O Brasil optou
pelo primeiro modelo, o de repartição. Como as profundas mudanças demográficas
no mundo contemporâneo levaram à queda das taxas de natalidade e fertilidade e
ao aumento veloz da expectativa de vida, com menos gente contribuindo e mais
gente usufruindo, o sistema se tornou deficitário. Sendo assim, o governo tem
que deslocar recursos de outros setores como educação, saúde, segurança e
infraestrutura para subsidiar o sistema previdenciário. Em 2026, o Tesouro
Nacional terá que injetar cerca de R$ 315,7 bilhões no INSS para honrar as
despesas com aposentadorias, pensões e outros benefícios. E esse déficit será
crescente nos próximos anos. Por outro lado, R$ 68,9 bilhões serão gastos para
compensar a diferença entre contribuições e despesas do regime próprio dos
servidores públicos civis dos três poderes da União e outros R$ 53 bilhões
serão canalizados para cobrir o déficit do sistema dos servidores militares do
governo federal. Ou seja, o desequilíbrio da previdência do INSS, somado ao dos
servidores públicos federais exigirá um aporte de 437 bilhões de reais, mais do
que os orçamentos da saúde e da educação somados (R$ 399,3 bilhões).
No Orçamento
Geral da União de 2027, de uma receita primária líquida de R$ 2,866 trilhões,
48,6% (R$ 1,394 trilhão) serão gastos com despesas previdenciárias do INSS e
dos regimes próprios de servidores civis e militares. Só os gastos do regime
geral representam 8,1% do PIB (toda a riqueza que o Brasil produz em um ano). A
projeção é que chegue a 17% do PIB no final do século. Insustentável.
Por que o tema é
difícil de abordar e evitado pela maioria dos líderes políticos? Primeiro, por
falta de conhecimento profundo sobre o assunto. Segundo, porque a crise aguda
virá à médio e longo prazo e as medidas corretivas, às vezes impopulares, têm
que ser tomada agora. Políticos de visão curta pensam: por que tomar decisões
amargas se a bomba vai estourar daqui a 10 ou 20 anos? Terceiro, porque o
debate sobre previdência é campo fértil para a demagogia e o populismo. A
máscara dos oportunistas só cairá quando o estrangulamento for radical e faltarem
recursos para pagar aposentadorias e pensões.
Um bom sistema
previdenciário deve ser justo e sustentável. O nosso sistema não é justo – é
concentrador de renda pelas distorções presentes, e insustentável, por seu
desequilíbrio estrutural.
Estudos e
propostas existem muitos. Recentemente, o Instituto de Mobilidade e Desenvolvimento
Social (IMDS) publicou um documento completo, profundo e propositivo.
Os candidatos a presidente da República podem até tangenciar o tema e evitar o debate. No entanto, quem for eleito terá que encarar a realidade e, inevitavelmente, propor uma nova rodada de reforma em nosso sistema previdenciário, para torná-lo justo e sustentável.

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