tudo, virei herói”. Os metalúrgicos descobriram que, no ano anterior,
era Lula quem tinha razão. Foi o que concluiu.
A história simbolizou o voto de confiança que
está a pedir ao eleitor. Na verdade, é a renovação deste voto uma vez que em
2022, na mensagem subliminar do lulismo, já tinha caído a ficha do eleitor
sobre a eleição de quatro anos antes. A aposta na comparação entre indicadores
de inflação, desemprego, investimentos públicos e crescimento é a alavanca para
empurrar a ficha do eleitor.
Décimo quinto presidente do Sindicato dos
Metalúrgicos do ABC (Lula foi o 5º), Wellington Damasceno foi um dos anfitriões
do domingo. Advogado, trabalha como montador na Volks e, desde que assumiu o
sindicato, há menos de um mês, planeja o mapeamento de sua base.
A olho nu, a vê dividida pela linha dos 40
anos, que acabou de ultrapassar. Os que estão acima desta linha aceitam com
mais facilidade os acordos e aqueles que estão abaixo, relutam. Preferem pegar
corrida em aplicativo de transporte a fazer hora extra no sábado. Queixam-se
dos horários, dos chefes e dizem que, se pegam corridas na ida e na volta da
balada, o dia já está pago.
Reporta renda média da base entre R$ 2 mil e
R$ 9 mil, chegando a R$ 20 mil no caso de engenheiros. A percepção, a ser
confirmada pela pesquisa, é que as dívidas se devem mais ao cartão de crédito
do que às bets. E que a cesta básica hoje inclui conta do celular, internet,
pedido de comida e transporte por aplicativo. É o que chama de “custo
invisível”, inexistente na virada dos anos 1980.
Nos últimos dois anos, o sindicato conheceu o
impacto deste novo custo. Em 2024, a maior montadora do ABC havia proposto um
acordo para aumentar a produção que envolvia, além da hora extra (majorada em
65% pela convenção coletiva, acima, portanto, dos 50% da CLT), um bônus de R$
125, R$ 110 a mais se o dia trabalhado caísse num feriado, além do sorteio de
um carro. Foi vaiada. No início deste ano, em nova proposta, a empresa tirou o
sorteio, mas o bônus chegou a R$ 300. Passou.
O “metalúrgico de aplicativo” simboliza este
eleitor almejado por Flávio Bolsonaro no seu lançamento. O candidato do PL
evocou a memória do pai dizendo que não dá para comparar Pelé com seu filho,
mas não mencionou um único indicador ou política pública do governo Jair
Bolsonaro a ser resgatado. Citou de cabeça o pacote de chocolate Bis, que
passou de 20 para 16 unidades, o rolo do papel higiênico, reduzido de 40 metros
para 36 e, finalmente a “dúzia” de ovos, hoje com 10 unidades.
A primeira redução aconteceu no último ano do
governo do seu pai, a segunda, na gestão FHC, e a terceira, depois da pandemia,
também no governo Bolsonaro. O candidato do PL se vale da cesta básica para
emplacar, no eleitor imediatista, comparações que qualquer IA gratuita derruba.
As frases de efeito - “Lula é o caloteiro da
esperança”, “perdemos a soberania sobre o celular”, “essa dívida não é sua, é
do PT”, “hoje temos o Marcolão” - mostram uma campanha que, espremida, é puro
suco de antipetismo, como em 2018.
Difícil de emplacar? Não é o que as pesquisas mostram, mas é a campanha que vai dizer. O ABC paulista é um extrato do que aconteceu no país com a ascensão do antilulismo. O PT nunca mais voltou a ser majoritário depois da Lava-Jato. Tem uma única prefeitura (Mauá), contra duas do PL (São Caetano e Ribeirão Pires), uma do Podemos (SBC), uma do PSB (Rio Grande da Serra), uma do PSDB (Santo André) e outra do MDB (Diadema). Ganha quem arrebanhar este mosaico.

Eu vou sugerir um assunto que está sendo esquecido pela mídia que foi o diário do Dr. Fauci, que liderou mundialmente a área de saúde na pandemia inclusive influenciam das decisões da OMS
ResponderExcluirNesse diário com mais de 100 páginas ele revela fatos que contradizem a sua conduta à frente das orientações dadas; por exemplo máscara ele não tinha certeza científica , vacina em gestante ele sabia do risco de aborto e mesmo assim liberou e muitos outros escândalos que estão sendo revelados a partir das suas próprias declarações. Isso eu não entendi como um assunto tão importante está sendo esquecido por vocês, será que é para não dar razão ao ex-presidente Bolsonaro que falava que o tratamento valia como foi confirmado , que a vacina era perigosa como foi confirmado , que o experimento injetável não tinha capacidade de evitar o contágio Do vírus do COVID, como foi confirmado , eu acho que é esse a preocupação , no final Bolsonaro ter tido razão
Ganha quem manejar melhor o seu rebanho. O gado bolsonarista é mais burro e obediente, acredita em qualquer mentira que contam! O ministério de Bolsonaro era corrupto (Ciro Nogueira, Ricardo Salles, pastor Milton Ribeiro) e/ou incompetente (Abraham Weintraub, Ernesto Araújo, general Pazuello, Ricardo Vélez, etc.). Jair nem foi julgado pelos seus maiores crimes! Ele e Flávio sempre apoiaram e homenagearam milicianos e torturadores, agora Tariflávio diz que vai combater as milícias... Mentiras de todos os tipos são reunidas pelos bolsonaristas pra enganar seu rebanho!
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