O Estado de S. Paulo
Com Bolsonaro ou Lula, Brasil vira as costas
para o futuro ao ver a eleição cair em uma armadilha
Daqui a uma semana, o Brasil vai às urnas para celebrar o décimo episódio consecutivo de eleições livres, limpas e competitivas. Por si só, esse já deveria ser motivo de regozijo. Afinal, preenchemos com sobra os requisitos de uma democracia consolidada: incerteza sobre quem vencerá antes de o jogo acabar, certeza de que o vencedor governará e repetição do jogo em calendário estável e regular, com alternância de poder.
O paradoxo é que uma democracia que aprendeu a repetir o jogo parece ter desaprendido a renovar suas escolhas. Em vez de uma disputa entre agendas distintas para o futuro, a maioria dos eleitores brasileiros se vê diante de uma armadilha eleitoral: escolher entre o velho e o retrógrado.
Velho não no sentido etário. O problema de
Lula não são seus 80 anos, mas a fadiga de um projeto político incapaz de se
reinventar. Repete-se um modelo de inclusão social fiscalmente irresponsável,
avesso a reformas que poderiam elevar produtividade e crescimento. Repetese também
uma gestão monopolista da coalizão, que trata parceiros como apêndices. E
sobrevivem relações pouco republicanas entre Estado, grupos econômicos e elites
políticas.
A alternativa ao velho é retrógrada porque
não pretende conservar nem reformar, mas restaurar. Flávio Bolsonaro oferece um
projeto organizado em torno do retrovisor. Sua principal agenda é libertar o
pai e aliados condenados por atentarem contra as instituições democráticas.
Também reproduz relações pouco republicanas com grupos econômicos e
financeiros. Em vez de uma direita renovada, liberal na economia e comprometida
com a democracia, oferece a restauração de um passado que o País já
experimentou.
Velho e retrógrado convergem ao não discutir
o Brasil que virá. E esse talvez seja o maior desperdício. O Brasil é potência
agrícola, dispõe de enormes reservas de petróleo, matriz elétrica relativamente
limpa e vastos depósitos de minerais estratégicos. Poderia ocupar posição
privilegiada nas transformações em curso.
Enquanto o mundo discute inteligência
artificial, transição energética, produtividade e novas cadeias globais de
produção, nossa eleição continua capturada por personagens, ressentimentos e
conflitos do passado. A armadilha brasileira não é escolher entre esquerda e
direita. Democracias vivem dessa disputa. É escolher entre uma esquerda que
envelheceu sem se renovar e uma direita que, em vez de construir algo novo,
quer restaurar o que deveria ter ficado para trás. O Brasil consolidou o
direito de escolher seu futuro. Falta agora ofertar candidatos competitivos e
capazes de oferecê-lo.

Um comentário:
Sua narrativa não podia ser mais falsa Flávio e Bolsonaro aponta pro futuro corte de imposto redução dos ministérios inúteis austeridade nas contas públicas punição ao juízes do STF corruptos com impeachment
À esquerda hoje nas redações dos jornais faz uma torcida vergonhosa pro Lula, Quando não escancarada fica com esse viés de meias verdades e mentiras igualando os dois candidatos
A verdade é que o povo cansou desse governo corrupto incompetente que está jogando o Brasil na miséria e no atraso
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