Valor Econômico
Candidatos reveem estratégias e intensificam visitas aos Estados onde esperam melhorar o desempenho
Num momento decisivo para as campanhas,
diante do início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, os candidatos
reveem estratégias e intensificam visitas aos Estados onde esperam melhorar o
desempenho. Enquanto o presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, fez a primeira
incursão ao Nordeste, feudo lulista, em agenda em Alagoas, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva foi obrigado a mudar o roteiro do fim de semana. Ele faria
uma ofensiva na região Sul, reduto do adversário.
Preocupado com o crescimento de Flávio no Rio
Grande do Sul, Lula teve de cancelar o compromisso em Porto Alegre nesta
sexta-feira (28) por causa das fortes chuvas, com previsão de inundações e
vendavais. A agenda foi substituída por uma caminhada com aliados e militantes
em Salvador, na Bahia.
Sexto maior colégio eleitoral, com 5,3 milhões de eleitores, o Rio Grande do Sul é a aposta do PT para ampliar a votação na região, que se tornou um reduto bolsonarista, impulsionado pelo agronegócio. Levantamento recente da Quaest mostrou Flávio com 34% das intenções de voto no Estado, e o petista com 28%.
Os coordenadores acreditam no avanço de Lula
entre os gaúchos, ante a sinalização de esmorecimento da direita radical. A
candidata ao governo, Juliana Brizola (PDT), do time lulista desponta com 23%
da preferência do eleitor, tecnicamente empatada com o bolsonarista Luciano
Zucco (PL), que tem 26%, segundo a Quaest. A campanha petista vai martelar os
números do socorro federal aos gaúchos, durante as enchentes que devastaram o
Estado em maio de 2024. Dados do Tesouro apontam investimentos de cerca de R$
61 bilhões, incluindo o auxílio de R$ 5,1 mil a pelo menos 430 mil famílias
vítimas das águas.
Com a visita ao Sul adiada, Lula manterá a
tradição de inaugurar a campanha no Nordeste pela Bahia, quarto maior colégio
eleitoral, com 7,1 milhões de eleitores. O Estado foi determinante para a
vitória do petista sobre Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno em 2022. Lula
conquistou 72% dos votos dos baianos, com uma vantagem de 3,7 milhões.
Em 2022, o desempenho do petista na Bahia só
não foi melhor do que no Piauí, com menos eleitores, mas que lhe entregou 76,8%
dos votos. Com base nesses números, e numa conjuntura de disputa mais embolada
e imprevisível no Sudeste, os coordenadores de Lula trabalham para turbinar a
votação do petista no Nordeste, a fim de compensar potenciais revezes,
especialmente, em Minas Gerais.
Líder do PT e coordenador de Lula no
Nordeste, o senador Camilo Santana (CE) confirmou a expectativa de que o
presidente amplie sua votação na região em relação a 2022. Diz que esse cálculo
faz sentido pela alta aprovação do petista entre os nordestinos, e porque
Bolsonaro era um adversário que tinha personalidade, atributo que faltaria ao
sucessor.
Mais do que o tradicional favoritismo de
Lula, o principal problema de Flávio no Nordeste é a falta de palanques. Além
do vice Alfredo Gaspar (PL), que é alagoano, apenas dois aliados demonstraram
disposição de fazer comícios com o presidenciável do PL na região: os
candidatos aos governos da Paraíba, senador Efraim Morais (PL), e do Rio Grande
do Norte, Álvaro Dias (PL) - este último, aliado e conterrâneo do senador
Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha. Ciro Gomes (PSDB) no Ceará,
João Henrique Caldas (JHC), também do PSDB, em Alagoas, e ACM Neto (União) na
Bahia tentam escondê-lo para não perderem votos dos eleitores de Lula.
Por sua vez, o presidenciável do PT, mesmo
favorito, também sofre percalços na região. Lula cogitou não visitar
Pernambuco, onde dois aliados disputam o governo: João Campos (PSB) e Raquel Lyra
(PSD). Entretanto, ele deve ceder aos apelos de Campos, pela força da aliança
com o PSB e pela amizade histórica com o pai dele, Eduardo Campos, morto em
2014.
A vida dos dirigentes petistas também não
está fácil no Maranhão. O PT lançou a candidatura do vice-governador Felipe
Camarão, remanescente do grupo político do hoje ministro do Supremo Tribunal
Federal (STF) Flávio Dino, mas uma ala da legenda migrou para o líder das
pesquisas, Eduardo Braide (PSD).
Lulistas alertam, contudo, que as votações
recordes no Nordeste nunca garantiram a vitória. Em 2022, a vantagem de Lula
sobre Bolsonaro na capital paulista foi essencial para o resultado final. Com
uma dianteira de 486 mil votos, o petista alcançou 53,5% dos votos contra 46,4%
do adversário, mas perdeu no interior do Estado.
A percepção de coordenadores lulistas é de que o cenário atual é positivo no Sudeste, com o empate técnico entre PT e PL em São Paulo, e uma melhora de Lula no Rio de Janeiro. Dois fatores explicam o quadro fluminense: a aliança com o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), líder das pesquisas, e o esvaziamento da força bolsonarista, já que as denúncias de corrupção afastaram os principais aliados de Flávio do governo e da eleição: o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União), que foi preso, seria o palanque de Flávio ao governo, e o ex-governador Cláudio Castro (PL) disputaria o Senado. Lula continua liderando entre os mineiros, mas num placar apertado. Com o favoritismo de Cleitinho Azevedo (Republicanos), aliado de Flávio, para o governo, o desfecho em Minas, onde Lula sempre venceu, se tornou imprevisível.
.jpg)
Todos os estados são importantes,se tirassem os votos que Lula teve em Santa Catarina em 2022,ele perderia a eleição.
ResponderExcluir