O Estado de S. Paulo
Vazamento para todos! Vazamento para todos
já! Só vazam informações sigilosas sobre um lado, seletivamente. Tem de equilibrar
essa balança de ilegalidades. Justiça, ministro André Mendonça! Se vaza contra
Lulinha, há que vazar contra Flávio Bolsonaro. Alô, Dino! Igualdade!
E então proliferam as plantações na imprensa – feitas por colegas togados – sobre Mendonça estar influenciado por delegados da Polícia Federal lotados em seu gabinete, que seriam lavajatistas-bolsonaristas adversários de Andrei Rodrigues, aquele que bebeu o uísque de Vorcaro com Xandão e Gonet. Na última sexta, Rodrigues reafirmou que a corporação, órgão de Estado, atua de forma independente e sem viés político.
(Não há mesmo vazamentos sobre as
investigações relativas aos dinheiros de Vorcaro remetidos, via empresa de
fachada, para fundo americano gerido por advogado amigo de Eduardo Bolsonaro;
de modo que: ou será inquérito exemplar-singular, que avança sigilosamente, ou
será inquérito mentiroso, que não vaza porque não avança. Há esperança, porém,
dado que Dino, relator xandônico de tudo quanto se refira a orçamento secreto,
tem agora consigo a investigação sobre se emendas parlamentares abasteceram a
produtora do filme Dark Horse.)
Vazamento isonômico para todos! O discurso
caricatural que abre esta crônica está presente, disparado a sério, no debate
público eleitoral corrente. Uma eleição presidencial disputada no Supremo e na
PF, de seus descomedimentos podendo vir o que decidirá o pleito. Pleito
engessado, com pouca margem para transformações – no qual vai presente, como
expectativa bizarra, o elemento surpresa que mudaria tudo: “a bala-de-prata dos
vazamentos”.
Um jogo partidário poderoso em que o
presidente diz não se meter com investigações da PF enquanto manda o
diretor-geral da corporação procurar o relator de inquéritos no STF sobre seu
filho – e sobre seu adversário – para se lhe apaziguar. Um jogo partidário
perigoso em que ministros do tribunal constitucional, agentes-articuladores
políticos com caneta para decidir (influir) monocraticamente, bebem uísque com
Lula, discutem a campanha eleitoral e formam bancadas. A eleição é jogo de
sobrevivência também para eles.
(E de repente temos Dias Toffoli, num ato
grotesco de desproporção, abusando do poder de cautela da Justiça Eleitoral
para suspender – tirar mesmo do ar – a campanha de um candidato a
presidente...)
Uma eleição presidencial disputada na lama,
em que o maior volume de eleitores já admitiu escolher quem estará menos
chafurdado. É tapar o nariz e votar. Tapar o nariz e rejeitar. A rejeição, ao
mesmo tempo, sendo critério com peso talvez sem precedentes, o que explicaria
os casos Lulinha/Marcola e Dark Horse ferirem pouco as candidaturas de Lula e
Flávio Bolsonaro. E assim vamos, parece, até o fim – à espera do
vazamento-bomba.

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