O Estado de S. Paulo
Na guerra de lama entre os favoritos, Lulinha brilha, mas ‘Dark Horse’ não é ‘página virada’
Os três inquéritos da PF e o envolvimento de
Lulinha no escândalo do INSS atingem em cheio Luiz Inácio Lula da Silva, como
presidente e candidato, e aprofundam as divisões do Supremo, jogam dúvidas
sobre a PGR e aumentam a pressão sobre a Polícia Federal. De quebra, são um
alívio para Flávio Bolsonaro. Com um filho desses, Lula precisa de adversários?
Lulinha é amigo de Roberta Luchsinger, que é amiga e fornecia empréstimos e joias para o Marcola, que é amigo de Lula e, como seu chefe de gabinete no Planalto, recebeu de Roberta uma minuta de contrato, “sem licitação”, para a venda de canabidiol ao governo. Pairando sobre todos, o Careca do INSS, cabeça de um dos maiores escândalos do País.
De quadrilha do folclore brasileiro, essa
caminha para virar “quadrilha ou bando de criminosos”, com base no artigo 288
do Código Penal. Além de afetar Lula e a eleição, isso azeda de vez as relações
entre o PGR, Paulo Gonet, o relator do INSS no STF, André Mendonça, e o
diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. É a política metida onde não devia.
A PF tem cópias de mensagens da lobista
Roberta se autoapresentando sem discrição ou pudor: “Eles sabem o que eu sou.
Eu sou o Fábio”. “Eles” seriam assessores do governo Lula que a recebiam, como
Marcola. “Fábio” é Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que não é “primário” no
noticiário político-policial.
Afinal, Roberta é Fábio? E o que ela quis
dizer, em mensagens com referências a negociatas e encontros com Marcola, que o
futuro dos dois, ela e o filho do presidente, “é a Suíça”? O plano era
enriquecer e ir esquiar nos Alpes? As respostas não estão mais com eles. A esta
altura, estão com o eleitor.
Flávio Bolsonaro é beneficiário direto de
tudo isso, mas comete mais um erro básico, elementar, ao usar uma resposta
sobre Lulinha para trazer de volta o pedido de R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro,
a quem visitou em São Paulo, quando ele já estava preso.
“De nossa parte, isso é página virada”, disse
Flávio. Para quem, cara-pálida? O que ele fez foi lembrar que, apesar de
adormecidos pelas denúncias contra Lulinha, seus próprios escândalos estão
vivos: “irmão” Vorcaro, “empréstimo”, Dark Horse... sem falar no resto, que não
é pouco.
E, assim, a eleição descamba para uma guerra
de lama em que os dois favoritos não saem limpos. Um com o pai preso e
montanhas de acusações e suspeitas. O outro com o filho afundado em denúncias,
além dos fantasmas de mensalão e petrolão.
Especialistas discutem contas públicas e
ameaças externas, mas o eleitor só ouve falar e está exausto de corrupção e
sujeira. Voto nulo e abstenção tendem a disparar.

Pegar no pesado ninguém quer.
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