O Estado de S. Paulo
Se a cabeleireira pegou 14 anos por pintar uma estátua, qual a pena para quem enlameia a Justiça?
A decisão que o Supremo Tribunal Federal está
prestes a tomar, na próxima terça-feira, é doída, sim, mas de uma simplicidade
desconcertante: se, em tese, qualquer cidadão pode ser investigado por suspeita
de ter cometido desvios, por que não Sua Excelência Alexandre de Moraes? Se
julgado culpado, que seja condenado. Se não, inocentado. Pelo menos, deve, ou
deveria, ser assim...
O que, definitivamente, os ministros da Corte não podem fazer é ignorar os 134 milhões de motivos para uma investigação. Para tentar salvar Moraes, um caso perdido, ao custo de esgarçar sem conserto a credibilidade do Supremo, desmoralizar as instituições e, tudo junto e combinado, impactar a eleição presidencial sem retorno?
Se for nessa direção, o plenário vai concluir
o desmoronamento do Supremo sem conseguir salvar a pele, a reputação e o
destino de Alexandre de Moraes. Em vez de desmoronar um, desmontaria a Corte
com todos dentro. Moraes insiste em fazer pronunciamento na terça-feira, mas
tem o que dizer? Não tem como explicar o valor do contrato com o escritório da
família, negar as 51 mensagens de Daniel Vorcaro e que usou “visualização
única” nas suas respostas para não deixar rastros. Sabia o que estava fazendo e
quais as consequências.
A única saída para Alexandre de Moraes é
renunciar à toga, antes que seja obrigado a despi-la. Com esse ato, estaria
dando uma trégua à divisão – ou polarização? – no STF e livrando seus pares,
sobretudo os paus para toda obra, do profundo incômodo de ter de defendê-lo sem
argumentos.
O mais provável, porém, é que ele saia com
quatro pedras e mais um rascunho da PF para tentar puxar André Mendonça para o
seu próprio buraco. Só vai piorar as coisas para ele, para o Supremo e para a
eleição.
O ministro Edson Fachin demorou a engrenar,
até o empurrão de ex-presidentes do STF, empresários, entidades e líderes, mas
começa a ser saudado por fazer a coisa certa, como desconsiderar o mau conselho
de juntar o caso de Moraes e as críticas processuais contra Mendonça no mesmo
saco e na mesma sessão.
Ok, Mendonça deve explicações, inclusive
sobre a demora em investigar o escândalo Dark Horse, que envolve Flávio
Bolsonaro e valores iguais aos do contrato do Barci Advogados. Mas uma coisa é
uma coisa, outra coisa é outra coisa.
O problema de Moraes é muito mais grave,
desvia o foco da eleição para o Supremo e pode deixar cicatrizes indeléveis.
Aliás, que mal lhes pergunte: se a cabeleireira Débora pegou 14 anos de prisão
por pintar a estátua da Justiça com batom, qual a pena para quem joga lama na
Justiça?

Muito bem Eliane, como sempre, igual a dona, uma graça de comentário. Só faltou falar que o brasileiro não é bobo como esses honoráveis “Quem indica” ( não concursados) pensam.
ResponderExcluirPensam que são raposas mas não passam de bestas.
ResponderExcluirEsse Moraes é pior do que o Bucéfalo.
ResponderExcluirSó da mancada, O Toffoli “plagiou” tese de Doutorado sozinho ? Ou terá sido ajudado por essa “mula falante”?
ResponderExcluirÉ cada incompetente nessa Corte que da vontade de chorar.
ResponderExcluirCaras de pau, ignoram que todo brasileiro sabem que são ministros , não por merecimento e valor, mas por indicação.
ResponderExcluirDesceriam sentir vergonha de ser indicado , jacque não correspondem aos requisitos exigidas para o cargo
ResponderExcluirUsurpadores
ResponderExcluirHonra em primeiro lugar. Vergonha em segundo , competência etc… etc… etc…
ResponderExcluirBrasileiro sabe
ResponderExcluirBucéfalo o cavalo do Alexandre (cifrado), espero que entenda o que eu estou querendo dizer
ResponderExcluirQuero dizer Alexandre é o próprio Bucéfalo.
ResponderExcluirA Débora não foi condenada a 14 anos só por ter usado batom onde não devia,a causa é outra,inclusive ela já está na casa dela,tomara que crie juízo.
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