O Globo
Se o inquérito das fake news se tornar
público, virão à luz procedimentos mantidos há quase oito anos em sigilo
Ao emergir de sua meditação profunda, Edson Fachin tomou nesta semana uma série de medidas para suspender o bangue-bangue do STF — a última delas, a determinação para que André Mendonça levante integralmente o sigilo dos procedimentos do caso Master. As ações do presidente do Supremo se provaram tão tardias quanto vãs. Na quarta-feira, quando foram divulgadas, a Corte já parecia terra sem lei; e até ontem o tiroteio entre os ministros não dava mostra de arrefecer. Duas das providências anunciadas por Fachin, porém, ainda podem mudar os rumos do tribunal, caso sobrevivam à cortina de fumaça com que se pretende desviar o foco do que importa.
A primeira foi a retirada das mãos de Alexandre
de Moraes do inquérito das fake news. O UOL revelou ontem que a
teratologia jurídica criada por Dias
Toffoli e conduzida por Moraes deu origem, ou serviu de base, a mais
de cem procedimentos, a maioria sob sigilo. Fachin agora considera torná-los
públicos. Se fizer isso, virão à luz procedimentos mantidos em segredo ao longo
de quase oito anos. Também se conhecerá a extensão das heterodoxias processuais
empregadas por Moraes para conduzir casos formalmente públicos, como o processo
ainda em curso contra um advogado por uma malcriação proferida há oito anos
contra Gilmar
Mendes num aeroporto de Madri.
Será a oportunidade de o Supremo acertar as
contas com um inquérito que nasceu para proteger ministros e seus familiares de
investigações inconvenientes e cujos métodos foram tolerados por parte da
sociedade e pela totalidade da Corte, sob o pretexto de defender a democracia.
A depender de Fachin, o inquérito das fake news pode agora deixar a cena para
entrar para a História como uma das páginas mais vergonhosas do STF.
A segunda providência capaz de corrigir os
rumos da instituição foi a promessa de levar o Supremo a enfrentar a questão de
fato premente, por sua gravidade e por ter sido a origem da presente crise: as
gritantes suspeitas de prática de crime por um de seus integrantes, o ministro
Alexandre de Moraes. Sem enfrentá-la, o Supremo não sairá do atoleiro. E a
pesquisa Meio/Ideia divulgada na quarta-feira mostra quanto ele é profundo.
O levantamento apontou que quase metade dos
brasileiros (49,7%) confia pouco ou nada no STF. A descrença atravessa
praticamente na mesma proporção todos os segmentos demográficos: homens e
mulheres, jovens e idosos, ricos e pobres, religiosos e sem religião. Não é uma
desconfiança de nicho, mas descrédito generalizado.
Há notícia pior. Segundo o levantamento,
51,6% dos brasileiros concordam com a ideia de que os ministros do STF decidem
“mais por interesse próprio do que pela lei”. Isso significa que, quando os dez
integrantes da Corte chegam ao plenário com suas togas negras e seus semblantes
graves, sob a liturgia vetusta da instituição, mais da metade dos brasileiros
os enxerga não como guardiões da Constituição, mas como magistrados que atuam
em causa própria.
A gravidade da situação está em a
legitimidade do poder de julgar repousar justamente sobre a crença de que
juízes atuam como terceiros imparciais: não integram o conflito, não têm
interesse pessoal em seu desfecho e decidem segundo o Direito, ainda que
contrariem maiorias. Uma Corte que consome sua reserva de legitimidade pode
manter o poder de decidir, mas perde a autoridade.
No próximo dia 15, o plenário poderá seguir o
que diz a lei: diante de indícios, investigue-se, diante de uma investigação,
afaste-se o investigado, diante de uma acusação, dê-se a ele o direito de
defesa. Ou pode optar por esconder suas chagas atrás de pedidos de vista e de
uma sessão a portas fechadas. Nesse caso, confirmará a percepção pública de
que, entre a lei e a autoproteção, escolhe sempre o abismo.

Jornalistas das grandes mídias tem parte considerável no que hoje se transformou Alexandre de Moraes desde muitos anos com a instalação do inquérito da Fake News vem atuando de forma inconstitucional perseguindo caçando punindo adversários conservadores de direita sem base legal, E era aceito e às vezes aplaudido pela imprensa conservadora
ResponderExcluirO 8 de janeiro foi uma grande farsa montada Pelo Morais e aplaudida por jornalistas em geral , Tudo contra o Bolsonaro, tudo em nome da tal democracia , que ele agora está mostrando que não tinha nenhuma vinculação com seus interesses era apenas , Tudo uma farsa o que ele buscava era Era poder absoluto, Vaidade e muitos milhões de reais
O jornalista português Sérgio Tavares fez um filme excelente sobre ele
, O falso juiz , um psicopata governando o Brasil
A máscara caiu os jornalistas hoje viram que caíram na esparrela do ditador disfarçado de defensor da democracia enquanto a féria de morte
é hora desse desculparem e corrigir a rota