Folha de S. Paulo
Presidente americano promove
virada na política externa com endossos públicos, apoio financeiro e ameaças de
sanções
No Brasil, Lula constrói campanha em torno do eixo da soberania nacional, na esperança de unir o eleitorado
(Resumo)Neste seu segundo
mandato, o presidente Donald Trump vem promovendo uma transformação
na política externa dos EUA ao tentar, de forma velada ou mais explícita,
influenciar eleições pelo mundo, sobretudo na América
Latina. Essa reedição da Doutrina Monroe, em versão século 21, busca afastar a
China da região e garantir o predomínio norte-americano. No caso brasileiro,
sucessão de tarifaços, declarações dúbias de Trump e atritos diplomáticos
inusuais estimulados pela família Bolsonaro causam apreensão sobre risco de
interferência na eleição presidencial, com objetivo de favorecer Flávio.
Pressionado diante da divulgação de
trocas de mensagens suspeitas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, o
ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de
Moraes argumentou que o relatório apresentado pelo colega André
Mendonça, que trouxe à tona as novas informações, foi uma "farsa" produzida "com auxílio de
órgão externo, provavelmente estrangeiro", para interferir nas
eleições que se aproximam.
Independentemente da intenção de
Moraes com essa acusação, ela revela o fantasma que assombra o pleito brasileiro
desde muito antes do início oficial da campanha: a possibilidade de escalada da
interferência do governo Donald Trump para favorecer o senador Flávio Bolsonaro (PL) e prejudicar o
presidente Lula (PT).
Em outubro do ano passado, durante as
negociações após o primeiro tarifaço de 50% contra o Brasil,
o governo Trump exigiu que o país permitisse a participação de
"dissidentes políticos" nas eleições presidenciais de 2026, como
revelou nos últimos dias o jornal O Estado de S. Paulo.
A grave crise no Supremo, que engoliu o debate eleitoral a poucas semanas do primeiro turno, agora serve como pretexto para que o governo americano considere novamente sanções a autoridades brasileiras, como mostrou a Folha.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), autoexilado nos
Estados Unidos, tem trabalhado por isso, enquanto Flávio e aliados aproveitam o
episódio para mobilizar o eleitorado, buscando reforçar a alegada associação
entre Moraes e Lula.
Na última semana, Eduardo disse a jornalistas em Washington (EUA)
que se encontrou com autoridades do alto escalão do governo americano e relatou
a elas ver, entre ministros do STF, sinais de uma tentativa de construção de
uma justificativa para contestar eventual vitória do irmão.
Na última terça-feira (15), o governo
Trump afirmou em relatório enviado ao Congresso americano que o Brasil
"falhou em confrontar" o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho), classificados em maio pelos
EUA como organizações terroristas a despeito da contrariedade do governo Lula.
Ao longo do último ano, instituições
da sociedade civil e o entorno do petista monitoraram com preocupação a
possibilidade de interferência americana —o que alçou o tema da soberania
nacional a um dos eixos principais da campanha—, mas não se chegou a um
diagnóstico preciso a respeito de quão longe Trump está disposto a ir.
Nesses grupos, circula a avaliação de
que os trumpistas também calculam se uma intervenção mais explícita a favor de
Flávio poderia, na verdade, prejudicá-lo diante do eleitorado.
Para esses interlocutores, é grande a
possibilidade de que, se Lula for eleito, Trump e aliados disseminem
informações falsas sobre o processo eleitoral brasileiro, como aconteceu em
2022. Não é descartada, sequer, a chance de que o país não reconheça uma
eventual vitória do petista, ainda que essa seja uma ação mais custosa em
termos diplomáticos.
Relatório produzido pela Abin
(Agência Brasileira de Inteligência) sobre "ameaças ao processo eleitoral
de 2026", como noticiou a coluna Mônica Bergamo, elevou
a possibilidade de influência e interferência externa dos EUA nas eleições a
um "nível de criticidade".
Do outro lado, bolsonaristas exaltam
uma eventual ação do americano. Em comício de Flávio Bolsonaro no mais recente
7 de Setembro, na avenida Paulista, apareceu na multidão um enorme boneco
inflável de Trump segurando um "pixuleco" de Lula com roupa de
presidiário. Embaixo, liam-se os dizeres, em inglês, "Trump, liberte o
Brasil".
O pedido ecoava o caso da Venezuela.
Em janeiro, o governo americano capturou o ditador Nicolás Maduro e, desde
então, dá sustentação ao regime sob Delcy Rodríguez, de olho na exploração do
petróleo.
Nas redes sociais, páginas
bolsonaristas circularam animações e vídeos produzidos com inteligência
artificial simulando cenários em que Lula é preso por Trump.
O grito de socorro da direita radical
brasileira aos americanos reflete uma profunda transformação da política
externa dos Estados Unidos promovida por seu próprio presidente, que
explicitamente tenta influenciar corridas eleitorais em outros países.
Do endosso público a determinado
candidato à promessa de apoio financeiro ou, ao contrário, de ameaças de
sanções econômicas à adoção de retórica agressiva contra o grupo político
adversário, essa tentativa se deu de forma variada em uma série de países, como
Argentina, Canadá, Polônia, Hungria, Japão e Colômbia.
A atuação em eleições estrangeiras
acontece não apenas à luz do dia, mas também nos bastidores, por meio de
figuras ligadas ao ecossistema trumpista.
O caso mais explícito veio a público
em agosto, quando o consultor político argentino Fernando Cerimedo foi preso na Bolívia, acusado de ter ordenado
o assassinato da ex-companheira grávida, Nadia Beller, um crime que ele nega.
Baleada em frente a um hotel, ela passou por uma cirurgia e sobreviveu.
Quando investigadores bolivianos
fizeram uma batida em um endereço associado a Cerimedo, nos arredores de La Paz, disseram ter encontrado uma minifazenda
de robôs e mais de US$ 40 mil (R$ 206 mil) em espécie. A apreensão trouxe
informações sobre sua atuação política na América Latina.
Amigo de Eduardo Bolsonaro, Cerimedo
foi citado no inquérito sobre tentativa de golpe de Estado no Brasil por
disseminar informações falsas sobre as urnas eletrônicas. Atuou também como
peça-chave na eleição do presidente argentino Javier Milei.
A partir de descobertas da polícia e
de denúncias feitas por Nadia, o que começou como uma tentativa de feminicídio
acabou por se desdobrar em outras investigações e a dar
pistas sobre uma operação transnacional a favor de candidatos da direita
radical no continente.
Cerimedo, que em 2023 admitiu ao jornal argentino La
Nación o uso de contas automatizadas para influenciar os algoritmos
das redes sociais, é parceiro de negócios de Brad Parscale, que coordenou a
campanha de Donald Trump em 2020.
Segundo reportagem do The New York Times,
os dois atuaram juntos nas candidaturas dos presidentes Rodrigo Paz, na
Bolívia, e Nasry "Tito" Asfura, em Honduras. Asfura foi diretamente
endossado por Trump, que disse, antes das eleições de novembro de 2025, que
daria todo o apoio caso ele vencesse.
De acordo com o New York Times,
empresas de Parscale processam e analisam dados para políticos. "Brad
montou toda a infraestrutura com a qual eu trabalho", afirmou Cerimedo em
uma mensagem enviada ao jornal.
Em entrevista à Folha no fim de agosto,
Nadia Beller disse acreditar que Parscale tenha colocado à disposição de
Cerimedo sua tecnologia para que ele a utilizasse em campanhas na América
Latina. Ela também afirmou, sem apresentar evidências, que o ex-companheiro
relatou que os dois já trabalharam para a CIA, agência de inteligência dos EUA.
Nadia afirmou ainda que Cerimedo
disse que lutaria pela eleição de Flávio Bolsonaro; que o argentino atuou nas
eleições de 2022 a favor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL); e que ele se encontrou
com Eduardo no início de agosto nos Estados Unidos.
Ela também contou que o
ex-companheiro trabalhou para o presidente chileno José Antonio Kast e que teria se envolvido no segundo turno das eleições peruanas, em junho deste ano.
Cerimedo, que participou de uma
transmissão ao vivo em julho com Eduardo Bolsonaro, repetindo mentiras sobre o sistema eleitoral brasileiro,
disse em depoimento a investigadores que ganhou cerca de US$ 1 milhão (R$ 5
milhões de reais) por mês nos últimos dois anos com atividades como consultor
político fora da Bolívia, onde mora.
"Eu trataria a interferência a
partir de uma gradação. Varia de uma mera influência política a graus muito
mais graves, que envolveriam, por exemplo, mexer no sistema eleitoral de um
determinado país ou interferir no processo de maneiras diretas ou indiretas. Há
vários tons de cinza que é importante que a gente considere", afirma
Guilherme Casarões, professor da Florida International University (EUA) e coordenador
do Observatório da Extrema Direita.
Em julho do ano passado, ao anunciar
o primeiro tarifaço contra o Brasil, Trump escreveu uma carta na qual se referiu a
Bolsonaro como um "líder altamente respeitado" que era alvo de uma
"caça às bruxas". "Acho que havia uma grande expectativa de
reversão da inelegibilidade de Bolsonaro. Trump tomou essa decisão esperando
atingir determinado objetivo político", afirma Casarões.
Para além da imposição das tarifas e
de sanções contra autoridades brasileiras, estimuladas pelo lobby de Eduardo
Bolsonaro e do blogueiro Paulo Figueiredo nos EUA, o governo
americano planejava enviar ao Brasil nos meses anteriores às eleições
auxiliares que lançariam dúvidas sobre a integridade e a transparência do
processo eleitoral brasileiro, segundo noticiou o jornal The Washington Post.
O Itamaraty se recusou a aprovar o
visto a dois funcionários do Departamento de Estado americano, e os Estados
Unidos negaram que a missão tivesse como objetivo interferir nas eleições.
Poucos dias antes, em evento com
diplomatas em Brasília, Flávio Bolsonaro havia espalhado informações falsas a
respeito das urnas eletrônicas e feito um apelo para que nações estrangeiras
enviassem o maior número possível de observadores para o pleito de outubro.
O efeito do apoio ou da rejeição de
Trump é incerto. Na Hungria, por exemplo, o endosso ao ex-primeiro-ministro Viktor Orbán não fez diferença, segundo
analistas ouvidos pela reportagem. Péter Magyar, o candidato vitorioso, liderou uma campanha voltada para os assuntos domésticos,
o que esvaziou a influência americana.
"Sua mensagem foi de que Orbán
não se importa com os húngaros comuns. Ele não atacou Trump, não tentou dizer
que ter uma boa relação com Trump é problemático", diz Péter Krekó,
diretor da consultoria húngara Political Capital. "Foi uma jogada
populista inteligente, no sentido de que Orbán foi retratado como parte de uma
elite internacional, alienado de todos os húngaros."
Trump isentou a Hungria de sanções
relacionadas às compras de petróleo e gás russos, mas Orbán esperava mais, diz
a pesquisadora Zsuzsanna Végh, associada ao German Marshall Fund. Segundo ela,
o húngaro queria que o americano se comprometesse a atuar como uma espécie de
"escudo financeiro", o que Trump não tinha intenção de fazer.
Na véspera das eleições, ele mesmo
não foi à Hungria e enviou o vice-presidente J.D. Vance em seu lugar.
"Achei muito interessante que o envolvimento do governo Trump tenha
realmente se mantido mais político e simbólico neste caso. Ficou muito aquém do
que Orbán esperava", afirma Végh.
Já no Canadá, analistas políticos
interpretaram que as ameaças econômicas e territoriais de Trump, que falou em
transformar o país em um estado americano, tiveram o efeito contrário ao
desejado por ele e contribuíram para a manutenção dos progressistas no
poder.
Por outro lado, o presidente
americano pode ter auxiliado a vitória do partido de Milei nas eleições
legislativas argentinas, no ano passado. Em meio a uma grande pressão sobre o
peso, logo antes do pleito de outubro, o governo americano fechou um acordo de swap cambial com a
Argentina no valor de até US$ 20 bilhões (R$ 102 bi) para ajudar a estabilizar
a economia da nação latino-americana.
Semanas antes das eleições, Trump
recebeu Milei na Casa Branca e afirmou: "Se ele vencer, vamos ficar com
ele. Se não vencer, vamos embora".
Na Colômbia, aliados do ex-presidente
Gustavo Petro e do candidato Iván Cepeda, que
perdeu as eleições presidenciais de junho, afirmam que o apoio declarado de
Trump ao candidato da direita, Abelardo de la Espriella, assim como suas
ameaças e hostilidade contra Petro, influenciaram no resultado.
Petro foi mais longe. Sem apresentar
provas, afirmou que a inteligência privada israelense fraudou as urnas no país.
O advogado Luis Pérez, que apresentou uma ação para tentar anular as eleições,
reforça o mesmo discurso ao falar com a reportagem, citando o "neofascismo
sionista".
"O discurso de Trump pode ter
influenciado de duas maneiras. Primeiro, porque as pessoas, por medo, votaram
em Abelardo de la Espriella, pensando em ter alguma garantia de que poderiam
ficar nos Estados Unidos caso ele vencesse. E também porque houve muitas
irregularidades nesse processo eleitoral, na votação no exterior", diz, sem
mostrar evidências para a acusação.
Sergio Guzmán, diretor da consultoria
Colombia Risk Analysis, afirma que, como a votação foi muito apertada, pode-se
discutir se o apoio de Trump a Espriella surtiu algum efeito. Ainda assim, ele
garante que esse não foi o fator decisivo.
"O que acontece é que, neste
momento, Petro está muito amargurado porque eles tinham a certeza de que iriam
vencer a eleição. O problema é que isso simplesmente não aconteceu", diz.
"Petro está procurando qualquer tipo de conspiração para tentar justificar
sua nova tentativa de se opor a Espriella. Está se aliando a todos esses
elementos: Israel, EUA, robôs etc. Mas isso não é o fator determinante."
Há uma série de dúvidas sobre como,
ou se, haverá uma escalada da interferência americana no pleito brasileiro que
se aproxima.
No início de setembro, Trump afirmou
que os Estados Unidos têm uma boa relação com o Brasil. Ele também já se
referiu a Lula como "muito dinâmico". As falas
contrastam com as ações agressivas do governo americano.
"Desde julho do ano passado há
uma clara motivação política em tudo o que Trump vem fazendo em relação ao
Brasil. Mas eu não saberia dizer se tudo ou parte foram capítulos de uma
tentativa deliberada de interferência eleitoral muito clara", diz o
professor Guilherme Casarões.
A classificação do Comando Vermelho e
do PCC como organizações terroristas foi anunciada
dois dias após visita de Flávio Bolsonaro a Trump e a outros membros do
gabinete americano, como Marco Rubio, secretário de Estado, e J.D. Vance.
O senador disse que havia pedido ao
presidente americano que se decidisse por essa classificação e aproveitou o
episódio eleitoralmente. Em outubro do ano passado, no X, Flávio havia sugerido
que os EUA atacassem embarcações com drogas no Rio de Janeiro.
"Aí já se começa a ver uma
intenção mais clara de beneficiar, ainda que Trump não tivesse dito em nenhum
momento ‘Eu apoio Flávio Bolsonaro’. Se começa a ver que cada decisão foi, de
alguma maneira, ligada a um ponto da pauta da campanha do Flávio", afirma
Casarões.
As ações de Trump também devem
depender do quanto ele pode ser influenciado por pessoas de seu entorno, como
Rubio, filho de imigrantes cubanos que foi senador pelo partido Republicano e é
um crítico feroz dos governos de esquerda na América Latina.
Publicação do Departamento de Estado no X em
agosto diz que a Doutrina Monroe moldou a política externa dos EUA por mais de
dois séculos e que "o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais
será questionado".
A doutrina, criada em 1823 pelo
presidente norte-americano James Monroe, funcionou como uma diretriz da política
externa americana, sob o entendimento de que os EUA deveriam garantir seu
controle sobre os países da região, afastando a influência europeia do
continente que era visto como um quintal.
Em evento conservador em solo
americano em março, Flávio posicionou o Brasil como um potencial fornecedor de terras raras
para os Estados Unidos.
"No governo Trump existem
aqueles como Rubio, por exemplo, que têm uma leitura mais política do problema
e que acreditam que tirar Lula é a vacina contra o comunismo regional, para
afastar a China da América Latina", diz Casarões.
"E existem membros da Casa
Branca, principalmente do segundo escalão, como Darren Beattie, Sebastian Gorka, Jason Miller,
uma turma bastante próxima do Eduardo, que tem uma leitura mais ideológica, da
salvação do mundo ocidental, da civilização judaico-cristã. Olham para a
candidatura do Flávio Bolsonaro como redenção civilizatória."
É difícil precisar, assim como nos
demais países, qual efeito um apoio mais explícito de Trump a Flávio teria
diante do eleitorado.
"Na América Latina ainda há uma
certa receptividade ao Trump. A esquerda tem a fadiga no continente. No começo
dos anos 2000 houve a onda rosa, que colocou muitos líderes de esquerda no
poder. Alguns se mantiveram de maneira autoritária ou a desgastar sua própria
popularidade. Isso acaba gerando uma simpatia às opções de extrema
direita", afirma Casarões.
Por muitos meses, diz o professor, a
campanha de Flávio tentou sustentar a "ideia falaciosa" de que só ele
conseguiria ter diálogo com a Casa Branca.
"Acho que ele se beneficia
marginalmente desse apoio americano porque dá a ele uma aparência de chefe de
Estado que ele não tem. Mas acho que hoje fica cada vez mais claro, até pelas
pesquisas de opinião, que o apoio de Trump não é exatamente benéfico para a
candidatura de Flávio."
Levantamento divulgado em junho pelo think tank Pew Research Center
mostra que 64% dos brasileiros não confiam que Trump vá fazer a coisa certa em
relação a assuntos globais, contra 30% que acreditam. A desconfiança diante do
presidente americano é maior no Brasil do que em países como Filipinas, Israel,
Hungria e Colômbia, mas similar à observada na Argentina e no Chile.
Pesquisa Datafolha divulgada em
agosto mostrou que metade dos brasileiros acredita que pode haver algum tipo de interferência estrangeira
nas eleições —32% dizem enxergar nisso um problema, e 18% afirmam o oposto.
Um levantamento anterior, de julho,
indicou que metade do eleitorado avalia que o tarifaço imposto por Trump visa auxiliar a campanha de Flávio. Em
relação ao processo de negociação com os EUA, 51% dizem
que o governo Lula fez menos do que deveria.
Nos meses após o primeiro tarifaço,
em julho de 2025, as pesquisas indicaram uma tendência de melhora na popularidade de Lula.
Essa reação poderia ser explicada pelo fenômeno "rally ‘round the
flag" (unir-se em torno da bandeira, na tradução livre), segundo o qual a
população apoia o governo quando há grande crise internacional ou emergência.
A campanha petista apostou nessa reação com o lema da soberania. Mas, pelo que indica a literatura acadêmica americana, esse efeito é limitado e tem um prazo determinado. A mais recente taxação dos EUA, em julho deste ano, não se refletiu em um fortalecimento de Lula nos levantamentos eleitorais.

Trump e Bolsonaro: convergência de GOLPISTAS mentirosos!
ResponderExcluir