Daron Acemoglu e James Robison em seu best seller “POR QUE AS NAÇÕES FRACASSAM” argumentam que o sucesso ou o fracasso de uma país depende da qualidade das instituições, onde há instituições inclusivas, que promovem a participação da população e a inovação, e instituições extrativas, que concentram o poder em uma elite dominante. O livro resultou no Prêmio Nobel de Economia para Acemoglu e Robison, em 2024.
O escândalo do Master e as consequências na
imagem externa do STF e na convivência interna na Corte, dinamitaram a sua credibilidade,
já questionada antes, junto à sociedade brasileira. A última pesquisa GLOBO/Quaest,
de setembro, revelou que 56% dos brasileiros afirmam não confiar no STF, 30%
confiam pouco e 9% confiam muito.
A sessão do STF, do último 15 de setembro, tendo
como pauta a abertura de investigação sobre as relações entre o Ministro
Alexandre Moraes e Daniel Vorcaro, foi a gota d’água. Transmitida ao vivo pela
TV Justiça e outros canais, foi acompanhada por centenas de milhares de
brasileiros, fora a repercussão jornalística e nas redes sociais posterior. Só
a CNN teve a maior audiência de sua história com 450 mil espectadores. Os
mecanismos de transmissão ao vivo, criados em nome da transparência, colocaram
a nu a fratura exposta nas relações entre os ministros, a radicalização do
debate e o distanciamento em relação às expectativas da população. Hoje, o
brasileiro comum sabe escalar os dez magistrados de nossa mais alta Corte como
escalava a seleção brasileira, em plena Copa. Nos EUA, se um dos nove
integrantes da Suprema Corte entrar em um shopping, provavelmente não será
reconhecido. Aqui a hostilidade popular é crescente.
Mas como diria o “grande filósofo
contemporâneo” Dadá Maravilha, o Peito de Aço: “Não me venham com a
problemática, que eu tenho a solucionática”. Fora a equivocada percepção
difundida de que a função mais importante de um senador da República é cassar
ministros do STF, é preciso reconhecer que a presente crise impõe uma profunda
reforma do nosso Judiciário.
A vantagem da democracia é permitir, diante de
crises, que se vá formando consensos em torno de soluções, e elas apontam, no
caso do STF, para seis medidas: 1. Mandato de 10 anos para não permitir a
perpetuação de posições de poder; 2. Impedimento que parentes atuem, direta ou
indiretamente, em favor de clientes com processos na Corte; 3. Fim das decisões monocráticas sobre
assuntos relevantes envolvendo grandes interesses, resgatando o princípio da
colegialidade; 4. Mudanças nos critérios e no processo de nomeação de
ministros, fortalecendo a exigência de notório conhecimento e experiência e
idade mínimas, quem sabe, com uma lista tríplice vinda do presidente da
República para o Senado decidir; e, 5. Aprovação de um Código de Ética para
regular as relações dos ministros com interesses econômicos, políticos e
sociais.
Vamos apostar no sucesso ou no fracasso? Ou, pior, no caos absoluto?

O autor prometeu apontar 6 medidas. Fica nos devendo a última.
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