O Globo
Grandes empresas estão na chuva
Num espaço de duas semanas, a grande rede
varejista Casas Bahia e a gigante petroquímica Braskem anunciaram que entrarão
em recuperação judicial ou extrajudicial. Querem repactuar suas dívidas com
bancos e fornecedores. Uma deve R$ 17,3 bilhões, a outra renegociará um espeto
em dólares equivalente a R$ 56,5 bilhões. A economia brasileira está doente.
Antes delas, foi a vez da varejista Marabraz.
Noutro grupo, ficaram a Raízen, produtora de açúcar e distribuidora de
combustíveis, mais o grupo Pão de Açúcar. Em outros tempos, ele teve 800 lojas
e mostrava-se como modelo de expansão e vitalidade do empresariado brasileiro.
Até em Angola se meteu.
Como o governo e o empresariado são maus pacientes, só admitem a doença quando precisam ir para o hospital. As Casas Bahia, como a Braskem, foram vítimas de encrencas com que conviveram, julgando-se onipotentes.
Antes fossem. As repórteres Maeli Prado e
Maria Clara Matos mostraram que, entre o segundo trimestre de 2023 e o deste
ano, as empresas que recorreram à recuperação judicial saltaram de 3.823 para
6.341.
A taxa Selic está acima dos dois dígitos
desde 2022, e o crédito para capital de giro bateu em 23%. A consequência disso
foi uma alta na taxa de inadimplência das pessoas jurídicas, que saiu do
patamar de 1,5% em 2020 para 4%. Com menos gente pagando em dia, a banca
acautela-se e empresta menos.
A doença da economia pegou o varejo, os
setores de transporte e infraestrutura, até mesmo o agronegócio. Camila
Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian, estima que haja hoje 9,1 milhões
de empresas no vermelho, 8,6 milhões das quais micro ou pequenas. Algumas
perderam competitividade, outras não.
Em qualquer caso, não era isso que o ministro
Fernando Haddad prometia durante a campanha pelo Lula 3.0. A redução nos gastos
públicos reduziria a pressão inflacionária e permitiria a queda dos juros, mas
até hoje esse tema só aparece, às vezes, durante a campanha. Nesta, nem isso.
Crises como a da dívida externa (1982) e a do
câmbio (1999) só acordaram as fábricas de felicidade do governo quando elas
chegaram-lhes ao queixo. Nos dois casos, a dificuldade foi desmentida durante
períodos pré-eleitorais e reconhecida logo que as urnas mantiveram no governo
os mestres-cucas das omeletes.
O déficit do governo federal duplicou nos
últimos 12 meses, indo de 0,7% para 1,4% do PIB. Vem o ministro da Fazenda,
Dario Durigan, e diz que isso se deve aos juros. Ouça-se e o presidente do
Banco Central, e ele dirá que os juros estão onde estão porque o governo gasta
além de suas posses. Arrecadou 5,6% acima da inflação e gastou 6,3% além do que
podia.
Lula 3.0 não trata dos maus sinais que a
economia lhe manda. Como a eleição pode tirar do caminho os candidatos
derrotados, mas não removerá um único problema, caso ele seja reeleito,
entregará o paciente doente a si mesmo.
De novo, ele só ofereceu seus simpáticos
chapéus, que não resolvem problema algum.

2 comentários:
As Casas Bahia já lucraram muito em cima das pessoas de baixa renda,comprei um notebook que me saiu por duas vezes e tanto o valor do produto,cruzes!!!
Que comentário ridículo. A comparação é infeliz, no mínimo. Se o tal Amanciou financiou o notebook - dificilmente essa compra teria sido à vista - pagou juros altíssimos. O artigo do Elio Gaspari analisa os juros. Amancio não leu; e ainda posta comentário sobre o que não leu e não conhece.
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