Folha de S. Paulo
Javier assinou a minuta do golpe que Flávio
Bolsonaro apresentou
O resto é torcer para que uma hora a
Argentina largue o boy lixo e arrume coisa melhor
Na falta de brasileiros que o apoiem, Flávio
Bolsonaro segue recrutando estrangeiros que o defendem em troca de
sabe Deus o quê.
Na convenção do PL que lançou o
filho do Jair para presidente, nem
os grandes partidos de direita brasileiros apareceram para declarar apoio.
Carluxo preferiu ir visitar Eduardo nos Estados Unidos. Michelle mandou um
vídeo em que elogiava Flávio com menos naturalidade do que o Jair de
inteligência artificial.
Depois de papai Trump e de tio
Netanyahu, Flávio
agora trouxe para a campanha Javier Milei.
Do ponto de vista do Brasil, Milei é como aquele cunhado picareta que perdeu tudo em um esquema de criptomoeda e agora está endividado com o agiota.
O agiota, no caso, é a Casa Branca. O governo
Trump deu US$ 20 bilhões para ajudar Milei a segurar a economia argentina até
a última eleição.
Enquanto não descobre como pagar, Javier
tenta agradar a seu credor fazendo serviços ocasionais de promoção de golpe de
Estado na vizinhança. Nesse espírito, foi à convenção do PL declarar seu apoio
a Flávio Bolsonaro e ofender a democracia brasileira.
Ao contrário dos chefes do Exército e da
Aeronáutica em 2022, Javier assinou a minuta do golpe que Flávio lhe
apresentou. Comprou o pacote inteiro: continua apoiando Jair, mesmo depois do 8
de Janeiro. Atacou
Alexandre de Moraes por todos os motivos errados: afinal, se atacasse
Xandão pelos contatos com o Banco Master, deixaria seu anfitrião sem graça.
Aliás, vale investigar se não chegou dinheiro do Master na direita argentina pelas
conexões internacionais de Eduardo.
Mesmo se você apoiar o programa econômico de
Milei, tem que admitir que no Brasil ele conspira com os golpistas e com Trump
contra nossa democracia.
O objetivo de Milei é ajudar Marco Rubio,
secretário de Estado norte-americano e superior hierárquico do presidente
argentino na internacional de extrema direita, a concorrer à Presidência tendo
no currículo uma América
Latina submissa aos Estados Unidos.
Se não fosse a possibilidade de intervenção
americana, a
atual "onda azul" de vitórias direitistas nas eleições sul-americanas seria
inteiramente normal. Havia muitos governantes de esquerda, houve alternância de
poder, agora há muitos governantes de direita. Nos últimos 30 anos, ondas
semelhantes se sucederam, vindas de lados diferentes, sem maiores turbulências.
Mas se há uma superpotência desequilibrando a
competição eleitoral a favor de seus candidatos favoritos, temos um problema.
Em uma democracia sólida, os eleitores votam
pensando "Qual desses candidatos me entregará melhor qualidade de vida?".
Se eles começarem a votar pensando "Qual desses candidatos se submeterá o
suficiente aos Estados Unidos para que meu país não sofra sanções
econômicas?", tudo muda: os americanos, que não lutariam pelo Brasil em
caso de guerra nem pagam impostos aqui, passarão a ter poder sobre nossos
eleitores, que pagam impostos aqui e lutariam pelo Brasil na guerra.
Enquanto nossa irmã Argentina estiver casada
com Milei, temos que administrá-lo com alguma mistura de indiferença e
imposição de limites. O resto é torcer para que uma hora a Argentina largue o
boy lixo e arrume coisa melhor.

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