terça-feira, 8 de setembro de 2026

Lula e os endividados, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

A Quaest é ruim para Lula, não porque Flávio Bolsonaro avança, mas porque ele anda para trás

A pesquisa Quaest deste 7 de setembro, a 24 dias das eleições, é importante e traz dados ruins para o presidente Lula, que deixa de ser o favorito e vai de empate técnico para empate numérico com Flávio Bolsonaro no segundo turno, 41% a 41%, com tendência de queda. Ou seja, a possibilidade de ser ultrapassado por Flávio nas próximas rodadas, ou semanas, é real.

Lula tinha 45% em julho, vem perdendo um ponto porcentual a cada nova Quaest e chega na reta final da campanha beirando os 40% no segundo turno, com um outro dado que não apenas explica o sufoco, como é o principal empecilho para o seu quarto mandato: a desaprovação do governo.

A expectativa de que esse indicador melhoraria a esta altura não se confirmou, ao contrário, piorou. A desaprovação bateu em 50% e a aprovação recuou para 43%, com uma diferença de 7% que apavora a campanha de Lula.

Todos os presidentes que disputaram a reeleição cresceram nas pesquisas nesta época, 7 de Setembro, impulsionados pela propaganda eleitoral e a exibição de dados positivos (verdadeiros ou não) de seus governos. De todos, só Jair Bolsonaro foi derrotado.

Apesar de a violência continuar sendo a principal preocupação do eleitor e de a corrupção, nestes tempos de Master e INSS, voltar a preocupar e estar no segundo lugar, o professor Felipe Nunes, da Quaest, disse na Globonews que a aprovação do governo não melhora por outro fator: a economia.

Ele não fala de crise fiscal, dívida pública e temas típicos da elite, mas sim de endividamento das famílias. Uma coisa tem a ver com a outra, mas o que importa na eleição é a percepção popular e o que bate no bolso e no coração do eleitorado.

Além da queda no eleitorado feminino, o maior do País e o mais fiel a Lula, outro dado preocupante para o presidente é que os “independentes”, que oscilam para um lado, outro ou nulo/abstenção, não demonstram ir em peso para ele no segundo turno e os eleitores dos demais candidatos tendem a ir contra.

No 7 de Setembro, não só Flávio Bolsonaro atacou Lula, o Supremo e Alexandre de Moraes – considerado “aliado” do presidente –, mas também Augusto Cury, que perdeu fôlego, com 8%, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema. Mais um indício do rumo que seus eleitores tendem a tomar no segundo turno entre Lula e Flávio.

A esta altura, mais importante que os porcentuais são as curvas e tendências, que vêm dando más notícias para Lula, PT, esquerda e o antibolsonarismo difuso. Quanto mais perto da eleição, mais o favoritismo de Lula vai se esvaindo, com um dado intrigante: Flávio não avança, Lula é que anda para trás.

 

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