Folha de S. Paulo
Há pelo menos cinco ministros que escondiam
suas relações com Daniel Vorcaro
No pacote Master entram conchavos, interesses
não republicanos, traições, cinismo e corrupção
Nos projetos de destruição da democracia por
dentro, a luta contra o Judiciário é essencial. Em vez de fechar os tribunais,
usando a força, com "um cabo e um soldado", o autocrata atual age
para enfraquecer, aparelhar ou neutralizar a independência das cortes.
Exemplos não faltam de que a Suprema Corte é o alvo número 1: Hungria, Venezuela, Israel, Polônia, Turquia. A relação entre Executivo e Judiciário gera embates nos Estados Unidos, na Argentina, na Itália, na Colômbia, países que estão na rota do tsunami de extrema direita.
Em El Salvador, o presidente Nayib Bukele
—modelo para as candidaturas de Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Romeu Zema e
Ronaldo Caiado— substituiu ministros para mudar a Constituição e se reeleger.
Derrotado nas eleições de 2022, após passar todo o mandato atacando e
desacreditando o Supremo, Jair Bolsonaro tentou um golpe que só não deu certo
porque Exército e Aeronáutica pularam fora e, sobretudo, porque não teve o
apoio dos EUA, sob Joe Biden.
Herdeiro do golpismo de Jair, o filho 01 tem
hoje um ministro que lhe facilita a campanha presidencial e meio trabalho
realizado diante de uma corte que resolveu se autodestruir, com conchavos,
interesses não republicanos, traições, cinismo e corrupção.
Pelo menos cinco ministros se deixaram
vorcarizar. Puxando a fila está Alexandre de
Moraes, que combateu o presidente golpista, mas se rendeu ao
empresário picareta. Suas explicações não convencem. Idem para André
Mendonça, que "esqueceu" de avisar ao país que Flávio Bolsonaro
é investigado por ter recebido dinheiro de Daniel
Vorcaro. Tragado pelo buraco Master,
Dias Toffoli
finge-se de morto.
Mensagens do celular de Vorcaro tratam de
pagamentos (que seriam de R$ 500 mil mensais) destinados ao advogado Kevin
Marques, filho de Nunes Marques. Outras revelam sua intimidade com Rodrigo Fux,
filho do ministro do STF.
Rodrigo, a exemplo de Flávio Bolsonaro, chama o banqueiro de "irmão".
Os amigos do rei formavam uma espécie de
irmandade, que se dedicava a mamatas e surubas.
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