sábado, 12 de setembro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Coragem, Fachin

Por CartaCapital

Como se portará o presidente do STF diante da encruzilhada? 

Nos momentos de encruzilhada do Brasil, e não foram poucos em mais de 70 anos de jornalismo, quando os responsáveis pelos caminhos ou descaminhos do País eram postos à prova, Mino­ ­Carta sacava da algibeira uma frase: “Os homens se medem nas circunstâncias”, combinado das reflexões de pensadores de épocas distintas. Ao contrário do que se imagina, Mino era um otimista incorrigível e nunca seguia a recomendação de depositar as esperanças no chão antes de cruzar o umbral de mais um círculo do Hades brasileiro. A esperança durava pouco, pois, em geral, a coragem dessas personagens nos momentos decisivos se media em centímetros, como os habitantes de Lilliput. A reação seguinte, óbvio, era de indignação, aliviada por meio de impropérios cujo mais sonoro era “CREEEETIIIIINOOOOS!” Também não podia faltar o “bando de corja”, expressão que poderia ter saído das páginas de Manuelzão e Miguilim, mas é da lavra do pai de ­Políbio. Mundialmente conhecido como Dó, Políbio foi o Sancho Pança do cavaleiro errante Mino nas intermináveis batalhas contra os moinhos de vento.

Diante da grave crise no Supremo Tribunal Federal, a mais grave da história, dizem os especialistas, o presidente da Corte, Edson Fachin, diria Mino, será medido “nas circunstâncias”. A série de decisões do ministro na quarta-feira 9 deriva de pressões externas e dos pares. A escolha por levar ao plenário, antes das eleições, o pedido de investigação de Alexandre de Moraes encaminhado por André Mendonça jogará mais gasolina na fogueira, seja qual for o resultado. Fachin demonstra, como de hábito, sua suscetibilidade às pirraças da “opinião pública”. Magistrados que preferem o clamor das ruas à letra da lei praticam justiçamento, não Justiça.

Fachin parece mais preocupado em salvar sua biografia. Os discursos inspirados em Augusto Cury tentam esconder um raciocínio trivial e o medo da própria sombra. Não por outra razão, ele sofre, ao lado da colega Cármen Lúcia, o assédio dos cidadãos de bem. Nos minguados protestos de 7 de Setembro, em que Mendonça foi ungido o Moro do momento, ficou claro o roteiro do golpe. “Neutralizar” o Supremo, para usar uma palavra do gosto da extrema-direita, é o primeiro passo para obliterar qualquer resistência. Assim como o presidente da Corte, Cármen Lúcia demonstrará se sua estatura moral é liliputiana ou alcança o Everest.

Quanto à vontade popular e à opinião pública, sabemos do que se trata. Alguns empresários, organizados pela Federação das Indústrias de São Paulo, que, nas mãos de Paulo Skaf, voltou a ser o bunker do pato amarelo, têm expressado, de forma veemente e por escrito, indignação com a desmoralização do Judiciário e o sequestro da República. Endossaram um abaixo-assinado parcial e ameaçam até ocupar as ruas. Quiçá até entoem a ­Marselhesa. Justo. Mas não custa perguntar. Onde estavam todos os legalistas durante o horror da pandemia e a infame tentativa de golpe de Estado? 

O STF afundou no pântano da polarização

Por Revista Será? 

A promiscuidade dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com negócios privados escusos e a contaminação pelas disputas políticas jogaram a instituição — uma das mais importantes da democracia — num lamaçal e numa guerra aberta de interesses pessoais e eleitoreiros. A menos de um mês das eleições presidenciais, o STF afundou no pântano da polarização política e eleitoral, refletindo a disputa entre os dois principais candidatos à Presidência da República: o presidente Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.

A instituição chega agora ao paroxismo de um antigo processo de politização que decorre, em grande medida, da indicação, para a mais alta magistratura, de amigos e aliados políticos dos presidentes da República de plantão. Em seus primeiros mandatos, com alguma exceção, o presidente Lula da Silva indicou para o STF juristas de indiscutível mérito, que se comportaram com a dignidade exigida pelo cargo. No mandato atual, contudo, nomeou Cristiano Zanin, seu advogado particular, e Flávio Dino, que, apesar da indiscutível formação jurídica, é um político em plena atividade e era, até há pouco, seu ministro da Justiça. Antes disso, o presidente Jair Bolsonaro levou ao STF dois nomes claramente comprometidos com seu projeto político: Nunes Marques e André Mendonça, este escolhido por ser “terrivelmente evangélico”.

Quem vai agora tirar o STF do pântano? Seus ministros, grande parte deles envolvidos numa disputa política polarizada e alguns comprometidos com negócios escusos? Vão sair do pântano puxando-se pelos próprios cabelos? E o Senado, igualmente contaminado por interesses mesquinhos, pode ajudar a recuperar a imagem da instituição? A sociedade clama por uma rápida iniciativa do presidente Edson Fachin, com a abertura dos processos e o encaminhamento da discussão ao plenário, para a definição de medidas de despolitização da instituição.

Mesmo que consiga superar esta crise, contudo, nada indica que, no futuro imediato, o STF se blinde das disputas políticas do Brasil. Ao anunciar com grande entusiasmo, em discurso de campanha no Sete de Setembro, que, se fosse eleito, nomearia cinco ministros do STF — já contando com o impeachment de Alexandre de Moraes —, o candidato Flávio Bolsonaro demonstrou a essência do seu projeto político: o completo domínio político da Suprema Corte para facilitar seu caminho ao autoritarismo. A sujeição da mais alta corte de justiça ao presidente foi o meio utilizado em experimentos autoritários pelo mundo, da esquerda bolivariana, na Venezuela, à direita de Viktor Orbán, na Hungria. Se o eleito for Lula, também terá direito a indicar mais quatro ministros ao STF e, dessa forma, poderá igualmente contar com maioria na Suprema Corte. Mas, ao contrário do clã Bolsonaro, que tentou um golpe de Estado para se perpetuar no poder, o presidente Lula governou este país por três mandatos sem qualquer medida que ameaçasse as instituições democráticas.

De qualquer forma, é necessário e urgente pensar em outro processo de escolha e nomeação dos ministros da Alta Corte, capaz de evitar a grave politização que tende a comprometer a higidez e a credibilidade da instituição, como acontece neste momento delicado da história.

Levantar sigilo do caso Master foi medida acertada

Por O Globo

Abrir documentos ao público fará bem. Trechos relevantes não podem ser mantidos em segredo

Foi acertada a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, de levantar o sigilo do caso do Banco Master. No despacho, Fachin determinou que o relator, ministro André Mendonça, liberasse o conjunto de inquéritos, petições e reclamações, com exceção apenas do material de investigações em curso em que a quebra do sigilo pudesse comprometer as diligências. De início, Mendonça tornou públicos 14 procedimentos, mas causou estranheza ter mantido em segredo as apurações sobre o filme “Dark horse”, a cinebiografia de Jair Bolsonaro, e sobre a relação entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master. Felizmente, logo Fachin contornou o problema exigindo a liberação de todos os documentos que faltavam. Era o que tinha de ser feito.

A decisão de Fachin é mais que justificada. O processo sobre as mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro é um desdobramento do caso Master. Pelas informações que já vieram à tona, são persuasivos os indícios de que Moraes atuava como conselheiro informal de Vorcaro. Como sua mulher mantinha contrato milionário com o Master, as suspeitas se agravaram, mergulhando o STF em sua maior crise em 135 anos de História.

Depois de hesitar, Fachin marcou para a próxima terça-feira o julgamento sobre o relatório da Polícia Federal (PF) com as evidências contra Moraes. É indispensável aos ministros ter todo o material do caso à disposição para examinar os fatos em sua plenitude e decidir com base neles sobre a abertura de investigação contra Moraes.

Numa manobra protelatória para tentar tumultuar ou adiar o julgamento, Moraes pediu a Fachin que, além de abrir integralmente o sigilo do caso Master, colocasse na pauta da sessão extraordinária de terça-feira as suspeitas levantadas por ele contra Mendonça, que constam de relatórios de inteligência apócrifos e, nos termos da própria PF, “sem valor probatório”. O ministro Gilmar Mendes pediu que Fachin assumisse os inquéritos sob relatoria de Moraes e Mendonça e defendeu que a sessão de terça seja adiada.

A Procuradoria-Geral da República tem até segunda-feira para se pronunciar a respeito das acusações de Moraes, depois Mendonça também teria um prazo para elaborar sua defesa antes de o caso ir a plenário. As manobras de Moraes e Gilmar tentam construir um meio de apresentar à opinião pública a falsa equivalência entre as acusações gravíssimas que pesam contra ele e as fragílimas levantadas contra Mendonça.

Nada deve haver que impeça o andamento de investigações contra ninguém, desde que embasadas em indícios e provas convincentes. O mesmo princípio deve valer para as suspeitas em torno do filme “Dark horse”, alvo não apenas da investigação do Master, mas de outra sobre emendas parlamentares, sob relatoria do ministro Flávio Dino. O mais importante é evitar os vazamentos seletivos para que essas investigações possam ir atrás de fatos e evidências consistentes — e, sobretudo, evitar precipitações e uso político em plena campanha eleitoral.

Cheque de US$ 5 mil se republicanos vencerem reflete desespero de Trump

Por O Globo

Diante da derrota que se desenha na eleição de meio de mandato, ele tem tentado toda sorte de manobra

‘Eu poderia parar no meio da Quinta Avenida, atirar em alguém e não perderia nenhum eleitor, ok?’ A célebre declaração de Donald Trump em 2016 se choca com sua impopularidade crescente. Hoje 58% dos americanos o desaprovam, ante 38% favoráveis. O aumento do custo de vida, provocado pela alta das tarifas de importação e pela guerra no Oriente Médio, está entre as maiores queixas.

Com as eleições de meio de mandato se aproximando e os republicanos correndo o risco de perder a maioria tanto na Câmara quanto no Senado, Trump prometeu em evento em Dallas na última quarta-feira dar um cheque de US$ 5 mil a cada americano adulto caso o Partido Republicano vença o pleito de novembro e mantenha o controle das duas Casas. A conta total gira em torno de US$ 1,3 trilhão. A lei americana proíbe a compra de votos, mas, como a promessa é entregar o mesmo valor a todos os eleitores, independentemente de como votem, é difícil qualificá-la assim. Se Trump for adiante com a ideia estapafúrdia, é provável que tenha de pedir permissão ao Congresso.

Com ou sem cheque, seu desafio nas urnas será imenso. Desde 1934, o partido no poder perdeu vagas no Congresso em 20 das 22 eleições de meio de mandato. Trump tenta desesperadamente escapar dessa sina. Desde o ano passado, graças a uma decisão favorável da Suprema Corte, há uma guerra entre republicanos e democratas para redesenhar distritos eleitorais de modo a garantir a maior quantidade possível de cadeiras na Câmara. O saldo dessa disputa ainda está indefinido, mas, pelas pesquisas, é improvável que a pressão da Casa Branca sobre os estados tenha surtido o efeito desejado por Trump.

Paralelamente, ele tentou de tudo para aprovar no Congresso um projeto de lei batizado Salve a América. O texto exige a apresentação de identificação válida antes do cadastramento eleitoral, comprovante de cidadania e o fim do voto pelo correio. Também assinou decreto em março exigindo que os estados informem aos correios a identidade dos eleitores que receberão cédulas de votação para que ela possa ser verificada. Mais de 20 estados entraram com ações contra a medida, alegando não haver tempo hábil para colocá-la em prática. O governo pediu à Suprema Corte que as novas regras comecem a valer antes das eleições deste ano e recebeu aval temporário do tribunal. A premissa defendida por Trump é combater as fraudes eleitorais, mas elas são muito raras nos Estados Unidos.

Embora a exigência de documentação dos eleitores seja praxe na maioria dos países, nos Estados Unidos ela está historicamente vinculada a tentativas de impedir negros e outras minorias de votar. Para adversários de Trump, as medidas não passam de uma tentativa de dificultar o voto de eleitorados mais propensos a escolher os democratas. O desespero de Trump com o cenário que se desenha nas urnas é evidente.

País precisa conhecer inquéritos do Master e do INSS

Por Folha de S. Paulo

Fachin acerta ao determinar derrubada do sigilo; obscuridade gera vazamentos seletivos perto da eleição

Após uma quebra parcial do sigilo, veio à tona a decisão de investigar Flávio Bolsonaro; em outro inquérito nas sombras está o filho de Lula

Providências tão drásticas quanto simples tomadas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, mostram como vícios e desmandos da corte, escancarados aos olhos de toda a sociedade, perpetuam-se à base de corporativismo e omissão institucional.

Foi preciso uma crise com proporções de escândalo para que enfim se decidisse levar ao plenário, em sessão que deve ser pública, a deliberação sobre a imprescindível investigação das relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o fraudador Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Moraes também foi retirado da relatoria do esdrúxulo inquérito aberto há sete anos a pretexto de combater desinformação, mas que na prática lhe conferia superpoderes para todo tipo de arbitrariedade. Melhor teria sido encerrar a anomalia tempos atrás.

Fachin também acerta ao buscar outro representante da Procuradoria-Geral —em vez do titular, Paulo Gonet, que usufruiu de gentilezas de Vorcaro— na sessão decisiva marcada para terça (15).

Por fim, atendendo a questionamentos de Gonet e de colegas, o presidente do STF requereu que o ministro André Mendonça derrube o sigilo decretado sobre as apurações relativas ao Master.

A opacidade é suspeita desde a origem, quando aprofundada pelo primeiro relator do caso, Dias Toffoli, que, como se descobriu pouco depois, também fazia negócios com a rede de Vorcaro.

A transparência deve ser a regra em procedimentos judiciais. Assim o determina a Constituição, segundo a qual a publicidade dos atos processuais só pode ser restrita para defesa da intimidade e do interesse social. Nos inquéritos, o Código de Processo Penal admite o sigilo quando necessário para não comprometer o avanço de investigações.

Tais condições precisam ser ainda mais excepcionais quando estão envolvidas figuras públicas.
Bastou uma quebra parcial do sigilo para que viesse à tona a decisão de tornar Flávio Bolsonaro (PL) investigado pelo financiamento do filme de louvação a seu pai com dinheiro de Vorcaro.

Trata-se de informação obviamente essencial para o eleitorado que escolherá no próximo mês o futuro presidente da República.

É preciso conhecer ainda procedimentos relativos às relações do Master com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), à tentativa de salvamento do banco pelo estatal BRB, do Distrito Federal, e a outras transações rumorosas com governos regionais.

Outro inquérito sigiloso sob o comando de Mendonça, relativo às fraudes contra aposentados no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), inclui personagens de interesse público, a começar por Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente da República.

Como se tem visto à farta, a obscuridade dá margem a vazamentos seletivos, conforme interesses e estratégias, inclusive político-eleitorais, de autoridades com acesso aos dados. O público tem o direito à informação completa nesses casos.

Milei apela às Malvinas em busca de popularidade

Por Folha de S. Paulo

Tema é recorrente a governos desgastados na Argentina; Trump sinalizou revisão da neutralidade dos EUA

O líder argentino ecoa o objetivo de seu mestre e tenta reduzir sua desaprovação de 58%, taxa elevada para quem almeja a reeleição em 2027

Sob baixa aprovação popular, Javier Milei apelou à soberania da Argentina sobre as ilhas Malvinas em pronunciamento à nação no início deste mês. Historicamente, o discurso de união da cidadania em torno dessa causa patriótica reflete o desgaste do governo de turno.

Assim foi em 1982, quando a ditadura tentou recuperar o arquipélago, em posse do Reino Unido desde 1833, como meio de contornar o seu ocaso. Os resultados foram uma humilhante rendição e a responsabilidade primária do regime pelas mortes de 649 argentinos e 255 britânicos. Também houve consequências positivas: a Guerra das Malvinas precipitou a debacle da junta militar e o início da redemocratização.

Por certo, há enorme distância entre a investida de Milei num tema sensível do imaginário argentino e o insensato ataque castrense contra uma potência nuclear associada à Otan. Por mais estridente e imprevisível que seja, o ultradireitista não chegou ao delírio de um aceno ao extremismo.

Milei questionou a legitimidade da posse britânica —o que pode ser tratado por meio de negociações. Mais grave foi a sinalização de recusa ao direito dos habitantes do arquipélago à autodeterminação. Em consulta de 2013, 99,8% deles escolheram manter as ilhas como território ultramarino do Reino Unido, que as chama de Falklands.

De concreto, nos dias que se seguiram ao pronunciamento de Milei, seu governo iniciou procedimentos sancionatórios contra cerca de 60 empresas e pessoas físicas com negócios no local; cinco companhias petroleiras foram denunciadas na Justiça. Entretanto, nas entrelinhas, sua retórica e ações sugerem um jogo combinado com a Casa Branca.

Em abril, documento interno do Pentágono já aventara rever a neutralidade formal dos EUA sobre as Malvinas —que, na prática, favorece a posição britânica— como forma de pressionar Londres. No final de agosto, Trump voltou a sugerir tal revisão, em meio à cobrança para que o Reino Unido eleve seus gastos militares.

Ao retomar o tema, o líder argentino ecoa o objetivo de seu aliado e tenta reverter sua notória impopularidade. Pesquisa da AtlasIntel de agosto constatou desaprovação de 58%, patamar elevado para um governante que almeja a reeleição em 2027.

Não deixa de ser embaraçosa a estratégia de Milei. Seu pacote de estabilização e de liberalização da economia proporcionou resultados efetivos, mas houve custos políticos que nada tinham de imprevisíveis. O apelo tardio a uma cartada nacionalista decerto soa pouco convincente.

Flávio é um candidato sob suspeita

Por O Estado de S. Paulo

Com autorização de André Mendonça, Flávio Bolsonaro é formalmente investigado pela PF por sua relação financeira com Daniel Vorcaro e segue devendo explicações convincentes ao País

O País acaba de tomar conhecimento de que Flávio Bolsonaro, candidato a presidente da República pelo PL, é oficialmente investigado pela Polícia Federal (PF) por sua associação com o banqueiro Daniel Vorcaro para o suposto financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, apura se Flávio cometeu os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Como se sabe, Flávio pediu de viva voz R$ 134 milhões a Vorcaro, tendo recebido mais de R$ 60 milhões, segundo a PF. O candidato, inclusive, esteve pessoalmente com o banqueiro vigarista no curto interstício em que ele esteve livre, condicionado ao uso de tornozeleira eletrônica, entre uma prisão e outra.

É gravíssimo o fato de um candidato favorito, de acordo com as pesquisas de intenção de voto, concorrer à Presidência da República na condição de investigado – e sob tão sérias suspeitas. Isso só reforça que Flávio Bolsonaro não reúne condições morais nem sequer para disputar cargos eletivos, quanto mais para ser chefe de Estado e de governo.

Ao que tudo indica, o financiamento do tal filme pode ter sido apenas um meio de obtenção de dinheiro sujo da rede de operações de Vorcaro para bancar uma série de gastos de figuras de proa do bolsonarismo – desde a produção do filme propriamente dita até o sustento da vida de playboy que o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, leva nos Estados Unidos. Um fundo de investimentos no Texas, cujo titular é um advogado amigo de Eduardo, recebeu dinheiro de sócios de Vorcaro para, supostamente, cobrir despesas da produção de Dark Horse, uma transação inusual no setor audiovisual. Ademais, há suspeita, ainda a ser investigada, de que parte dos milhões recebidos por Flávio de Vorcaro possa ter sido usada no financiamento de sua própria campanha eleitoral, o que caracterizaria “caixa dois”.

Louve-se aqui a iniciativa do presidente do STF, ministro Edson Fachin, de pedir a Mendonça, relator do caso Master na Corte, que levantasse o sigilo das investigações, pedido este atendido, ainda que parcialmente. Por mais graves que sejam as informações que ora vêm a público, é incerto se elas prejudicarão a candidatura presidencial de Flávio. Mas isso pouco importa. O eleitor tem o direito de ir às urnas sabendo exatamente de tudo o que pesa contra quem pretende governá-lo. A decisão de voto diz respeito apenas à sua consciência.

Diante dessa mixórdia entre interesse público e interesses privados, Flávio não só segue devendo explicações convincentes ao País, como chega a ser cínico ao insistir que tudo não teria passado de uma relação “privada”, envolvendo dinheiro “privado”. É uma dupla mentira. Em primeiro lugar, porque há fundadas suspeitas de que recursos de emendas ao Orçamento da União do deputado federal Mario Frias (PL-SP) tenham sido direcionados para o orçamento de Dark Horse, como revelou a Operação Make Up, deflagrada pela PF há poucos dias. Em segundo lugar, porque o dinheiro de Vorcaro não pode ser tratado naturalmente como recurso privado: trata-se de fruto da maior fraude financeira de que o País já teve notícia. O que Flávio trata como dinheiro “privado” é o prejuízo de milhões de correntistas, investidores, servidores públicos e aposentados, o maior rombo já coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos.

Se Flávio Bolsonaro considera normal financiar uma hagiografia do pai – e sabe-se lá mais o quê – com recursos de origem tão gritantemente espúria, a fragilidade jurídica da defesa é o menor de seus problemas. Está-se diante, isso sim, de sua própria falência ética. Espera-se que um candidato à Presidência da República saiba distinguir entre o certo e o errado, o público e o privado, o lícito e o ilícito. Alguém que se perde entre essas noções elementares, evidentemente, não está qualificado para governar o Brasil.

Pode não parecer, mas caráter ainda importa. E ele se revela nas escolhas feitas por um candidato. Flávio fez as suas: chamou Vorcaro de “irmão” no áudio em que lhe pediu R$ 134 milhões e não teve pudor em ignorar a origem do dinheiro. Que os eleitores se perguntem que espécie de irmandade é essa – e o que ela diz sobre quem aspira à Presidência da República.

A era da fricção

Por O Estado de S. Paulo

Estudo mostra que o mundo enfrenta hoje o maior número de conflitos militares desde o fim da 2.ª Guerra. Esse recorde reflete a precariedade perigosa da nova distribuição de poder

O Uppsala Conflict Data Program, uma das principais bases sobre conflitos armados, registrou no ano passado 65 conflitos envolvendo ao menos um Estado, o recorde desde o final da 2.ª Guerra Mundial, em 1945. As mortes cresceram mais de 30% em um ano. Mas a violência não recrudesceu por igual. O Sudão respondeu pela explosão das mortes de civis, ao mesmo tempo que conflitos entre grupos não estatais recuaram. Por outro lado, em apenas dois anos, os conflitos entre Estados saltaram de dois para oito.

Na Europa, a mudança ganhou contornos antes disso. A anexação da Crimeia pela Rússia em 2014 mostrou que uma fronteira podia novamente ser alterada pela força. A invasão russa da Ucrânia em 2022 submeteu a teste muito maior a disposição do Ocidente de sustentar os agredidos. Moscou descobriu que europeus e americanos forneceriam armas, dinheiro e inteligência em escala, mas evitariam combater uma potência nuclear. Quatro anos depois, os limites continuam sendo apurados no campo de batalha.

Logo após o fim da guerra fria, esses testes pareceram menos atraentes. A chamada Pax Americana esteve longe de ser uma era de paz, mas combinou uma excepcional superioridade dos EUA com a arquitetura de alianças, bases, instituições e compromissos que construíra desde 1945. Parte do êxito era invisível: uma garantia que dissuade um ataque não precisa ser acionada; uma fronteira que ninguém atravessa não vira manchete. A previsibilidade podia assim ser confundida com uma propriedade natural do sistema internacional.

Essa arquitetura está sob pressão. A Rússia tenta rasurar a ordem territorial da Europa e testa seus nervos com provocações híbridas. A ascensão da China mudou a distribuição de poder sem arrancá-la de uma economia global que ajudou a enriquecê-la. No Oriente Médio, a guerra com o Irã rompeu limites que por décadas canalizaram a hostilidade para milícias aliadas e confrontos indiretos. Os EUA continuam sendo a potência militar preeminente, mas sua política também produz instabilidade. Ao questionar alianças e compromissos, o presidente americano Donald Trump deprecia ativos que multiplicaram o próprio poder de seu país.

Redistribuir poder é mais rápido do que estabelecer regras que acomodem a nova distribuição. Nos anos 1930, sucessivos desafios expuseram a distância crescente entre as regras existentes e a disposição das potências para sustentá-las. Cada teste mal contido tornou o seguinte mais tentador. A guerra fria seguiu outra trajetória. Depois de crises que resvalaram na catástrofe, Washington e Moscou aprenderam limites, criaram canais de comunicação e pactuaram controles de armas. Continuaram inimigos, mas redigiram uma gramática de dissuasão que minimizou os riscos de colisão direta.

O presente não reproduz nenhum desses períodos. Há mais centros de decisão do que na guerra fria e interdependência econômica muito maior do que nos anos 1930. A multiplicidade de arsenais nucleares desencoraja uma guerra entre potências – embora torne qualquer erro de cálculo incomparavelmente mais perigoso. Talvez “interregno” descreva esse intervalo: a velha arquitetura ainda existe, porém organiza as expectativas com menos segurança, enquanto nenhuma outra adquiriu autoridade para substituí-la.

A Europa mostra como erosão e recomposição podem avançar juntas. A agressão russa levou a Finlândia e a Suécia à Otan e acelerou o rearmamento. Persistem, porém, carências militares e industriais, enquanto as incertezas plantadas por Trump abalam o coração da dissuasão transatlântica. Capacidade militar e credibilidade política nem sempre caminham juntas. Pequim observa essas respostas ao calcular seus riscos em Taiwan, onde o êxito da dissuasão depende de evitar o experimento que revelaria até onde cada lado está disposto a ir.

O recorde de conflitos ocorre, portanto, num momento inquietante. A unipolaridade acabou, mas a distribuição de poder que emerge em seu lugar ainda não encontrou limites suficientemente reconhecidos e críveis. É nesse intervalo que potências medem compromissos, sondam adversários e calculam se devem recuar ou dobrar a aposta. Um sistema se torna especialmente perigoso quando a maneira mais confiável de descobrir onde termina a liberdade de ação de um país é avançar até que outro o detenha.

A ilusão da deflação

Por O Estado de S. Paulo

Energia derruba inflação em agosto, mas alívio é temporário e preços de maneira geral continuarão pressionados

O índice oficial de inflação do País registrou queda de 0,32% na inflação em agosto, a maior desde 2022. Foi a primeira deflação desde agosto de 2025, o que é sempre uma boa notícia em um país que convive há anos com preços sob pressão. Mas é exatamente por isso que é importante avaliar os motivos por trás desses resultados para saber se são pontuais ou definitivos. E o resultado, desta vez, foi puxado sobretudo pela redução de 7,63% nos preços de energia elétrica, que caíram em razão do chamado bônus de Itaipu, um desconto extraordinário aplicado às faturas emitidas no mês passado.

É verdade que não foi apenas o preço da energia que caiu em agosto. Passagens aéreas recuaram 13,17%, e o grupo Alimentação e Bebidas teve queda pelo terceiro mês consecutivo, desta vez de 0,34%, inclusive em itens relevantes para o consumo das famílias brasileiras, como tomate, batata-inglesa, cenoura, cebola, ovos e café moído.

Mas a contribuição negativa da energia para o cálculo da inflação foi crucial, de 0,33 ponto porcentual. Ou seja, sem o bônus de Itaipu, não teria havido deflação no mês passado, mas uma pequena inflação de 0,01%. Sem o bônus, em setembro os preços de energia voltarão ao patamar em que estavam, e a perspectiva de efeitos do super El Niño no campo deve pesar nos alimentos a partir de agora.

Houve redução, também, de 0,91% nos preços de combustíveis, entre os quais etanol (-3,95%), gasolina (-0,59%) e diesel (-0,80%). Mas isso não teria sido possível sem as medidas que o governo Lula tem adotado desde março para segurar preços após o início do conflito entre Estados Unidos e Irã e a consequente escalada da cotação do barril de petróleo.

Subsídios fiscais a combustíveis e subvenções a produtores e importadores já custaram R$ 25 bilhões aos cofres públicos e devem demandar mais R$ 12,5 bilhões somente até o fim deste mês. O consumidor pode até não perceber o efeito dessas ações na bomba, mas é esse tipo de política pública que explica o fato de a taxa básica de juros estar em 14% ao ano.

Em 12 meses, a inflação acumulada está em 4,22%, acima do centro da meta (3%), mas abaixo do limite superior (4,5%). Bancos e consultorias como Bradesco, Suno Research e Warren Investimentos, no entanto, projetam que o IPCA deve encerrar o ano em 5%.

Nada disso deve interromper o ciclo de redução da Selic. Para a maioria do mercado financeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) provavelmente cortará os juros em mais 0,25 ponto porcentual na semana que vem, para 13,75% ao ano.

Para o governo Lula, tanto a deflação quanto a queda dos juros a menos de um mês da eleição certamente serão exploradas por sua campanha, mesmo porque tudo de que sua equipe precisa neste momento são notícias positivas que se contraponham à crise no Supremo Tribunal Federal (STF).

O maior desafio, no entanto, será convencer a população de que sua percepção sobre seu custo de vida e a economia como um todo vale menos que os indicadores divulgados pelo IBGE.

Toda a verdade, doa a quem doer

Por Correio Braziliense

A transparência é uma obrigação institucional e o único antídoto capaz de restabelecer as bases éticas e jurisdicionais do Supremo Tribunal Federal

A abertura integral do sigilo do caso Master é uma das providências necessárias para que seja resgatada a credibilidade profundamente abalada do STF. Quando ministros, integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR), dirigentes da Polícia Federal, políticos e familiares de autoridades aparecem em documentos de uma investigação dessa gravidade, a transparência deixa de ser uma escolha administrativa. É uma obrigação institucional e o único antídoto capaz de restabelecer as bases éticas e jurisdicionais do Supremo.

O presidente da Corte, Edson Fachin, deu prazo de 24 horas para que o relator da Operação Compliance Zero no STF, André Mendonça, encaminhe à Presidência e aos gabinetes dos demais ministros todos os procedimentos relacionados à Petição 15.556 e ao Inquérito 5.026. Também determinou o levantamento do sigilo das peças vinculadas ao caso, preservando apenas as diligências em andamento ou ainda por realizar cuja divulgação possa comprometer a investigação.

A ressalva às diligências futuras é legítima. Nenhuma investigação pode ser transformada em transmissão ao vivo, com suspeitos informados antecipadamente sobre buscas, prisões, quebras de sigilo ou rastreamento de recursos. Entretanto, fora dessa hipótese estritamente operacional, não há justificativa para esconder documentos, depoimentos, mensagens e decisões que atinjam as instituições e as autoridades envolvidas.

A decisão de Fachin acolheu manifestação da PGR e pedido do ministro Cristiano Zanin. Segundo a PGR, "grande parte dos procedimentos atualmente correlatos à investigação mais ampla da chamada Operação Compliance Zero" não aparecia na relação encaminhada pelo relator. Mesmo que fosse mera falha administrativa, a omissão produziu a impressão de uma transparência seletiva. E foi justamente essa suspeita que agravou o confronto entre Alexandre de Moraes e André Mendonça. 

Moraes acusou o relator de divulgar apenas o que considerou conveniente e pediu a retirada completa do sigilo. Mendonça, por sua vez, vinha sendo questionado sobre a condução do inquérito, o contato de seu gabinete com Daniel Vorcaro e o suposto direcionamento das apurações. As acusações recíprocas ultrapassaram os limites de uma divergência jurídica. Colocaram em dúvida a imparcialidade de ministros encarregados de julgar uns aos outros.

Zanin também pediu acesso à íntegra dos dados extraídos do celular de Vorcaro, por considerar que são indispensáveis ao exame dos fatos pelo Plenário. A preocupação é pertinente. Não se pode submeter os ministros, a imprensa e a sociedade a relatórios fragmentados, recortes de conversas ou documentos escolhidos por quem tenha interesse, direto ou indireto, no desfecho do caso. A verdade processual somente pode emergir do conjunto das provas, examinadas no devido contexto e submetidas ao contraditório. 

A gravidade do caso Master vai além das fraudes bilionárias atribuídas ao banco e dos prejuízos impostos ao sistema financeiro. Alcança autoridades dos Três Poderes, órgãos de fiscalização, escritórios de advocacia, agentes do mercado e dirigentes de instituições que deveriam funcionar como barreiras contra práticas ilícitas. A teia de relações construída por Vorcaro ajuda a explicar como uma instituição sob suspeita conseguiu ampliar seus negócios e cultivar acesso aos centros decisórios da República.

Ninguém pode escolher qual parte da verdade será conhecida. Se houve relações legítimas, elas devem ser esclarecidas. Se contratos foram regulares, que sejam demonstrados. Se mensagens foram retiradas de contexto, o contexto completo precisa ser divulgado. Se autoridades agiram dentro da lei, terão na publicidade dos autos a melhor oportunidade de defender sua reputação. Mas, se ocorreram favorecimentos, tráfico de influência, interferências em investigações ou conflitos de interesses, os responsáveis devem responder por seus atos, independentemente do cargo que ocupem. Doa a quem doer.

É preciso evitar que a crise contamine as eleições

Por O Povo (CE)

O ideal seria que as investigações em andamento corressem na mesma velocidade, porém em trilhos separados, sem se misturarem com a política e menos ainda com o processo eleitoral

A cada momento move-se bruscamente uma peça na verdadeira guerra, que tem o Supremo Tribunal Federal (STF) como campo de batalha. O público toma conhecimento, com perplexidade, do desembaraço com que alguns ministros convivem com figuras suspeitas, das quais deveriam manter distância para preservar a função de julgador da mais alta Corte da Justiça brasileira.

É uma crise grave, pois atinge um dos pilares da democracia, desta vez provocando um estrago de tal proporção que talvez seja difícil, porém não impossível, terminar como tudo acaba no Brasil: em um "acordão" por cima, supostamente para "pacificar" o país, mas cujo objetivo é livrar do Código de Processo Penal alguns cidadãos "acima de qualquer suspeita", ou muito poderosos ou muito ricos para serem punidos.

Esse sistema prevalece no recente caso do ministro Dias Toffoli, que até hoje deve explicações sobre a relação que, supostamente, teria com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro em negócios envolvendo um resort. Ele perdeu a relatoria da investigação do caso, mas continua atuando como magistrado, sem que se saiba em que pé estão as investigações.

Nesta semana, o ambiente permaneceu tenso, com novas investidas entre os contendores. O presidente do STF, Edson Fachin, que parecia vacilar em tomar uma posição mais dura, resolveu anular as decisões dos ministros André Mendonça e Flávio Dino — o primeiro mandando afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o segundo ordenando sua reintegração. De quebra, Fachin avocou o inquérito das Fake News, fonte de controvérsias, que permanece aberto desde março de 2019, antes sob a relatoria de Alexandre de Moraes.

Além disso, o presidente do STF marcou uma sessão extraordinária do plenário da Corte para 15/9/2026, na qual questões delicadas serão votadas. Será decidido se foi regular a ordem de Mendonça para analisar o telefone de Vorcaro, no qual foram encontradas supostas mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro — e se esses dados podem ensejar uma investigação ou se o inquérito será arquivado.

Ainda tem mais. Na quinta-feira, como relator do inquérito das emendas parlamentares, o ministro Flávio Dino autorizou operação da Polícia Federal para investigar o filme Dark Horse sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os alvos estão o deputado Mário Frias(PL), aliado dos Bolsonaros, e a produtora do filme Karina Gama. No mesmo dia, a pedido de Fachin, Mendonça levantou parcialmente o sigilo da parte do inquérito do caso Dark Horse que está sob a relatoria dele.

O ideal seria que as investigações em andamento corressem na mesma velocidade, porém em trilhos separados, sem se misturarem com a política e menos ainda com as eleições. Mas pedir isso atualmente no Brasil é praticamente querer o impossível. Mas deve-se manter a esperança em uma reforma do sistema Judiciário, que resgate o STF do caminho errático que está trilhando.

 

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