Folha de S. Paulo
Com nota tão ruim quanto a de Jair Bolsonaro,
presidente fica perto de fundo do poço
Programas de benefícios sociais, redução de
impostos e facilitação de crédito não fazem efeito
O que a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderia fazer diante dos fatos de que a avaliação de seu governo piora sem parar desde julho e de que na prática está empatado com Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno? O que mais virá nesta eleição no meio da lama da guerra jurídico-policial? Alexandre de Moraes e André Mendonça estão à beira das vias de fato, do duelo, no Supremo e muito mais. Difícil saber o que o eleitorado vai fazer disso.
O que vai fazer o petismo-lulismo? Esperar
vazamento mortífero de inquérito policial que prejudique a candidatura de
direita e extrema direita? Esperar que a lembrança reiterada da ficha corrida
de Flávio convença alguns eleitores "nem-nem"? Passou
o efeito Bolsonaro-Vorcaro. Lula enfim teria discurso novo a fazer que
não soasse como oportunismo? Por quatro anos, discurso novo não houve.
Todos os programas de benefícios sociais em
dinheiro, de reduções de impostos e de facilitação de crédito estão em
vigor, alguns
faz anos ou desde o início deste 2026 (como a isenção do IR para quem
ganha até R$ 5.000). O lulismo acha que pode ganhar um par de pontos
percentuais de votos relembrando na TV, no rádio e noutros meios de campanha
que fez isso ou aquilo? Talvez um par de pontos. Talvez, apenas, porque a
avaliação do governo vai na direção do fundo do poço de Lula 3. É a mesma do
derrotado candidato à reeleição Jair
Bolsonaro em 2022.
A
avaliação de Lula a um mês do primeiro turno é na prática a segunda pior deste
mandato. Supera apenas a do fundo do poço de fevereiro de 2025 (24% de
"ótimo/bom", 41% de "ruim/péssimo", saldo negativo de 17
pontos). Lembre-se mais uma vez de que aquela virada de ano era um momento de
pico da inflação anual da comida (8,4% em novembro de 2024, 7,1% em fevereiro
de 2025), do pânico financeiro de dezembro-fevereiro (dólar passado de R$ 6,
juros em alta) e da mentira que propagou a ideia de que Lula cobraria imposto
sobre o Pix.
A essa altura da campanha, em 2014, Dilma
Rousseff tinha avaliação fraca, mas positiva, com saldo de 12 pontos
(36% de "ótimo/bom" e 24% de "ruim/péssimo"). Lula tem
agora 31% de "ótimo/bom" e 42% de "ruim/péssimo", saldo
negativo de 11 pontos, a mesmíssima situação de Jair Bolsonaro no início do
setembro pré-eleitoral de 2022.
A nota de Lula apenas é positiva entre o eleitorado
de renda igual ou inferior a dois salários mínimos, e por margem pequena (39%
de "ótimo/bom" ante 33% de "ruim/péssimo"). Na "classe
média" das categorias da amostra do Datafolha (dois
a cinco salários mínimos), tem 23% de "ótimo/bom" e 50% de
"ruim/péssimo", quase desaprovação por maioria absoluta.
No caso de Jair Bolsonaro em 2022, a
avaliação do governo dele pioraria de leve de setembro para as vésperas do
primeiro turno, ficando em 31% de "ótimo/bom" e descendo a 44% de
"ruim/péssimo". A votação dele daria um salto de 34% da pesquisa de
intenção de voto do início de setembro para 41,3% do primeiro turno na urna.
Uma diferença de 2026 para 2022 é
que Lula perdeu a simpatia do centro politicamente organizado; outra é que
a oscilação do eleitorado mais "nem-nem" e centrista ora não favorece
o presidente, para dizer o mínimo. Nos últimos quatro anos, Lula não fez essa
lição de casa de mandar mensagem aos "nem-nem" e a prova é depois de
amanhã. De resto, o medo do golpe ou mesmo a lembrança da tentativa golpista
bolsonarista arrefeceu.
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