quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Lula ignora sinais de uma economia doente, por Elio Gaspari

O Globo

Grandes empresas estão na chuva

Num espaço de duas semanas, a grande rede varejista Casas Bahia e a gigante petroquímica Braskem anunciaram que entrarão em recuperação judicial ou extrajudicial. Querem repactuar suas dívidas com bancos e fornecedores. Uma deve R$ 17,3 bilhões, a outra renegociará um espeto em dólares equivalente a R$ 56,5 bilhões. A economia brasileira está doente.

Antes delas, foi a vez da varejista Marabraz. Noutro grupo, ficaram a Raízen, produtora de açúcar e distribuidora de combustíveis, mais o grupo Pão de Açúcar. Em outros tempos, ele teve 800 lojas e mostrava-se como modelo de expansão e vitalidade do empresariado brasileiro. Até em Angola se meteu.

Como o governo e o empresariado são maus pacientes, só admitem a doença quando precisam ir para o hospital. As Casas Bahia, como a Braskem, foram vítimas de encrencas com que conviveram, julgando-se onipotentes.

Antes fossem. As repórteres Maeli Prado e Maria Clara Matos mostraram que, entre o segundo trimestre de 2023 e o deste ano, as empresas que recorreram à recuperação judicial saltaram de 3.823 para 6.341.

A taxa Selic está acima dos dois dígitos desde 2022, e o crédito para capital de giro bateu em 23%. A consequência disso foi uma alta na taxa de inadimplência das pessoas jurídicas, que saiu do patamar de 1,5% em 2020 para 4%. Com menos gente pagando em dia, a banca acautela-se e empresta menos.

A doença da economia pegou o varejo, os setores de transporte e infraestrutura, até mesmo o agronegócio. Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, estima que haja hoje 9,1 milhões de empresas no vermelho, 8,6 milhões das quais micro ou pequenas. Algumas perderam competitividade, outras não.

Em qualquer caso, não era isso que o ministro Fernando Haddad prometia durante a campanha pelo Lula 3.0. A redução nos gastos públicos reduziria a pressão inflacionária e permitiria a queda dos juros, mas até hoje esse tema só aparece, às vezes, durante a campanha. Nesta, nem isso.

Crises como a da dívida externa (1982) e a do câmbio (1999) só acordaram as fábricas de felicidade do governo quando elas chegaram-lhes ao queixo. Nos dois casos, a dificuldade foi desmentida durante períodos pré-eleitorais e reconhecida logo que as urnas mantiveram no governo os mestres-cucas das omeletes.

O déficit do governo federal duplicou nos últimos 12 meses, indo de 0,7% para 1,4% do PIB. Vem o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e diz que isso se deve aos juros. Ouça-se e o presidente do Banco Central, e ele dirá que os juros estão onde estão porque o governo gasta além de suas posses. Arrecadou 5,6% acima da inflação e gastou 6,3% além do que podia.

Lula 3.0 não trata dos maus sinais que a economia lhe manda. Como a eleição pode tirar do caminho os candidatos derrotados, mas não removerá um único problema, caso ele seja reeleito, entregará o paciente doente a si mesmo.

De novo, ele só ofereceu seus simpáticos chapéus, que não resolvem problema algum.

 

2 comentários:

  1. As Casas Bahia já lucraram muito em cima das pessoas de baixa renda,comprei um notebook que me saiu por duas vezes e tanto o valor do produto,cruzes!!!

    ResponderExcluir
  2. Que comentário ridículo. A comparação é infeliz, no mínimo. Se o tal Amanciou financiou o notebook - dificilmente essa compra teria sido à vista - pagou juros altíssimos. O artigo do Elio Gaspari analisa os juros. Amancio não leu; e ainda posta comentário sobre o que não leu e não conhece.

    ResponderExcluir