O Estado de S. Paulo.
Só falta ministros irem para o STF de vermelho ou enrolados nas bandeiras de Brasil, EUA e Israel
A contagem regressiva do primeiro turno já
começou, num cenário estável e com o presidente Lula cinco pontos à frente do
senador Flávio Bolsonaro na Quaest, mas só se fala sobre o STF, onde a
polarização eleitoral domina tudo e todos e corrói ainda mais a imagem da
Corte. É como se só os seus dez votos fossem eleger o novo presidente.
Nas ruas, não se veem bandeiras, cartazes ou carros paramentados, sejam pró-Lula, sejam a favor de Flávio, numa das eleições mais frias e desanimadas de que se tem notícia. Mas, no Supremo, a equipe da campanha de Lula só falta se vestir de vermelho, com estrela no peito, e a de Flávio, a qualquer hora, aparece enrolada nas bandeiras de Brasil, EUA e Israel.
O ministro André Mendonça, relator do caso
Master, mandou retirar das redes sociais tudo a respeito de Nossa Senhora
Aparecida, depois de viralizar a fake news de que Flávio tiraria dela o título
de padroeira do Brasil. Mendonça acertou em combater fake news, mas exagerou ao
proteger seu candidato.
Flávio Dino, que disputa com Gilmar e Moraes
quem é mais audacioso, reagiu, dando uma canetada para suspender a decisão de
Mendonça e deixar rolar tudo, inclusive a fake news contrária a Flávio. Logo,
Dino também exagerou e não teve pruridos ao proteger seu próprio candidato.
Flávio, que se exibiu com uma boneca de
crochê simulando a padroeira, botou em campo mais um “dos seus” no STF, Luiz
Fux, para neutralizar Dino. Mas fez o que não deveria ter feito: bateu de
frente com a CNBB.
Circulam na internet manifestações e
cantorias de bispos católicos, sem citar Lula ou Flávio, mas defendendo
soberania nacional, democracia, combate à pobreza, preservação da Amazônia...
Alguém tem dúvida sobre de quem são essas bandeiras? E de que é uma retaliação
à cooptação dos evangélicos pelos bolsonaristas?
Na semana decisiva da eleição, o mais
conveniente para Flávio seria se assumir vítima de mensagens veladas e de uma
evidente fake news, mas ele quis potencializar a questão e acusou a principal
entidade católica do Brasil de conluio com o PT para difundir a versão falsa.
A CNBB reagiu: “Não se combate uma mentira
com outra mentira”. Desmentiu tanto as duas acusações, de Flávio e a Flávio,
mas a crise já tinha caído em cheio no STF, que, com a imunidade baixa, se
contagia facilmente.
Difícil dizer se foram bets e canetas
emagrecedoras, ou se a história sobre a padroeira tem a ver, mas a Quaest
captou que a diferença de Lula para Flávio entre os católicos subiu de 16 para
19 pontos: 48% a 29%. Numa disputa tão apertada, pode fazer diferença no final.

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