segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Eleitores entre o velho e o retrógrado, por Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

Com Bolsonaro ou Lula, Brasil vira as costas para o futuro ao ver a eleição cair em uma armadilha

Daqui a uma semana, o Brasil vai às urnas para celebrar o décimo episódio consecutivo de eleições livres, limpas e competitivas. Por si só, esse já deveria ser motivo de regozijo. Afinal, preenchemos com sobra os requisitos de uma democracia consolidada: incerteza sobre quem vencerá antes de o jogo acabar, certeza de que o vencedor governará e repetição do jogo em calendário estável e regular, com alternância de poder.

O paradoxo é que uma democracia que aprendeu a repetir o jogo parece ter desaprendido a renovar suas escolhas. Em vez de uma disputa entre agendas distintas para o futuro, a maioria dos eleitores brasileiros se vê diante de uma armadilha eleitoral: escolher entre o velho e o retrógrado.

Velho não no sentido etário. O problema de Lula não são seus 80 anos, mas a fadiga de um projeto político incapaz de se reinventar. Repete-se um modelo de inclusão social fiscalmente irresponsável, avesso a reformas que poderiam elevar produtividade e crescimento. Repetese também uma gestão monopolista da coalizão, que trata parceiros como apêndices. E sobrevivem relações pouco republicanas entre Estado, grupos econômicos e elites políticas.

A alternativa ao velho é retrógrada porque não pretende conservar nem reformar, mas restaurar. Flávio Bolsonaro oferece um projeto organizado em torno do retrovisor. Sua principal agenda é libertar o pai e aliados condenados por atentarem contra as instituições democráticas. Também reproduz relações pouco republicanas com grupos econômicos e financeiros. Em vez de uma direita renovada, liberal na economia e comprometida com a democracia, oferece a restauração de um passado que o País já experimentou.

Velho e retrógrado convergem ao não discutir o Brasil que virá. E esse talvez seja o maior desperdício. O Brasil é potência agrícola, dispõe de enormes reservas de petróleo, matriz elétrica relativamente limpa e vastos depósitos de minerais estratégicos. Poderia ocupar posição privilegiada nas transformações em curso.

Enquanto o mundo discute inteligência artificial, transição energética, produtividade e novas cadeias globais de produção, nossa eleição continua capturada por personagens, ressentimentos e conflitos do passado. A armadilha brasileira não é escolher entre esquerda e direita. Democracias vivem dessa disputa. É escolher entre uma esquerda que envelheceu sem se renovar e uma direita que, em vez de construir algo novo, quer restaurar o que deveria ter ficado para trás. O Brasil consolidou o direito de escolher seu futuro. Falta agora ofertar candidatos competitivos e capazes de oferecê-lo.

 

Um comentário:

  1. Sua narrativa não podia ser mais falsa Flávio e Bolsonaro aponta pro futuro corte de imposto redução dos ministérios inúteis austeridade nas contas públicas punição ao juízes do STF corruptos com impeachment
    À esquerda hoje nas redações dos jornais faz uma torcida vergonhosa pro Lula, Quando não escancarada fica com esse viés de meias verdades e mentiras igualando os dois candidatos
    A verdade é que o povo cansou desse governo corrupto incompetente que está jogando o Brasil na miséria e no atraso

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