sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Disputa pode ser a mais acirrada, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Diferença do porcentual de votos entre Lula e Flávio é ainda menor do que a da eleição de 2022

A disputa entre o presidente Luiz Inácio da Silva, que tenta a reeleição, e o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, pode ser a mais acirrada e polarizada da história do Brasil desde 1994. Pelo menos é isso que indicam as pesquisas eleitorais até agora. De acordo com a mais recente pesquisa Quaest, a diferença entre as intenções de voto dos dois candidatos é de apenas 4,7 pontos porcentuais, com Lula atingindo 43,5% dos votos válidos no primeiro turno, e Flávio com 38,8%.

Neste momento, a distância é ainda menor que a já disputadíssima eleição de 2022, quando Lula ficou com 48,3% dos votos válidos no primeiro turno e Jair Bolsonaro com 43,2% – uma diferença de 5,2 pontos porcentuais.

Também nunca foi tão alta a soma de votos dos candidatos: Lula e Flávio chegam juntos a 69,6% das intenções de voto no primeiro turno. Em 2018, quando Jair Bolsonaro enfrentou Fernando Haddad, a distância foi muito mais larga: 16,7 pontos porcentuais no primeiro turno.

Até essa polarização exacerbada da sociedade brasileira entre Lula e alguém com sobrenome Bolsonaro, as eleições mais disputadas ocorreram em 2006 e em 2014. Em 2006, Lula terminou o primeiro turno 7 pontos à frente de Geraldo Alckmin. Também

em 2014, a disputa foi quente com Dilma Rousseff superando Aécio Neves por 8 pontos.

Na outra ponta, Fernando Henrique Cardoso venceu Lula por ampla margem já nos primeiros turnos de 1994 e 1998. Foram, respectivamente, 27,2 e 21,3 pontos porcentuais de diferença.

A polarização é a principal explicação para o acirramento da disputa. A sociedade brasileira se dividiu entre seus dois principais líderes políticos recentes: Lula e Bolsonaro – ou, no caso, Flávio, filho que foi ungido por ele. Os Bolsonaro são vistos hoje por uma parcela da população com os únicos capazes de derrotar o lulismo.

De acordo com Guilherme Russo, diretor de inteligência da Quaest, o desempenho apenas razoável do governo Lula também ajuda a explicar o fenômeno. O governo não empolga o suficiente para ganhar uma dianteira confortável de Flávio, mas também não é um desastre que permita o crescimento do adversário.

Outra explicação é o desinteresse dos grandes partidos nas candidaturas presidenciais. Com exceção do PSD, nenhuma outra agremiação relevante se animou a lançar seus quadros na corrida para o Planalto. De olho no fundão eleitoral, mobilizaram todos os seus esforços e recursos nas corridas para a Câmara dos Deputados e para o Senado.

Graças a todos esses números e análises, os especialistas dizem que é impossível prever o que vai acontecer no dia 4 de outubro. Pelo menos até agora. Faltam alguns dias para a eleição e um escândalo de última hora pode mudar esse quadro.

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